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Seca leva navio a pagar recorde de US$ 5,3 milhões para atravessar Canal do Panamá
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Imagem gerada por IA

Seca leva navio a pagar recorde de US$ 5,3 milhões para atravessar Canal do Panamá

03/09/2026·523 palavras

O navio de bandeira sul-coreana SK Gas LTD pagou US$ 5,3 milhões por prioridade de passagem pelo Canal do Panamá em 1º de setembro de 2026, o maior valor já registrado para esse tipo de operação. O recorde ocorre em meio à seca severa associada ao fenômeno El Niño, que reduziu os níveis dos reservatórios utilizados pela hidrovia e levou a Autoridade do Canal do Panamá a restringir o número diário de embarcações autorizadas a atravessar a rota.

O pagamento de US$ 5,3 milhões permitiu ao SK Gas LTD obter prioridade para realizar a travessia. O valor é apontado como recorde histórico em material da Anadolu Agency distribuído pelo Reuters Connect. A plataforma também reúne registros fotográficos da Reuters que identificam o pagamento como recorde para um trânsito pelo Canal do Panamá.

Com cerca de 80 quilômetros de extensão, o Canal do Panamá conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e responde por aproximadamente 5% do comércio marítimo mundial. A rota permite que embarcações encurtem suas viagens em milhares de quilômetros ao evitar o contorno da América do Sul.

A seca associada ao El Niño, porém, passou a pressionar a operação da hidrovia. Entre maio e agosto de 2026, as chuvas na região ficaram cerca de 34% abaixo da média histórica para o período, segundo a DW.

O Canal do Panamá depende de água doce para o funcionamento de seu sistema de eclusas, responsável por elevar e baixar as embarcações durante a travessia. A água utilizada na operação é proveniente de chuvas armazenadas nos reservatórios Gatun e Alhajuela, cujos níveis foram afetados pela redução das precipitações.

Diante da menor disponibilidade de água, a administração do canal decidiu reduzir progressivamente o número de embarcações autorizadas a realizar a travessia. A partir de 3 de setembro, o limite diário cai de 36 para 34 navios. Em 15 de setembro, a capacidade será novamente reduzida, desta vez para 32 embarcações por dia.

As medidas buscam conservar a água doce necessária ao funcionamento das eclusas enquanto persistem os efeitos da estiagem. A Autoridade do Canal do Panamá já havia adotado medidas de conservação e alertado para a necessidade de estratégias destinadas a garantir a sustentabilidade da hidrovia no longo prazo.

Canal já enfrentou restrições durante seca anterior

A falta de água já havia provocado restrições severas à navegação pelo Canal do Panamá entre 2023 e 2024. Em 2023, o nível dos lagos que abastecem a hidrovia caiu a ponto de os operadores reduzirem o número de passagens diárias de 38 para 22 embarcações.

A nova redução ocorre enquanto o El Niño se intensifica na região. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais das regiões central e leste do Oceano Pacífico e pode provocar alterações nos padrões de chuva, incluindo períodos de seca.

Além das dificuldades provocadas pela estiagem, o material da Anadolu Agency distribuído pelo Reuters Connect menciona a pressão sobre o mercado de hidrocarbonetos diante do fechamento quase total do Estreito de Ormuz. As fontes analisadas, no entanto, não estabelecem que essa situação seja responsável pelo recorde pago pelo SK Gas LTD ou por um aumento específico do tráfego no Canal do Panamá.

FUP Explica

O recorde de US$ 5,3 milhões por uma única passagem não é só um número impressionante: ele sinaliza que o Canal do Panamá entrou em um regime de escassez estrutural, pelo menos enquanto durar a combinação de seca e bloqueio do Estreito de Ormuz. Para armadores e embarcadores, o custo de prioridade deixou de ser uma opção de conveniência e passou a ser uma variável central no cálculo de viabilidade de rotas. Quem não consegue pagar o leilão espera até 17 dias, o que tem custo próprio em frete, combustível e contratos de entrega.

No mercado de hidrocarbonetos, o impacto é direto. Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado, o Canal do Panamá virou gargalo para o comércio de petróleo e GLP entre o Atlântico e o Pacífico. A solução da Chevron de fazer transbordo ao largo do porto de Balboa mostra que grandes players já estão contornando o canal quando o custo de passagem inviabiliza a operação, mas isso adiciona tempo, logística e risco à cadeia. Essa pressão tende a se refletir nos preços de energia em mercados que dependem dessas rotas, especialmente na Ásia.

Do ponto de vista institucional, o Panamá está numa posição delicada. O canal é a principal fonte de receita do país e o governo reafirmou sua neutralidade, mas a infraestrutura não foi projetada para absorver simultaneamente uma demanda de guerra e uma seca severa. Os cortes programados para setembro reduzem ainda mais a capacidade disponível num momento em que a fila só cresce, o que abre espaço para novos recordes de tarifas e para pressão política sobre a gestão da Autoridade do Canal.

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