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Portonave passa a atender exportações de carne bovina ao México
Comércio Exterior

Imagem: Divulgação

Portonave passa a atender exportações de carne bovina ao México

03/09/2026·685 palavras

A Iceport, câmara frigorífica da Portonave, em Navegantes (SC), teve renovada, no fim de agosto, a habilitação para armazenar e expedir proteína animal destinada ao México. A autorização, válida até 2028, passa a incluir carne bovina entre os produtos que podem ser movimentados pela estrutura para atender o mercado mexicano.

A inclusão ocorre em um período de crescimento das exportações brasileiras de carne bovina para o México. Em 2025, o país importou 118 mil toneladas da proteína brasileira, alta de 156% em relação ao ano anterior, com receita de US$ 645,4 milhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O mercado mexicano está entre os principais destinos da carne bovina brasileira. De janeiro a julho de 2026, considerando todos os mercados compradores, as exportações brasileiras do produto somaram 1,97 milhão de toneladas, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, com receita de US$ 11,4 bilhões.

A habilitação da Iceport permite que os exportadores atendidos pela estrutura utilizem o complexo de Navegantes para armazenar e expedir carne bovina destinada ao México, acrescentando o produto às operações já autorizadas para aquele mercado.

O processo de habilitação envolve autoridades sanitárias dos dois países. O Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica), do México, realiza auditorias nos estabelecimentos interessados. Após a aprovação, o órgão comunica o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), responsável pelo registro da habilitação no Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal (Sigsif).

Com o registro, o entreposto fica autorizado a armazenar e expedir os produtos destinados ao mercado mexicano. Durante as missões, as autoridades estrangeiras também avaliam procedimentos adotados pelo sistema brasileiro de inspeção.

Segundo a Portonave, não foram necessárias adaptações relevantes na Iceport para a renovação da habilitação. O processo se concentrou na demonstração da conformidade dos controles existentes de armazenagem, rastreabilidade e gestão sanitária. A empresa também informa que a câmara frigorífica foi utilizada como unidade de referência durante uma missão do Reino Unido relacionada ao Brexit.

A busca por novas habilitações e pela abertura de mercados faz parte da estratégia da Portonave para aumentar as alternativas oferecidas aos clientes e proporcionar maior flexibilidade logística.

A Iceport possui habilitação para atender mercados como África do Sul, Argentina, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Estados Unidos, União Econômica Eurasiática, Hong Kong, Israel, Japão, Paraguai, Reino Unido, União Europeia e Uruguai. A estrutura também opera com medicamentos, em espaço destinado exclusivamente a essa finalidade, e com produtos halal, seguindo os preceitos islâmicos.

Em 2025, a Iceport movimentou 284,7 mil toneladas de produtos com temperatura controlada, alta de 12% em relação ao ano anterior. Os frangos responderam por 60% da movimentação, seguidos por vegetais, com 25%, carnes bovinas, com 8%, e suínos, com 7%.

O crescimento continuou em 2026. No primeiro semestre, a câmara frigorífica movimentou 145,7 mil toneladas, volume 12% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Segundo a Portonave, a Iceport é a única câmara frigorífica instalada dentro de um terminal portuário no Brasil. A integração com o terminal permite reduzir etapas logísticas nas operações.

A estrutura possui 50 mil metros quadrados de área construída, 16 mil posições para pallets e 13 docas. O sistema automatizado de armazenagem tem capacidade para realizar 280 movimentos por hora. A unidade também possui certificação FSSC 22000, padrão de segurança de alimentos reconhecido pela Global Food Safety Initiative (GFSI).

As carnes congeladas e seus derivados lideraram a pauta de exportações da Portonave em 2025 e responderam por 42% do volume exportado pelo terminal. A inclusão da carne bovina na habilitação da Iceport acrescenta o mercado mexicano às alternativas disponíveis para esse produto nas operações realizadas a partir de Navegantes.

A Portonave opera desde 2007 em Navegantes, no litoral de Santa Catarina. Em abril de 2026, o terminal alcançou a marca de 15 milhões de TEUs movimentados desde o início das operações. Até o fim de julho de 2026, foram movimentados 750,6 mil TEUs, crescimento de 21,3% em relação ao mesmo período de 2025. A Portonave responde por 9% dos contêineres cheios de longo curso movimentados no Brasil e por 37% do volume registrado em Santa Catarina.

FUP Explica

A renovação da habilitação sanitária da Iceport para o México, com a inclusão da carne bovina no escopo, tem impacto direto para exportadores que operam pelo porto de Navegantes. O México é, segundo a Abiec, o destino que mais cresce para a proteína bovina brasileira, e ter uma câmara frigorífica certificada dentro do próprio terminal reduz etapas logísticas que normalmente encarecem e complicam a cadeia de frio. Na prática, o exportador que embarca por Navegantes passa a contar com uma opção de armazenagem habilitada para esse mercado sem precisar recorrer a entrepostos externos, o que tende a reduzir custo e risco de ruptura da cadeia de frio.

Do ponto de vista institucional, o processo de renovação chama atenção porque envolve auditoria presencial do Senasica mexicano nas instalações brasileiras e avaliação dos procedimentos do próprio Mapa. Isso significa que a habilitação não é apenas um certificado da empresa: ela valida o sistema de inspeção federal brasileiro perante um governo estrangeiro. Qualquer fragilidade nos controles do Mapa poderia comprometer não só essa habilitação, mas a credibilidade do sistema como um todo para outros mercados.

No médio prazo, o crescimento consistente da Iceport (12% ao ano em 2024 e no primeiro semestre de 2026) e a ampliação do portfólio de destinos habilitados indicam que o terminal tende a concentrar mais fluxo de proteína animal exportada pelo Sul do Brasil, reforçando a posição de Santa Catarina como principal plataforma de embarque desse segmento.

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