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Trabalhador morre prensado por contêiner em navio no Porto de Navegantes
Comércio Exterior

Imagem: divulgação/Policia Civil

Trabalhador morre prensado por contêiner em navio no Porto de Navegantes

06/10/2026·531 palavras

Cleiton Santana da Silva, de 41 anos, foi atingido durante uma operação em Navegantes; autoridades apuram as circunstâncias, e empresa abriu investigação interna

Durante uma operação de movimentação de contêineres a bordo de um navio na Portonave, em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, o trabalhador Cleiton Santana da Silva, de 41 anos, morreu após ser prensado contra a estrutura da embarcação, na tarde de segunda-feira (5). Equipes de emergência foram acionadas, mas a morte foi constatada no local. As circunstâncias do acidente seguem sob investigação.

A ocorrência aconteceu no MSC Albany, de bandeira liberiana. Segundo o ND Mais, o chefe de segurança relatou à Polícia Científica que uma das peças utilizadas na operação, descrita como “castanheira”, teria travado os contêineres. O profissional acessou a área para verificar a situação e acabou prensado por outro contêiner contra a estrutura do porão. Essa descrição integra o relato inicial sobre o acidente e ainda depende da apuração.

A Portonave confirmou o falecimento e informou que instaurou um procedimento interno para investigar as causas. Em nota, a companhia declarou que comunicou as autoridades competentes, está colaborando com a investigação e presta apoio à família do trabalhador e aos colegas. O posicionamento não apresentou uma conclusão sobre o que provocou a ocorrência nem atribuiu responsabilidades.

Conhecido como Cleitinho, o trabalhador foi identificado pela Polícia Militar, conforme publicou o Guararema News. Já o Diarinho informou que ele atuava na empresa havia dois anos e que a Polícia Civil acompanhava os trabalhos periciais no terminal. O jornal também relatou uma suspeita, atribuída à polícia, de que uma regra de segurança não teria sido seguida antes do acidente. Trata-se, porém, de uma hipótese sob investigação, sem conclusão apresentada nas reportagens.

Logo após a ocorrência, os sistemas de segurança e de emergência foram acionados. De acordo com o Visor Notícias, equipes da empresa Anjos da Vida e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram mobilizadas, mas constataram o óbito. Como o acidente aconteceu no interior do navio, o acesso dos profissionais responsáveis pelo atendimento e pela perícia ocorreu após autorização do capitão da embarcação.

No local, a Polícia Científica realizou registros fotográficos da área atingida e identificou o profissional pelo crachá que ele portava. Também foi registrado um boletim de ocorrência. O levantamento pericial integra a apuração das circunstâncias da morte, enquanto o procedimento anunciado pela empresa ocorre internamente. Até as publicações fornecidas, não havia resultado divulgado dessas investigações.

A morte também motivou uma manifestação do Sindicato dos Arrumadores de Itajaí. Conforme o Jornal nos Bairros, a entidade prestou condolências aos familiares e informou que cobrará dos órgãos fiscalizadores uma investigação rigorosa, com esclarecimentos sobre o ocorrido e adoção das medidas cabíveis. A cobrança se soma aos procedimentos já anunciados pelas autoridades e pelo terminal.

As notícias apresentam uma divergência sobre a etapa da operação: parte dos relatos menciona carregamento, enquanto outros descrevem desembarque de contêineres. O ponto comum é que o acidente ocorreu durante a movimentação da carga dentro do navio. Sem uma conclusão pericial divulgada no material disponível, permanecem pendentes a sequência exata dos acontecimentos, a causa do travamento relatado e a eventual relação entre os procedimentos de segurança e a morte do trabalhador.

FUP Explica

A morte de Cleiton Santana da Silva coloca em evidência os riscos das operações de movimentação de carga em espaços confinados dentro de navios, um ambiente em que a combinação de maquinário pesado, espaço restrito e múltiplos agentes operando ao mesmo tempo eleva o potencial de acidente. A hipótese levantada pela polícia, de que uma regra de segurança pode não ter sido seguida, é o ponto mais sensível da investigação: se confirmada, abre caminho para responsabilização criminal e civil tanto da empresa quanto de eventuais supervisores envolvidos na operação.

O fato de o acidente ter ocorrido a bordo de um navio estrangeiro, de bandeira liberiana, adiciona uma camada de complexidade à apuração. O acesso das equipes de perícia dependeu de autorização do capitão, o que ilustra como a jurisdição nesses casos pode ser disputada entre autoridades portuárias, a legislação trabalhista brasileira e as normas da embarcação. A investigação da Polícia Civil e o procedimento interno da Portonave correm em paralelo, mas os resultados de um não vinculam o outro.

Para o setor portuário, o caso tende a reacender o debate sobre normas de segurança em operações de fixação de contêineres, especialmente em áreas de acesso restrito. O sindicato já sinalizou que vai pressionar os órgãos fiscalizadores, o que pode resultar em inspeções mais frequentes nos terminais da região. A família de Cleiton, por sua vez, tem base para buscar indenização trabalhista independentemente do desfecho da investigação criminal, sobretudo se a perícia confirmar falha nos procedimentos de segurança.

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