
Imagem gerada por IA
China domina importações brasileiras de brinquedos, mas Vietnã e México ganham espaço
País asiático respondeu por 72% das compras externas em 2025, enquanto fornecedores alternativos registraram crescimento superior ao das vendas chinesas nos últimos cinco anos
A China manteve a liderança nas importações brasileiras de brinquedos em 2025, com US$ 254,2 milhões em mercadorias comercializadas para o Brasil, equivalentes a 72,03% do total adquirido no exterior. Apesar do domínio chinês, países como Vietnã e México ganharam participação nos últimos cinco anos, indicando uma diversificação gradual das origens dos produtos estrangeiros que abastecem o mercado nacional, segundo dados do Anuário Estatístico 2026 da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), elaborados com informações do Comex Stat.
A participação chinesa passou de 75,80% em 2021 para 72,03% em 2025, uma redução de 3,77 pontos percentuais. Isso não significa, entretanto, que o Brasil tenha reduzido suas compras de brinquedos chineses. Em valores absolutos, as importações originárias do país asiático cresceram aproximadamente 37,3%, passando de US$ 185,1 milhões para US$ 254,2 milhões no período.
A mudança ocorreu porque outros fornecedores registraram crescimento proporcionalmente maior. O Vietnã, segundo principal país de origem dos brinquedos importados pelo Brasil em 2025, alcançou US$ 26,5 milhões em vendas, equivalentes a 7,51% do total. Em 2021, o valor havia sido de aproximadamente US$ 16,7 milhões, o que representa avanço de 58,9% em cinco anos.
O México apresentou crescimento ainda mais expressivo. As importações brasileiras de brinquedos mexicanos passaram de US$ 10,9 milhões em 2021 para US$ 24,8 milhões em 2025, uma alta de aproximadamente 127,5%. Com isso, o país alcançou a terceira posição entre os principais fornecedores do mercado brasileiro, respondendo por 7,03% das compras externas.
A Indonésia aparece em quarto lugar, com US$ 16,7 milhões e participação de 4,74%, seguida pela Malásia, responsável por US$ 10,7 milhões, equivalentes a 3,02% do total. Somados, os cinco principais fornecedores concentraram aproximadamente 94,3% das importações brasileiras de brinquedos em 2025.
Apesar da entrada de outros países na disputa por participação, a concentração asiática continua elevada. China, Vietnã, Indonésia e Malásia responderam, juntos, por aproximadamente 87,3% do valor importado pelo Brasil no ano passado. O resultado demonstra a importância das cadeias produtivas da região para o abastecimento do mercado brasileiro e sua exposição às condições comerciais e logísticas desses países.
O crescimento das compras externas também acompanha uma mudança na composição do mercado nacional. Entre 2021 e 2025, as importações brasileiras de brinquedos passaram de US$ 244,2 milhões para US$ 352,9 milhões, um avanço de 44,5%. No mesmo período, o faturamento atribuído aos produtos estrangeiros comercializados no Brasil cresceu de R$ 3,01 bilhões para R$ 4,88 bilhões, segundo a Abrinq.
A indústria brasileira, por outro lado, manteve faturamento próximo de R$ 5,5 bilhões durante o período. Embora o mercado total tenha alcançado R$ 10,39 bilhões em 2025, os números mostram que os produtos importados conquistaram uma participação maior nas vendas, enquanto o faturamento nominal da produção nacional permaneceu praticamente estável.
A presença chinesa continua sendo o principal elemento dessa relação comercial. Mesmo com a redução de sua participação percentual, o país forneceu ao Brasil um valor em brinquedos quase dez vezes superior ao registrado pelo Vietnã, segundo colocado no levantamento.
Para os importadores brasileiros, a presença de diferentes países fornecedores representa a possibilidade de diversificar as origens das mercadorias. Entretanto, os dados comerciais não permitem determinar se esse movimento decorre de mudanças nos custos de produção, nas estratégias de fabricantes internacionais, nos preços ou nas condições logísticas.
O levantamento também não permite afirmar que fornecedores vietnamitas ou mexicanos estejam substituindo diretamente fabricantes chineses. O que os números demonstram é que esses países cresceram em ritmo superior ao da China, conquistando uma parcela maior de um mercado brasileiro que passou a importar mais brinquedos ao longo dos últimos cinco anos.
Assim, embora a China permaneça como principal origem dos brinquedos estrangeiros vendidos no Brasil, a evolução das compras externas revela um movimento gradual de diversificação. A continuidade dessa tendência dependerá do comportamento das importações nos próximos anos e da capacidade dos diferentes fornecedores de manter sua participação no mercado brasileiro.
FUP Explica
O dado mais relevante aqui não é a liderança chinesa, que todo mundo já sabia, mas o ritmo com que Vietnã e México cresceram. O México quase triplicou sua fatia em cinco anos, e o Vietnã avançou quase 60%. Isso sugere que parte dos fabricantes internacionais pode estar redistribuindo a produção ou abrindo linhas em outros países, movimento que ficou mais intenso depois das tensões comerciais entre China e Estados Unidos nos anos anteriores. O problema é que o levantamento da Abrinq não explica o motivo, então qualquer conclusão sobre causa é especulação.
Do ponto de vista econômico, o que chama atenção é a assimetria entre importados e nacionais: os produtos estrangeiros cresceram de R$ 3,01 bilhões para R$ 4,88 bilhões em faturamento, enquanto a indústria brasileira ficou estável em torno de R$ 5,5 bilhões. Isso significa que os importados ganharam espaço proporcional dentro de um mercado total que chegou a R$ 10,39 bilhões. Para a indústria nacional, manter o faturamento nominal num período de inflação relevante equivale, na prática, a perder terreno em termos reais.
Para importadores e operadores de comex, a diversificação de origens é positiva porque reduz a dependência de um único fornecedor e pode abrir espaço para negociar melhores condições. Mas a concentração asiática ainda em 87,3% mostra que essa diversificação é incipiente. Qualquer perturbação logística ou tarifária envolvendo China, Vietnã, Indonésia e Malásia ao mesmo tempo ainda teria impacto significativo no abastecimento do mercado brasileiro de brinquedos.
Leia também

Santa Catarina concentra metade das importações brasileiras de brinquedos
há cerca de 2 horas

Incêndio em navio com destino ao Brasil leva a desvio de rota para a África do Sul
há cerca de 2 horas

Importação de brinquedos cresce 44,5% em cinco anos e produtos estrangeiros ganham espaço no Brasil
há cerca de 2 horas

