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Santa Catarina concentra metade das importações brasileiras de brinquedos
Comércio Exterior

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Santa Catarina concentra metade das importações brasileiras de brinquedos

09/10/2026·586 palavras

Estado respondeu por 50,12% das compras externas em 2025, superando São Paulo, que reúne a maior parte das fábricas nacionais do setor

Santa Catarina concentrou 50,12% das importações brasileiras de brinquedos em 2025, assumindo a liderança nacional nas compras externas de um setor que movimentou US$ 352,9 milhões no período. O resultado, divulgado no Anuário Estatístico 2026 da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), com base em informações do Comex Stat, coloca o estado à frente de São Paulo, responsável por 26,83% das importações, e evidencia a diferença entre a distribuição das operações de comércio exterior e a localização da produção industrial brasileira.

Considerando a participação catarinense no valor total importado pelo país, as operações atribuídas ao estado representaram aproximadamente US$ 176,9 milhões em 2025. São Paulo aparece na segunda posição, com cerca de US$ 94,7 milhões, seguido por Minas Gerais, com 6,31% do total. Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo também aparecem entre os principais estados importadores, com participações de 3,34%, 3,26% e 2,28%, respectivamente

A concentração em Santa Catarina chama atenção porque a distribuição das fábricas brasileiras apresenta um cenário diferente. Segundo a Abrinq, São Paulo reúne 85,58% das unidades industriais de brinquedos do país, enquanto Santa Catarina responde por apenas 2,70%. O contraste mostra que a liderança catarinense nas importações não está diretamente relacionada à concentração da fabricação nacional.

O levantamento, entretanto, exige uma distinção importante. Os percentuais estaduais de importação não representam necessariamente a participação dos portos de cada estado na movimentação física das mercadorias. Isso porque o registro das operações por unidade da Federação não permite identificar, isoladamente, o local de entrada ou desembaraço aduaneiro de todos os produtos.

Dessa forma, embora Santa Catarina concentre aproximadamente metade do valor das importações brasileiras de brinquedos, não é possível afirmar, apenas com esses dados, que a mesma proporção das mercadorias tenha passado pelos portos catarinenses. Para identificar as rotas efetivamente utilizadas, seria necessário cruzar as informações estaduais com os registros de unidades de desembaraço e vias de transporte disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A liderança catarinense ocorre em um momento de crescimento das compras brasileiras de brinquedos estrangeiros. Entre 2021 e 2025, o valor importado pelo país passou de US$ 244,2 milhões para US$ 352,9 milhões, um avanço de 44,5%. O movimento ganhou força principalmente em 2024, quando as importações cresceram 27,1%, seguido por uma nova alta de 5,5% em 2025.

A maior parte desses produtos tem origem na Ásia. A China respondeu por 72,03% das importações brasileiras em 2025, seguida pelo Vietnã, com 7,51%, e pelo México, com 7,03%. Indonésia e Malásia também aparecem entre os principais fornecedores, reforçando a importância das cadeias internacionais de abastecimento para o mercado nacional.

Enquanto isso, o setor brasileiro de brinquedos movimentou R$ 10,39 bilhões em 2025, crescimento de 1,86% em relação ao ano anterior. O resultado inclui tanto produtos fabricados no Brasil quanto mercadorias importadas, cuja participação no faturamento do mercado aumentou ao longo dos últimos cinco anos.

A concentração das importações em Santa Catarina coloca o estado em posição de destaque na distribuição geográfica das operações brasileiras de comércio exterior do setor. Ao mesmo tempo, abre espaço para uma investigação sobre o perfil das empresas importadoras, os regimes tributários utilizados e a participação dos diferentes portos e aeroportos na movimentação dessas mercadorias.

Os dados disponíveis confirmam a liderança catarinense no valor importado, mas a identificação dos fatores que explicam essa concentração depende de informações adicionais sobre a estrutura das operações e as estratégias comerciais das empresas envolvidas.

FUP Explica

O dado mais relevante aqui não é o número em si, mas o que ele não explica. Santa Catarina concentra metade do valor importado de brinquedos, mas tem menos de 3% das fábricas do setor. Isso sugere que a liderança catarinense nas importações provavelmente reflete o domicílio fiscal ou a sede das empresas importadoras registradas no Comex Stat, não necessariamente o porto de entrada das mercadorias. É uma distinção que importa muito para quem opera no setor: o dado estadual de importação no Brasil registra a unidade da Federação do importador, e não o ponto de desembaraço aduaneiro, o que pode distorcer a leitura sobre fluxos físicos de carga.

Do ponto de vista econômico, a trajetória de crescimento das importações chama atenção. Um avanço de 44,5% em quatro anos, com aceleração forte em 2024, indica que a demanda interna por brinquedos importados cresce em ritmo bem acima do setor como um todo, que expandiu 1,86% em 2025. Isso tende a pressionar os fabricantes nacionais, concentrados em São Paulo, que competem principalmente com produtos vindos da China, do Vietnã e do México. A dependência de fornecedores asiáticos, que juntos respondem por parcela expressiva das importações, também expõe o mercado brasileiro a variações cambiais e a eventuais interrupções nas cadeias de abastecimento internacionais.

Para operadores de comércio exterior, o ponto prático é que os dados do Anuário Abrinq, baseados no Comex Stat, precisam ser cruzados com os registros de unidades de desembaraço e vias de transporte do MDIC para revelar onde as mercadorias realmente entram no país. Sem esse cruzamento, qualquer análise sobre a participação de portos específicos, como Itajaí ou Navegantes, em Santa Catarina, fica no campo da especulação.

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