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Terremoto trava exportações de café da Colômbia e ameaça pressionar preços internacionais
Terremoto na Colômbia interdita rota crítica que movimenta 60% das exportações de café, impactando supply chain global e potencialmente afetando preços e prazos de entrega para importadores brasileiros.
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia e interrompeu suas exportações de café ao bloquear a principal rota de escoamento do produto para o porto de Buenaventura, no Pacífico. O tremor deixou pelo menos 181 mortos e milhares de feridos até a terça-feira seguinte, conforme apurado pelo Financial Times. O epicentro ficou próximo ao coração da região cafeeira colombiana, e os efeitos sobre a cadeia logística do café foram imediatos.
A via que liga as áreas produtoras ao porto de Buenaventura responde pelo transporte de cerca de 60% das exportações colombianas de café. Deslizamentos bloquearam o acesso à rodovia, especialmente nos trechos próximos aos túneis da rota Cali-Buenaventura. A Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia confirmou à Exame que os terminais de Buenaventura suspenderam temporariamente as operações para inspeções de segurança.
Gustavo Gómez, diretor da Associação de Exportadores de Café (Asoexport), afirmou ao Yahoo Noticias que "as operações cafeteras estão atualmente paralisadas" e que "por el momento la exportación de café se ha detenido". Até a publicação das informações apuradas, não havia comunicação oficial sobre quando a rodovia seria completamente reaberta.
As plantas processadoras ainda avaliavam os danos. Não houve relatos de danos estruturais graves nos moinhos de café, mas cortes de eletricidade afetaram as operações. Os administradores dos terminais portuários suspenderam ou restringiram o recebimento de café enquanto avaliavam a extensão dos estragos.
Parte do fluxo de café passou a ser redirecionada para os portos da costa do Caribe, em Cartagena e Santa Marta. O desvio, no entanto, tem sido dificultado por grave escassez de caminhões. A concentração de empresas de transporte e instalações de processamento na região cafeeira, próxima à zona afetada, agrava o gargalo logístico.
A Colômbia exporta cerca de 1 milhão de sacas de 60 quilos por mês, de acordo com o InvestNews. A Asoexport alertou que, mesmo após a reabertura das estradas, o café acumulado durante a paralisação deve gerar congestionamentos nos portos, prolongando os atrasos nos embarques.
O momento da interrupção é particularmente sensível porque a colheita está concentrada nas regiões do sul, incluindo Cauca, Nariño, Valle del Cauca e Huila, cujo café normalmente escoa justamente por Buenaventura.
Preços no mercado internacional e contexto da safra
A Colômbia é o terceiro maior produtor mundial de café e o segundo maior produtor de arábica de alta qualidade. O país responde por cerca de um quinto das importações de café dos Estados Unidos e é o principal produtor mundial de arábica lavado suave, variedade valorizada pelo perfil de sabor e acidez. Seus grãos são utilizados por grandes torrefadoras, inclusive pela Starbucks.
A produção colombiana alcançou 13,4 milhões de sacas de 60 quilogramas em 2025. Para 2026, a estimativa é de safra menor, com cerca de 12,8 milhões de sacas, ante 14,8 milhões no ciclo anterior, que foi o maior em 33 anos.
No mercado futuro, os contratos do arábica acumulavam alta de cerca de 30% desde o início de junho, pressionados pelos temores relacionados ao El Niño. Na terça-feira, 11 de agosto, os futuros do arábica chegaram a US$ 3,26 por libra, o maior nível em várias semanas, antes de recuarem. Os estoques de arábica monitorados pela Intercontinental Exchange estão em níveis considerados muito baixos pelo mercado, e especialistas alertam que qualquer interrupção significativa pode pressionar ainda mais os preços.
Além dos danos causados pelo terremoto, os produtores colombianos enfrentam o fortalecimento do El Niño, que pode provocar mudanças prejudiciais na temperatura e na precipitação nas principais regiões produtoras da Colômbia, do Brasil e do Vietnã.
FUP Explica
O terremoto chega num momento em que o mercado de café arábica já estava sob pressão por causa do El Niño e dos estoques baixos na Intercontinental Exchange. Com a rota de Buenaventura bloqueada e a escassez de caminhões dificultando o desvio pelo Caribe, qualquer prolongamento da paralisação tende a ampliar a alta nos futuros do arábica, que já acumulavam 30% de valorização desde junho. Isso afeta diretamente torrefadoras e importadores que dependem do arábica colombiano, especialmente nos Estados Unidos, maior mercado do produto.
Para o Brasil, o cenário tem dois lados. Como maior produtor mundial de café, o país pode se beneficiar de preços mais altos no mercado internacional se a oferta colombiana ficar comprimida por mais tempo. Por outro lado, torrefadoras brasileiras que utilizam arábica colombiano para blends específicos podem enfrentar dificuldade de abastecimento ou custo mais elevado na reposição de estoque. O consumidor final, em geral, sente esse tipo de choque com alguma defasagem, mas a tendência é de repasse se a pressão de preços se sustentar.
No plano logístico, a paralisação expõe a vulnerabilidade de depender de uma única rota para escoar a maior parte das exportações de um país inteiro. O acúmulo de café nas regiões produtoras, somado à previsão de congestionamento nos portos mesmo após a reabertura das estradas, sugere que os atrasos nos embarques devem se estender por semanas, não dias. Isso afeta contratos de entrega com datas fixas e pode gerar renegociações entre exportadores colombianos e compradores internacionais.





