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Terminal de Goiânia conquista certificação internacional para cargas farmacêuticas
Logística

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Terminal de Goiânia conquista certificação internacional para cargas farmacêuticas

30/07/2026·403 palavras
Primeiro TECA fora do Sudeste obtém certificação CEIV Pharma, reforçando capacidade logística para medicamentos. Relevante para exportadores de produtos farmacêuticos.

O Terminal de Cargas do Aeroporto de Goiânia (TECA GYN) obteve a certificação CEIV Pharma da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), tornando-se o primeiro terminal aeroportuário de cargas fora da região Sudeste a receber esse reconhecimento para movimentação de produtos farmacêuticos. Com a conquista, o Brasil passa a contar com quatro terminais certificados pelo programa, conforme informou o Transporte Moderno em 29 de julho de 2026.

O programa Centre of Excellence for Independent Validators (CEIV Pharma) atesta que a infraestrutura, os processos operacionais e os procedimentos de armazenagem e transporte de um terminal seguem padrões internacionais para garantir a integridade de medicamentos e outros produtos sensíveis à temperatura ao longo da cadeia logística, segundo o Transporte Moderno. Entre os terminais brasileiros que já detinham essa certificação antes do TECA GYN estava o Aeroporto Internacional de Guarulhos, conforme registrado pela Abradimex e pela Tecnologística. Até então, todos os terminais certificados no Brasil estavam concentrados no Sudeste.

Inaugurado em 2025, o TECA GYN recebeu investimentos de aproximadamente R$ 25 milhões e foi concebido para atender cargas que exigem controle rigoroso de temperatura. A concessionária Motiva Aeroportos descreve o terminal como o primeiro do país totalmente refrigerado, equipado com duas câmaras frias capazes de armazenar produtos entre -18°C e 25°C, além de monitoramento em tempo real das cargas em área controlada do aeroporto, de acordo com o Transporte Moderno.

Em publicação no Instagram, a concessionária detalhou que as câmaras frias atendem às principais faixas de armazenagem farmacêutica: de 2°C a 8°C, de 15°C a 25°C, e também um contêiner marítimo de -18°C.

Polo farmacêutico de Goiás e a relevância da certificação

A conquista do CEIV Pharma ganha peso pelo perfil produtivo do estado. Segundo a Motiva Aeroportos, Goiás responde pela produção de cerca de 60% dos medicamentos mais comercializados no país. O polo está concentrado no eixo Anápolis-Goiânia-Aparecida de Goiânia, e somente o Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) reúne 17 indústrias farmacêuticas e mais de 20 laboratórios.

A Motiva Aeroportos afirmou que a certificação deverá ampliar o potencial de atendimento aos segmentos farmacêutico, hospitalar e químico, que exigem padrões internacionais de qualidade e rastreabilidade para operações de importação, exportação e distribuição, segundo o Transporte Moderno. No cenário de certificações para cargas farmacêuticas no país, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, também figura com certificado da Anvisa de Boas Práticas de Distribuição e Armazenagem para cargas da indústria farmacêutica, conforme informado pelo próprio aeroporto.

FUP Explica

A chegada do CEIV Pharma a Goiânia muda a equação logística para a indústria farmacêutica do Centro-Oeste. Até aqui, exportadores e importadores de medicamentos e insumos sensíveis à temperatura dessa região precisavam rotear suas cargas por terminais do Sudeste para ter acesso a infraestrutura com reconhecimento internacional, o que adicionava tempo, custo e risco de ruptura da cadeia de frio. Com um terminal certificado na própria região produtora, esse caminho encurta.

Para a indústria instalada no eixo Anápolis-Goiânia, que segundo a concessionária responde por fatia expressiva da produção nacional de medicamentos, a certificação abre a possibilidade de operar embarques e desembarques internacionais com rastreabilidade e padrão exigidos por compradores e reguladores de outros países. Isso tende a facilitar negociações com parceiros externos que exigem comprovação de conformidade ao longo de toda a cadeia logística, não apenas no produto final.

Do ponto de vista institucional, a descentralização da certificação CEIV Pharma para fora do Sudeste também sinaliza uma mudança no padrão de distribuição da infraestrutura logística certificada no Brasil, que historicamente se concentrou nos grandes hubs do eixo Rio-São Paulo. Se outros terminais em regiões produtoras seguirem esse caminho, o modelo de rotear cargas de alto valor agregado exclusivamente pelo Sudeste pode perder força ao longo do tempo.

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