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Ucrânia declara espaço aéreo russo inseguro e pede alerta internacional
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Ucrânia declara espaço aéreo russo inseguro e pede alerta internacional

03/09/2026·770 palavras

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou, em 1º de setembro de 2026, companhias aéreas, seguradoras e operadores que utilizam aeroportos russos sobre os riscos para a aviação civil diante do aumento das operações ucranianas com drones no território da Rússia. No dia seguinte, o governo ucraniano notificou a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) de que considera o espaço aéreo russo inseguro para voos civis.

Em pronunciamento, Zelensky afirmou que o espaço aéreo da Rússia estava "se tornando completamente inseguro" e que "os dias seguros nos céus russos terminaram". O presidente ucraniano também declarou que Kiev não pretende atingir aeronaves civis.

A advertência ocorre em meio ao aumento das operações ucranianas com drones em território russo. A aproximação desses equipamentos tem provocado restrições temporárias ao tráfego aéreo e interrupções de pousos e decolagens em diferentes aeroportos do país.

Em 2 de setembro, o governo ucraniano comunicou oficialmente à OACI que considera o espaço aéreo russo inseguro para a aviação civil devido ao aumento da atividade militar. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, recomendou que o espaço aéreo do país seja evitado para prevenir incidentes não intencionais.

Segundo a DW, a Ucrânia também pediu à OACI que orientasse seus países-membros a não utilizar o espaço aéreo russo. Até a publicação da reportagem, a organização não havia se pronunciado sobre o pedido.

O presidente russo, Vladimir Putin, reagiu às declarações de Zelensky classificando o alerta como equivalente a "terrorismo de Estado" e afirmou que Moscou encontraria uma forma de responder. Em entrevista coletiva no Quirguistão, Putin também disse que não seria possível negociar com "terroristas". Ao mesmo tempo, declarou que a Rússia deseja encerrar, e não apenas congelar, o conflito e que está disposta a negociar.

Dados do Ministério da Defesa da Rússia citados por Mark Brace, analista da consultoria de risco aeronáutico Osprey Flight Solutions, indicam que a Ucrânia vinha lançando mais de 500 drones em território russo em quase todos os dias, com registros superiores a mil aparelhos em algumas ocasiões.

Brace afirmou ainda que o alcance declarado das operações ucranianas em território russo passou de cerca de 630 quilômetros em 2022 para aproximadamente 1.750 quilômetros em 2026. A Al Jazeera também registra ataques em regiões mais distantes, incluindo Omsk, localizada a cerca de 2.500 quilômetros da Ucrânia.

Segundo dados da Osprey citados pela Al Jazeera, aeroportos russos registraram uma média de cerca de 30 fechamentos por dia em razão da atividade de drones. A consultoria avalia que ataques em áreas mais distantes do território russo, inclusive nas proximidades de Moscou e São Petersburgo, devem continuar ao longo de 2026.

As interrupções ocorrem quando a aproximação de drones leva as autoridades russas a impor restrições temporárias ao tráfego aéreo. As medidas podem suspender pousos e decolagens enquanto as ameaças são avaliadas.

Apesar do alerta ucraniano, companhias estrangeiras continuam operando voos para a Rússia ou utilizando o espaço aéreo do país. Entre elas estão Emirates, Air China, Turkish Airlines, Flydubai, Qatar Airways, Etihad Airways e Air India. A Euronews registrou alterações em algumas operações. A Pegasus cancelou 12 voos envolvendo o Aeroporto Internacional Vnukovo, em Moscou, enquanto um voo entre Antália e a capital russa foi desviado por razões de segurança. A Turkish Airlines também cancelou duas partidas e duas chegadas envolvendo Moscou.

O ministro dos Transportes da Rússia, Andrei Nikitin, afirmou que o governo trabalha em conjunto com o Ministério da Defesa e a Guarda Nacional para reforçar a segurança e disse estar confiante de que não haverá interrupções significativas nas operações da aviação civil.

O conflito já modificou as rotas utilizadas pela aviação internacional. Antes da invasão da Ucrânia em larga escala, iniciada em fevereiro de 2022, mais de 360 mil voos por ano passavam sobre a Sibéria. Com as restrições posteriores, parte das ligações entre a Europa e o Nordeste da Ásia passou a exigir trajetos de duas a quatro horas mais longos.

Queda de avião da Azerbaijan Airlines é precedente

O debate sobre os riscos para aeronaves civis também ocorre após o acidente com um avião da Azerbaijan Airlines que caiu no Cazaquistão em dezembro de 2024, deixando 38 mortos.

Ao tratar posteriormente do episódio, Putin reconheceu o envolvimento das defesas russas nas circunstâncias que levaram à queda da aeronave. Segundo a Al Jazeera, o presidente russo afirmou que dois mísseis disparados pelo sistema de defesa aérea da Rússia explodiram nas proximidades do avião enquanto as forças russas tentavam interceptar drones ucranianos.

O episódio tornou-se uma referência nos debates sobre os riscos enfrentados pela aviação civil em regiões onde aeronaves comerciais compartilham o espaço aéreo com drones e sistemas de defesa antiaérea.

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O alerta de Zelensky tem duas camadas. A primeira é operacional: companhias que ainda usam o espaço aéreo russo, principalmente as do Oriente Médio, da Turquia e da China, passam a enfrentar pressão concreta de seguradoras e de seus próprios conselhos de administração para reavaliar as rotas. O precedente do avião azerbaijano abatido em 2024 mostra que o risco não é retórico, e a notificação formal à OACI eleva o nível de responsabilidade jurídica de quem continuar voando sem reavaliação de risco.

A segunda camada é política. Ao tornar o espaço aéreo russo um problema para países que até agora ficaram de fora do conflito, como os do Golfo e a Turquia, a Ucrânia amplia o raio de pressão sobre Moscou sem precisar de um novo pacote de sanções ocidentais. Se Emirates, Qatar Airways ou Turkish Airlines reduzirem operações na Rússia, isso afeta conexões que a economia russa usa para contornar restrições ocidentais, inclusive para movimentação de carga. Katia Glod, do Centro de Novas Estratégias Eurasiana, avalia ao Independent que a ameaça pode influenciar oligarcas próximos a Putin, que têm interesses diretos nessas rotas e conexões comerciais.

Para o setor de aviação em geral, o cenário reforça uma tendência que já dura três anos: rotas mais longas, mais combustível e custos operacionais maiores. Companhias europeias adaptaram suas operações desde 2022, mas as asiáticas e do Oriente Médio ainda não fizeram esse movimento, e são exatamente elas que concentram hoje as rotas mais lucrativas sobre o território russo. A pressão de seguradoras tende a ser o fator decisivo, mais do que qualquer declaração política.

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