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Codeba avança em projeto de US$ 1,17 bilhão para retomar navegação no Rio São Francisco
Codeba trabalha na retomada do trânsito na Via Navegável de São Francisco, infraestrutura crítica para escoamento de cargas internas e exportação de commodities brasileiras.
Projeto prevê US$ 1,17 bilhão em investimentos, mas retomada das operações ainda depende da descentralização formal da gestão da hidrovia
A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) analisaram, na quinta-feira (3), o andamento dos trabalhos para retomar a navegação comercial no Rio São Francisco. A reunião contou com a participação do presidente da Codeba, Antonio Gobbo, e do coordenador-geral de Planificação e Políticas de Recursos Hídricos do MIDR, Alexandre Saia.
O projeto de reativação prevê investimentos de aproximadamente US$ 1,17 bilhão. Em uma primeira etapa, concentrada em Bom Jesus da Lapa (BA), estão previstos US$ 25,48 milhões para estudos e trabalhos de bioengenharia que deverão ser executados pela AXIA Energía.
Durante a reunião, a Codeba apresentou uma proposta de intervenção no Rio São Francisco, em Bom Jesus da Lapa, elaborada a partir de estudo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
O projeto reúne ações de recuperação, conservação e preservação ambiental, além de medidas voltadas ao uso sustentável dos recursos naturais, à revitalização das bacias fluviais, ao aumento da recarga dos afluentes, à maior flexibilidade operacional dos reservatórios e à melhoria das condições de navegabilidade.
Apesar dos preparativos, a retomada das operações ainda depende da descentralização formal da gestão da hidrovia para a Codeba.
A companhia vem organizando a documentação técnica necessária junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e à Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos, para viabilizar o deslocamento das embarcações até Juazeiro (BA).
O Ministério de Portos e Aeroportos autorizou a Codeba a elaborar o projeto da nova hidrovia. A companhia também mantém tratativas com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) para a celebração de um Acordo de Cooperação Técnica voltado à revitalização do rio e à identificação de oportunidades de negócios relacionadas à navegação.
Em 30 de maio, o chefe de gabinete da Autoridade Portuária Federal, Carlos Luciano, vistoriou as embarcações previstas para compor o comboio inicial da retomada.
O conjunto inclui uma barca, uma Chata CS, a draga Matrichã e o barco-hotel Cidade Pirapora, equipado com 28 camarotes e capacidade para atender até 80 passageiros.
A presença da draga está relacionada à necessidade de intervenções em trechos assoreados do Rio São Francisco. Em março, a Codeba informou que o serviço de dragagem seria necessário para restabelecer a navegação comercial entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).
Projeto busca fortalecer logística regional
Segundo Carlos Luciano, a retomada da navegação busca fomentar o desenvolvimento regional por meio de uma alternativa de transporte mais econômica e ambientalmente sustentável.
De acordo com ele, o projeto poderá impactar 505 municípios. O número foi informado pela Codeba, mas as fontes consultadas não detalham a metodologia utilizada para definir esse universo territorial.
A iniciativa também pretende recuperar o papel logístico do Rio São Francisco na ligação entre áreas produtoras do interior e outros corredores de transporte, embora o início efetivo das operações ainda dependa da conclusão das etapas administrativas, técnicas e operacionais previstas no projeto.
FUP Explica
A reativação da Via Navegável do São Francisco é, antes de tudo, uma aposta de desenvolvimento regional para uma das áreas mais carentes de infraestrutura do país. Uma hidrovia funcional no São Francisco reduziria o custo de transporte de cargas no semiárido e no interior do Nordeste e do Centro-Oeste, regiões que dependem quase exclusivamente do modal rodoviário, historicamente mais caro e sujeito a gargalos. O impacto potencial sobre 505 municípios, número citado pela própria Codeba, dá a dimensão do alcance do projeto.
Do ponto de vista institucional, o processo ainda enfrenta um obstáculo concreto: a descentralização formal da gestão da hidrovia para a Codeba ainda não foi concluída, o que trava a operação mesmo com embarcações vistoriadas e documentação em andamento junto ao DNIT e à Marinha. Enquanto essa transferência não se formalizar, o projeto permanece na fase preparatória, independentemente dos avanços técnicos. A dependência de múltiplos órgãos federais (MIDR, Ministério de Portos e Aeroportos, DNIT, Marinha, Codevasf) também aumenta o risco de atrasos por descompasso entre agendas institucionais.
O volume de investimento previsto, superior a USD 1,17 bilhão no total, coloca o projeto numa escala que exige comprometimento orçamentário de longo prazo, algo que projetos de infraestrutura hídrica no Brasil historicamente têm dificuldade de sustentar entre ciclos políticos. A fase inicial em Bom Jesus da Lapa, com USD 25 milhões em estudos e bioengenharia, é relativamente modesta e serve como teste de viabilidade, mas o salto até a execução plena do canal dependerá de decisões que vão muito além do que a Codeba pode resolver sozinha.




