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Erupção do Anak Krakatau afeta 2.900 voos e mais de 340 mil passageiros na Indonésia
A erupção do vulcão Anak Krakatau, iniciada com maior intensidade no sábado (5), afetou aproximadamente 2.900 voos e mais de 340 mil passageiros na Indonésia até esta terça-feira (8). As cinzas vulcânicas atingiram o espaço aéreo de aeroportos da região de Jacarta, provocando cancelamentos, atrasos e desvios, enquanto a atividade eruptiva voltou a se intensificar na manhã de terça-feira, quando o vulcão entrou em erupção pelo menos três vezes, segundo Lana Saria, chefe da Agência Nacional de Geologia da Indonésia, em informação divulgada pela Reuters.
Apesar da continuidade da atividade, Saria afirmou que o impacto das novas erupções foi menor do que o registrado nos episódios anteriores. Autoridades indonésias contabilizaram mais de 2.900 voos cancelados, atrasados ou desviados e mais de 340 mil viajantes afetados.
Ao menos nove aeroportos suspenderam as operações durante o fim de semana depois que cinzas vulcânicas entraram no espaço aéreo. Entre os aeroportos atingidos estava o Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta, principal porta de entrada internacional de Jacarta e centro da maior parte das interrupções.
Vídeos divulgados pelo próprio aeroporto mostraram equipes de emergência e veículos trabalhando na retirada de cinzas das pistas e de outras instalações operacionais. Depois da limpeza das áreas atingidas, Soekarno-Hatta e outros quatro aeroportos foram reabertos nesta terça-feira (8), mas a retomada das operações não significou retorno imediato à normalidade, já que ainda eram necessárias inspeções nas aeronaves e a reorganização dos voos acumulados.
No Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta, o acúmulo chegou a 461 voos domésticos, 156 internacionais e sete voos de carga. Embora apenas dez voos exclusivamente cargueiros tenham sido cancelados, grande parte das mercadorias também era transportada nos porões de aeronaves de passageiros, o que elevou o impacto sobre a cadeia logística.
Estimativas de mercado indicam que aproximadamente 2 mil toneladas desse tipo de carga foram afetadas. Diante do volume acumulado, um representante da operadora logística LX Pantos afirmou ao The Loadstar que esperava a normalização ao longo da semana, enquanto a Atlantic Pacific Global Logistics alertou que a recuperação poderia ser mais lenta, com redução temporária da capacidade e risco de perda de conexões posteriores.
Com a interrupção das operações em Jacarta, empresas de logística começaram a buscar alternativas para reduzir os atrasos. A francesa Logfret apontou os aeroportos de Surabaya, Yogyakarta, Solo, Semarang e Kertajati como opções para o redirecionamento de cargas e passageiros, e alguns voos já haviam sido desviados para Kertajati, segundo o The Loadstar.
A empresa recomendou que os embarcadores acompanhassem o estado dos voos e das reservas de carga e considerassem rotas alternativas sempre que houvesse viabilidade operacional, sobretudo no caso de mercadorias urgentes, de alto valor ou sensíveis ao tempo. Além disso, operadores logísticos destacaram que a recuperação depende do processamento das cargas retidas nos terminais, do reposicionamento de aeronaves e tripulações e da acomodação dos embarques acumulados dentro da capacidade disponível.
O primeiro voo a decolar após a reabertura foi uma aeronave de carga, segundo o ministro dos Transportes da Indonésia, Dudy Purwagandhi, que alertou que a normalização dos horários ainda levaria algum tempo devido às inspeções necessárias antes da retomada completa das operações.
“Pedimos um pouco de paciência dos passageiros e do público, pois realizaremos inspeções para garantir que essas aeronaves estejam aptas a voar”, afirmou Purwagandhi.
Na segunda-feira (7), pelo menos quatro aeroportos, entre eles Soekarno-Hatta e Halim Perdanakusuma, ainda mantinham a suspensão das operações até as 18h. Naquele momento, a agência nacional de geologia também considerava elevada a possibilidade de nova atividade eruptiva, cenário que manteve companhias aéreas e operadores aeroportuários em alerta mesmo após o início da reabertura.
Anak Krakatau é um dos cerca de 130 vulcões ativos da Indonésia
O Anak Krakatau está localizado no estreito entre as ilhas de Java e Sumatra, a cerca de 150 quilômetros de Jacarta, e integra o conjunto de aproximadamente 130 vulcões ativos da Indonésia, país situado no chamado Anel de Fogo do Pacífico, região marcada por intensa atividade sísmica e vulcânica em razão do encontro de diferentes placas tectônicas.
O vulcão surgiu do mar no início do século XX, dentro da caldeira formada pela grande erupção do Krakatau em 1883. Em 2018, um colapso parcial do Anak Krakatau provocou um tsunami que atingiu as costas de Java e Sumatra e matou mais de 400 pessoas.
FUP Explica
A interrupção causada pelo Anak Krakatau expõe uma vulnerabilidade estrutural da aviação no Sudeste Asiático: a Indonésia é um arquipélago com mais de 17 mil ilhas e dependência intensa do transporte aéreo tanto para passageiros quanto para carga, e seu principal hub internacional fica a menos de 200 quilômetros de um vulcão em atividade permanente. Quando Soekarno-Hatta para, o efeito cascata se espalha rapidamente por rotas regionais e conexões internacionais, como mostraram os cancelamentos da Singapore Airlines e da Qantas.
Para operadores de carga aérea, o episódio reforça a importância de ter planos de contingência com aeroportos alternativos mapeados, especialmente em regiões vulcanicamente ativas. As estimativas de 2.000 toneladas de belly cargo afetadas mostram que a carga em porão de voos de passageiros é tão vulnerável quanto os voos cargueiros puros, e muitas vezes fica fora do radar imediato dos operadores logísticos. A recuperação operacional tende a ser mais lenta do que a reabertura física dos aeroportos: aeronaves precisam ser inspecionadas, tripulações reposicionadas e o backlog acumulado encaixado numa capacidade que ainda opera abaixo do normal.
No plano geológico, o risco não desapareceu com a reabertura dos terminais. A agência de geologia da Indonésia mantinha alerta de nova atividade eruptiva até a manhã de 8 de setembro, e o histórico do Anak Krakatau, que em 2018 gerou um tsunami mortal, indica que episódios como este podem se repetir sem aviso longo. Para companhias aéreas e operadores logísticos que dependem da rota Jacarta, monitorar o status vulcânico da região passa a ser parte da gestão de risco operacional de rotina.




