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Importação de brinquedos cresce 44,5% em cinco anos e produtos estrangeiros ganham espaço no Brasil
Compras externas passaram de US$ 244 milhões para US$ 352,9 milhões entre 2021 e 2025, enquanto faturamento dos produtos nacionais permaneceu próximo de R$ 5,5 bilhões
As importações brasileiras de brinquedos cresceram 44,5% entre 2021 e 2025, passando de US$ 244,2 milhões para US$ 352,9 milhões, em um período marcado pelo avanço dos produtos estrangeiros no mercado nacional. O movimento ocorreu enquanto o faturamento dos brinquedos fabricados no Brasil permaneceu praticamente estável, próximo de R$ 5,5 bilhões, segundo dados do Anuário Estatístico 2026 da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), elaborado com informações do Comex Stat, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior brasileiro.
O crescimento das compras externas foi mais intenso nos dois últimos anos da série. Em 2024, as importações alcançaram US$ 334,5 milhões, uma alta de 27,1% em relação a 2023, quando haviam somado US$ 263,2 milhões. Já em 2025, o avanço foi de 5,5%, levando o valor importado ao maior patamar do período analisado. Somadas, as compras brasileiras de brinquedos e produtos relacionados ultrapassaram US$ 1,46 bilhão nos cinco anos.
Esse comportamento contrasta com a evolução do faturamento dos produtos nacionais. Em 2021, os brinquedos fabricados no Brasil movimentaram R$ 5,59 bilhões, enquanto os importados responderam por R$ 3,01 bilhões. Quatro anos depois, o faturamento atribuído à produção brasileira estava em R$ 5,54 bilhões, enquanto o dos produtos estrangeiros havia alcançado R$ 4,88 bilhões.
Com isso, a participação dos importados, calculada sobre a soma do faturamento das duas categorias, passou de aproximadamente 35% para 47% entre 2021 e 2025. A mudança indica que os fornecedores internacionais conquistaram uma parcela maior do mercado brasileiro, embora os números, apresentados em valores nominais, não permitam determinar isoladamente a evolução das quantidades comercializadas.
O avanço ocorreu em um mercado que também registrou crescimento. Segundo a Abrinq, o setor brasileiro de brinquedos movimentou R$ 10,39 bilhões em 2025, resultado 1,86% superior ao registrado no ano anterior. Em 2021, o faturamento total havia sido de R$ 8,60 bilhões, o que representa crescimento nominal de aproximadamente 20,8% no período.
Apesar da concorrência estrangeira, a indústria nacional mantém uma estrutura produtiva relevante. O setor encerrou 2025 com 43.946 trabalhadores próprios e terceirizados, número superior aos 35.832 registrados em 2020. A fabricação também apresenta forte concentração geográfica, com São Paulo reunindo 85,58% das unidades industriais brasileiras.
A diferença entre importações e exportações reforça o peso do mercado externo no abastecimento nacional. Em 2025, enquanto as compras brasileiras de brinquedos somaram US$ 352,9 milhões, as vendas ao exterior alcançaram apenas US$ 10,3 milhões, resultando em um déficit comercial aproximado de US$ 342,6 milhões no conjunto de produtos acompanhado pela Abrinq.
As exportações brasileiras permanecem concentradas nos países vizinhos, especialmente Paraguai e Argentina, responsáveis por 44,24% e 17,3% dos embarques, respectivamente. Juntos, os dois mercados absorveram mais de 61% das vendas externas do setor.
Os dados mostram que, embora o mercado brasileiro de brinquedos tenha crescido nos últimos cinco anos, esse avanço foi acompanhado por uma participação cada vez maior dos produtos importados. Para a indústria nacional, o cenário evidencia a necessidade de acompanhar não apenas o crescimento do consumo, mas também a evolução da concorrência estrangeira e sua influência sobre a produção brasileira.
FUP Explica
O dado mais revelador aqui não é o crescimento das importações em si, mas a velocidade com que os produtos estrangeiros avançaram sobre um mercado que também cresceu. O faturamento total do setor subiu cerca de 20,8% em termos nominais entre 2021 e 2025, mas a fatia dos importados saltou de 35% para 47% nesse mesmo intervalo. Isso significa que a indústria nacional não perdeu volume absoluto, mas perdeu terreno relativo de forma consistente, e a tendência se acelerou justamente em 2024, quando as importações subiram 27,1% em um único ano.
Do ponto de vista econômico, o déficit comercial de aproximadamente US$ 342,6 milhões em 2025 é expressivo para um setor que emprega quase 44 mil trabalhadores e concentra 85,58% das suas unidades produtivas em São Paulo. Se a participação dos importados continuar avançando no mesmo ritmo, a pressão sobre a produção doméstica tende a se intensificar, com possível impacto sobre emprego e capacidade instalada a médio prazo.
Para quem opera no comércio exterior, o quadro é direto: o Brasil importa muito mais brinquedos do que exporta, e as exportações estão fortemente concentradas em Paraguai e Argentina, que juntos respondem por mais de 61% dos embarques. Essa dependência de dois mercados vizinhos limita a capacidade de diversificação e deixa o setor exportador exposto a variações econômicas e políticas nesses países. A discussão sobre competitividade da indústria nacional de brinquedos, portanto, passa tanto pela política comercial quanto pela capacidade de reduzir custos de produção internamente.




