
Imagem gerada por IA
Renault e Geely investem R$ 5,8 bilhões no Brasil e expandem fábrica do Paraná
Novo aporte de R$ 2 bilhões eleva ciclo de investimentos a R$ 5,8 bilhões até 2027 e acompanha início da fabricação do Geely EX5 EM-i no Paraná
Renault e Geely deram um novo passo na expansão de sua parceria no Brasil ao anunciar um aporte adicional de R$ 2 bilhões e iniciar a produção nacional do Geely EX5 EM-i no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. Com o novo investimento, apresentado nesta semana, as duas montadoras elevam para R$ 5,8 bilhões os recursos previstos no país entre 2025 e 2027, enquanto ampliam a estrutura da fábrica para produzir veículos híbridos, elétricos e modelos de diferentes sistemas de propulsão.
Segundo a Reuters, o novo investimento equivale a € 319 milhões e reforça a parceria industrial das empresas no maior mercado da América Latina. Com o aporte, o volume total de investimentos das companhias no Brasil chega a € 899 milhões entre 2025 e 2027.
O acordo também permite que a Geely utilize uma fábrica e uma rede de concessionárias já estabelecidas, ao mesmo tempo em que ajuda a Renault a ampliar o aproveitamento da capacidade instalada e incorporar veículos maiores ao portfólio.
A ampliação ocorre menos de um ano depois da formalização da joint venture entre as empresas, em novembro de 2025. Na estrutura da parceria, a Geely adquiriu participação de 26,4% na Renault do Brasil, enquanto o grupo francês permaneceu como acionista majoritário. O acordo abriu caminho para a implantação da arquitetura veicular da fabricante chinesa na unidade paranaense e para o compartilhamento de recursos industriais e comerciais.
A nova etapa já começou a ganhar forma com a produção do EX5 EM-i, primeiro veículo da Geely fabricado nas Américas. O SUV híbrido plug-in utiliza a plataforma GEA, sigla para Global Intelligent Electric Architecture, e combina um motor a combustão de 1,5 litro com propulsão elétrica de 160 kW. Segundo dados divulgados pela fabricante, o modelo pode alcançar até 943 quilômetros de autonomia combinada pelo ciclo WLTP e até 83 quilômetros utilizando apenas energia elétrica. O lançamento comercial no Brasil está previsto para ocorrer até o fim de 2026.
Para incorporar a nova arquitetura, o Complexo Industrial Ayrton Senna passou por adaptações no início deste ano. A estrutura permite produzir, em uma mesma unidade, veículos a combustão, híbridos, híbridos flex e totalmente elétricos, ampliando a flexibilidade da fábrica e a possibilidade de compartilhar recursos entre as duas marcas.
O cronograma prevê ainda novos modelos. SO hatch elétrico Geely EX2 começará a ser montado no Paraná em dezembro deste ano. Já em 2027, a Renault deverá iniciar a produção de um novo veículo eletrificado desenvolvido sobre a arquitetura da parceira chinesa. A montadora francesa também confirmou para o mesmo ano a fabricação nacional de sua tecnologia Hybrid E-Tech 4x4 flex fuel.
O novo Renault será o primeiro modelo nacional ligado ao plano estratégico FutuREady da companhia. Com isso, a parceria deixa de envolver apenas o compartilhamento da capacidade industrial existente e passa a incluir diretamente o desenvolvimento da próxima geração de veículos eletrificados da marca francesa no país.
A estratégia também amplia a importância do Brasil dentro dos planos internacionais da Geely. O vice-presidente sênior do Geely Holding Group, Victor Yang, classificou o país como um mercado estratégico para a presença global da companhia. Em 2025, a fabricante chinesa entrou em 13 novos mercados e encerrou o ano presente em 88 países e regiões. No primeiro semestre de 2026, os modelos EX5 e EX5 EM-i chegaram a mais de 20 mercados europeus.
Assim, com a fabricação do EX5 EM-i já iniciada, o EX2 previsto para dezembro e novos projetos programados para 2027, o complexo paranaense passa a ocupar uma posição central na estratégia conjunta de Renault e Geely para ampliar a produção localizada de veículos eletrificados no Brasil e aprofundar a presença das duas empresas no mercado latino-americano.
FUP Explica
Renault e Geely estão apostando que o Brasil pode ser a base de produção de veículos eletrificados para toda a América Latina, e o volume de recursos comprometidos, quase R$ 6 bilhões em três anos, indica que essa aposta é séria. Para a Renault, o acordo resolve um problema concreto: a fábrica de São José dos Pinhais operava com capacidade ociosa, e a entrada da Geely traz volume, tecnologia de propulsão e acesso a uma plataforma de veículos maiores que a montadora francesa não tinha no portfólio local.
Para a Geely, o Brasil oferece algo que nenhum outro mercado da região oferece na mesma escala: infraestrutura industrial pronta, rede de concessionárias estabelecida e um mercado de massa com apetite crescente por híbridos e elétricos.
No plano econômico, a produção localizada tende a reduzir a dependência de importação desses modelos e pode pressionar concorrentes que ainda vendem eletrificados trazidos de fora. O cronograma também é relevante: com o EX5 EM-i em produção agora, o EX2 previsto para dezembro de 2026 e os projetos Renault para 2027, a fábrica paranaense vai acumular experiência em múltiplas arquiteturas eletrificadas num intervalo curto, o que tende a criar vantagem competitiva difícil de replicar rapidamente.
Do ponto de vista político e institucional, a expansão chega num momento em que o governo federal tem incentivado a eletrificação da frota por meio de programas de isenção e benefícios fiscais. Investimentos dessa magnitude reforçam a posição do Brasil nas negociações sobre política industrial automotiva e podem influenciar futuras discussões sobre requisitos de conteúdo local para veículos eletrificados. O risco, por outro lado, está na dependência de componentes importados da China enquanto a cadeia de fornecedores local ainda não acompanha o ritmo da eletrificação.




