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Alta da energia leva inflação britânica ao maior nível em cinco meses
Alta de 23% nos combustíveis automotivos leva índice ao maior nível em cinco meses, enquanto choque de energia provocado pela guerra no Irã aumenta a pressão sobre o Banco da Inglaterra.
A disparada dos combustíveis provocada pelo choque de energia da guerra no Irã levou a inflação do Reino Unido de volta acima de 3% em agosto e aumentou a pressão sobre famílias, empresas e o Banco da Inglaterra. O índice de preços ao consumidor avançou de 2,9% em julho para 3,1%, maior nível em cinco meses, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (16) pelo Office for National Statistics (ONS).
A alta, puxada principalmente por gasolina, diesel e transportes, chega às vésperas da decisão de juros desta quinta-feira (17), quando o banco central britânico avaliará se mantém a taxa básica em 3,75% diante do novo avanço do custo de vida.
A principal força por trás da aceleração veio dos combustíveis automotivos. O economista-chefe do ONS, Grant Fitzner, explicou para a Reuters, que a forte alta da gasolina e do diesel elevou a inflação em agosto, enquanto as passagens aéreas, especialmente em rotas de longa distância, também ficaram mais caras.
Apesar disso, medidas acompanhadas de perto pelo Banco da Inglaterra mostraram maior estabilidade: a inflação subjacente permaneceu em 2,6% pelo quarto mês consecutivo, enquanto a inflação de serviços ficou em 3,4%.
A pressão nas bombas ficou ainda mais evidente nos preços médios pagos pelos consumidores. De acordo com a CNBC, os combustíveis automotivos ficaram 23% mais caros em 12 meses, enquanto a gasolina avançou 9,1 pence por litro entre julho e agosto e atingiu o maior valor desde novembro de 2022. Já o diesel subiu 14,2 pence por litro no período. Além disso, eletricidade, gás e outros combustíveis domésticos ficaram 6% mais caros em relação a agosto do ano passado. Como o Reino Unido é importador líquido de energia, o país permanece especialmente exposto aos choques nos mercados internacionais.
Esse cenário ocorre enquanto o petróleo permanece acima de US$ 100 o barril e os efeitos da guerra no Oriente Médio continuam se espalhando pela economia mundial. A cotação chegou a superar US$ 108 por barril, em meio à intensificação dos conflitos, ampliando a pressão sobre preços e mercados financeiros.
Com a inflação novamente mais distante da meta de 2%, cresceu também a discussão sobre uma possível alta dos juros, embora a expectativa predominante ainda seja de manutenção da taxa em 3,75% na reunião desta quinta-feira (17).
A leitura dos dados, portanto, traz um quadro misto para o Banco da Inglaterra. De um lado, a inflação cheia volta a se afastar da meta e os custos de produção mostram sinais de avanço. De outro, a estabilidade dos núcleos de inflação e dos serviços, somada ao enfraquecimento do mercado de trabalho e à desaceleração dos salários, sugere que o choque de energia ainda não se espalhou de forma abrangente por toda a economia. Investidores, porém, já consideram novas altas ao longo dos próximos meses caso o encarecimento da energia persista.
A guerra no Irã também vem produzindo efeitos econômicos e políticos nos Estados Unidos. A Al Jazeera relatou que a Câmara dos Representantes aprovou, por 220 votos a 204, uma nova resolução de poderes de guerra destinada a limitar a continuidade das operações militares sem autorização do Congresso, com o apoio de sete republicanos.
O mesmo relato cita estimativa do Congressional Budget Office segundo a qual o conflito já custou US$ 38 bilhões e pode acrescentar cerca de US$ 3 bilhões por mês às despesas, além de elevar a inflação americana em 0,5 ponto percentual nos primeiros três meses de 2027.
Para o Reino Unido, o principal risco agora está na duração desse choque. Caso petróleo, gás e combustíveis permaneçam em níveis elevados, o aumento pode avançar para contas domésticas, custos industriais e preços finais nos próximos meses. Por enquanto, os indicadores internos ainda apontam contenção em parte da inflação, mas a combinação entre energia cara, incerteza geopolítica e juros elevados mantém o custo de vida no centro das preocupações da economia britânica.
FUP Explica
O número em si, 3,1%, pode parecer modesto, mas o contexto importa: o Banco da Inglaterra decide os juros nesta quinta-feira com a inflação se afastando da meta de 2% pelo lado de cima, puxada por um fator que o banco central não controla, que é o preço do petróleo. Isso coloca o comitê de política monetária numa posição desconfortável: subir os juros combate a inflação cheia, mas não resolve um choque de oferta de energia, e ainda aperta famílias e empresas que já convivem com taxa básica em 3,75%.
O dado que alivia um pouco é a estabilidade dos núcleos: inflação subjacente em 2,6% pelo quarto mês seguido e serviços em 3,4% indicam que o choque ainda não se disseminou amplamente pela economia. Isso dá ao Banco da Inglaterra algum argumento para segurar os juros por ora. No entanto, se o petróleo permanecer acima de US$ 100 o barril por mais tempo, a conta de energia doméstica e os custos industriais tendem a subir, e aí o risco de contaminação para outros preços cresce de verdade.
No plano político, o voto da Câmara americana para limitar os poderes de guerra sem aval do Congresso adiciona uma camada de incerteza sobre a duração e a intensidade do conflito no Irã, o que afeta diretamente as expectativas de preço do petróleo. Para o consumidor britânico, o efeito prático é direto: gasolina no maior patamar desde novembro de 2022 e contas de energia 6% mais caras do que um ano atrás. Quem sente mais são as famílias de renda mais baixa, que gastam proporcionalmente mais com energia e transporte.
Para o Reino Unido, o principal risco agora está na duração desse choque. Caso petróleo, gás e combustíveis permaneçam em níveis elevados, o aumento pode avançar para contas domésticas, custos industriais e preços finais nos próximos meses. Por enquanto, os indicadores internos ainda apontam contenção em parte da inflação, mas a combinação entre energia cara, incerteza geopolítica e juros elevados mantém o custo de vida no centro das preocupações da economia britânica.




