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Reino Unido zera tarifas sobre fertilizantes dos EUA até 2028
Reino Unido suspende tarifas sobre fertilizantes americanos, sinalizando flexibilização em negociações comerciais bilaterais e impactando potencialmente a cadeia de suprimentos agrícola global e brasileira.
O Reino Unido suspendeu as tarifas de fertilizantes importados dos Estados Unidos, com alíquota zero em vigor desde 5 de agosto de 2026 e validade até 31 de dezembro de 2028. O anúncio foi feito pelo Departamento de Negócios e Comércio britânico nesta quinta-feira (13), conforme informou o GlobalFert.
A medida abrange especificamente Nitrato de Amônio e Ureia, dois insumos centrais na cadeia agrícola do país, e se estende a outros 21 produtos agrícolas comercializados entre Reino Unido e Estados Unidos.
A suspensão movimenta aproximadamente 145 milhões de dólares em trocas comerciais ao longo do período de vigência. Estimativas oficiais apontam economia superior a 17 milhões de dólares em impostos para importadores e consumidores britânicos. O objetivo declarado da medida é aliviar pressões inflacionárias na agricultura local e reduzir custos operacionais para o setor produtivo.
Empresas americanas devem ampliar o volume de vendas de insumos químicos diretamente para o mercado britânico como consequência da redução tarifária.
A decisão britânica se encaixa em um movimento mais amplo de flexibilizações comerciais entre Washington e seus parceiros. Em fevereiro de 2026, o Reino Unido havia sinalizado interesse em preservar acordos comerciais com os Estados Unidos. Naquele mesmo mês, os EUA estabeleceram tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos não cobertos por isenções, com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que autoriza o presidente a impor tarifas por até 150 dias para lidar com déficits considerados "grandes e graves" na balança de pagamentos.
O padrão de negociações bilaterais sob a administração Trump tem produzido acordos pontuais com diferentes parceiros. A União Europeia fechou acordo com os EUA em julho de 2025 que incluiu tarifa de 15% sobre produtos europeus exportados para o mercado americano, além de compromissos de compra de energia e equipamentos militares norte-americanos e investimentos de 600 bilhões de dólares da UE nos EUA.
Mercado internacional de fertilizantes
A suspensão britânica ocorre em um momento de reposicionamento no mercado internacional de fertilizantes. Em novembro de 2025, o presidente Donald Trump havia anunciado a eliminação de tarifas sobre fertilizantes importados pelos EUA, medida que alterou o ambiente do mercado norte-americano. Durante o período em que as tarifas americanas estiveram vigentes, fornecedores internacionais redirecionaram cargas para mercados onde não seriam taxados, o que reduziu a oferta interna nos EUA e manteve os preços elevados.
Com a retirada das tarifas americanas, o mercado reagiu rapidamente. Houve queda expressiva nos preços futuros do fosfato diamônico (DAP) nos dias seguintes ao anúncio. Um analista da StoneX avaliou, segundo a Revista Cultivar, que a suspensão tende a aliviar o desequilíbrio enfrentado por agricultores americanos, que vinham sofrendo com uma das piores relações de troca dos últimos anos, pressionados pelo recuo das commodities agrícolas e pelo encarecimento dos insumos.
FUP Explica
A suspensão britânica das tarifas de fertilizantes americanos é, antes de tudo, um sinal político: o Reino Unido continua apostando na aproximação com Washington como forma de proteger sua agricultura de pressões de custo. Com alíquota zero garantida até o fim de 2028, os importadores britânicos ganham uma janela de previsibilidade relevante para fechar contratos e planejar suprimentos sem o risco de uma reversão tarifária no curto prazo.
Do lado econômico, a economia estimada de mais de 17 milhões de dólares em impostos pode parecer modesta no contexto do comércio bilateral, mas ela se concentra em insumos que afetam diretamente o custo de produção agrícola. Nitrato de Amônio e Ureia são fertilizantes nitrogenados de uso amplo, e qualquer redução no preço de entrada tende a se propagar ao longo da cadeia, ainda que de forma parcial e com defasagem. Para os produtores rurais britânicos, que vinham sendo pressionados por custos elevados de insumos, o alívio é concreto.
Para o mercado internacional de fertilizantes, o movimento britânico reforça a tendência de reconfiguração dos fluxos comerciais que começou com as mudanças tarifárias nos EUA. Com os americanos eliminando tarifas sobre fertilizantes importados e o Reino Unido zerando tarifas sobre fertilizantes americanos, os produtores dos EUA passam a ter acesso mais competitivo ao mercado britânico, o que pode redirecionar volumes que antes iam para outros destinos. Esse tipo de reordenamento afeta indiretamente outros compradores de fertilizantes no mercado mundial, incluindo o Brasil, que é um dos maiores importadores globais de insumos agrícolas e acompanha de perto qualquer mudança nos fluxos e preços internacionais.





