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Porto de Santos bate recorde de contêineres e acordo pode liberar R$ 416,9 milhões
Movimentação chegou a 538,2 mil TEU em agosto, enquanto entendimento entre APS e Centronave busca encerrar disputa tarifária iniciada em 2022 e reforçar recursos para investimentos no complexo
O Porto de Santos registrou em agosto de 2026 a maior movimentação mensal de contêineres de sua história, com 538,2 mil TEU, em meio ao crescimento das operações no principal complexo portuário do país. Enquanto o fluxo de cargas avança, a Autoridade Portuária de Santos (APS) também tenta encerrar uma disputa tarifária iniciada em 2022 por meio de um acordo com o Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), que pode liberar R$ 416,9 milhões atualmente depositados em juízo e direcionar os pagamentos futuros novamente à administração portuária.
O recorde de agosto representa crescimento de 3,9% em relação ao mesmo mês de 2025. Segundo o PortalPortuario, o resultado levou a movimentação acumulada entre janeiro e agosto a 4 milhões de TEU, também a maior já registrada pelo Porto de Santos nos oito primeiros meses de um ano e 3,9% acima do volume observado no mesmo período de 2025.
O avanço dos contêineres ocorre em um cenário de crescimento da movimentação geral do complexo. Nos primeiros oito meses do ano, passaram pelo porto 125,9 milhões de toneladas de cargas, alta de 3,1% na comparação anual. Os embarques responderam por 93,1 milhões de toneladas, aumento de 2,9%, enquanto os desembarques chegaram a 32,8 milhões de toneladas, avanço de 3,6%.
Apesar do desempenho acumulado, agosto apresentou uma leve retração no volume total de cargas. O porto movimentou 16,4 milhões de toneladas no mês, 0,5% abaixo do registrado em agosto de 2025. Os embarques recuaram 0,7%, de 12,1 milhões para 12 milhões de toneladas, enquanto os desembarques tiveram alta de 0,2%, de 4,38 milhões para 4,39 milhões de toneladas.
Entre os segmentos, os granéis líquidos somaram 1,6 milhão de toneladas em agosto, crescimento de 6,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a agosto, o volume alcançou 13,4 milhões de toneladas, alta de 9,3% e recorde para o período. Já os granéis sólidos chegaram a 64 milhões de toneladas nos oito primeiros meses de 2026, avanço de 2,7%. A soja em grãos respondeu por 49,5% dessa movimentação, seguida pelo açúcar, com 19,9%, e pela soja peletizada, com 11,9%.
Os resultados reforçam o peso de Santos no comércio exterior brasileiro. Entre janeiro e agosto, o porto respondeu por 28% da corrente comercial do país. A China permaneceu como principal parceiro nas operações realizadas pelo complexo, concentrando cerca de 31,8% das transações com origem ou destino no terminal. São Paulo, por sua vez, movimentou US$ 30,3 bilhões em transações comerciais pelo porto no primeiro trimestre de 2026, equivalentes a 50,9% do total registrado no período.
Paralelamente aos recordes operacionais, a APS aprovou um acordo com o Centronave para tentar encerrar uma disputa relacionada às tarifas de infraestrutura de acesso aquaviário. De acordo com a Transporte Moderno, o entendimento pode liberar cerca de R$ 416,9 milhões depositados judicialmente, considerando a base auditada em 30 de junho de 2026.
O impasse começou em 2022, quando armadores e operadores questionaram na Justiça a cobrança integral das tarifas, sob a alegação de que investimentos previstos na infraestrutura portuária não haviam sido realizados. Desde então, os valores contestados são depositados judicialmente. Pelo acordo, os associados do Centronave serão reenquadrados na estrutura tarifária referente ao acesso aquaviário, enquanto os descontos passarão a considerar critérios como frequência e modalidade de navegação.
A liberação dos recursos ainda depende da homologação da 4ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Santos e do cumprimento dos procedimentos previstos no entendimento. Após essa etapa, os novos depósitos judiciais deverão ser encerrados e os pagamentos das tarifas voltarão a ser feitos diretamente à APS. A autoridade portuária também deverá publicar uma nova portaria para regulamentar os descontos, conforme os procedimentos estabelecidos pela Resolução nº 61/2021 da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Segundo a APS, a entrada dos recursos poderá reforçar sua capacidade de investimento. A companhia mantém uma carteira de aproximadamente R$ 12,5 bilhões em projetos para o complexo portuário, que inclui recursos federais e intervenções na malha ferroviária interna. Com o aumento da movimentação de cargas e a possível solução do impasse tarifário, Santos combina novos recordes operacionais com a perspectiva de recuperar recursos destinados à administração e aos projetos de infraestrutura do porto.
FUP Explica
Do ponto de vista econômico, os números de agosto mostram que Santos segue crescendo mesmo com uma leve queda no volume total de cargas no mês: o recorde em contêineres e o desempenho acumulado indicam que o complexo está absorvendo mais carga geral e industrializada, o que tende a ter mais valor agregado do que granéis. Isso importa porque o porto responde por 28% da corrente comercial do país, ou seja, qualquer gargalo aqui tem efeito imediato sobre exportadores e importadores de todo o Brasil.
O acordo com o Centronave é o ponto mais sensível da notícia do ponto de vista jurídico e financeiro. Há quatro anos, armadores e operadores pararam de pagar as tarifas de acesso aquaviário diretamente à APS e passaram a depositar os valores em juízo, questionando se os investimentos prometidos tinham sido feitos. O resultado é que R$ 416,9 milhões ficaram presos no sistema judicial, fora do alcance da autoridade portuária. Se o acordo for homologado pela 4ª Vara Federal de Santos, esse dinheiro volta para a APS e os depósitos futuros deixam de existir, o que melhora o fluxo de caixa da administração portuária de forma imediata. Para os armadores, a vantagem é ter critérios mais claros de desconto, atrelados a frequência e modalidade de navegação, em vez de manter a incerteza jurídica.
O ponto de atenção é que a homologação ainda não aconteceu, e a APS ainda precisa publicar uma nova portaria regulamentando os descontos conforme a Resolução nº 61/2021 da Antaq. Enquanto isso não ocorrer, os R$ 416,9 milhões seguem bloqueados. Para quem acompanha o setor, o desfecho desse acordo vai dizer muito sobre a capacidade da APS de avançar na carteira de R$ 12,5 bilhões em projetos, que inclui obras de infraestrutura e intervenções ferroviárias internas, investimentos que afetam diretamente a competitividade do porto nos próximos anos.




