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Receita Federal aprova alfandegamento do Porto Piauí por 25 anos
Terminal em Luís Correia deixa regime provisório de testes e passa a realizar pesagem e validação de cargas dentro da própria estrutura
Depois de receber e armazenar minério de ferro sob um regime provisório de testes, o Porto Piauí, em Luís Correia, no litoral piauiense, obteve autorização definitiva da Receita Federal para funcionar como recinto alfandegado por 25 anos. A aprovação, noticiada nesta sexta-feira (2), veio após uma inspeção das condições de segurança e controle da instalação e permite que a pesagem e a validação das cargas sejam realizadas dentro do próprio terminal, com a expectativa de dar mais agilidade às operações de comércio exterior.
O aval reconhece que o Terminal de Uso Privado (TUP) dispõe da infraestrutura necessária para atender às exigências aduaneiras. Até então, o recebimento e a armazenagem do minério seguiam um procedimento provisório estabelecido pela Receita durante o comissionamento, período dedicado aos testes de funcionamento da estrutura. Com o alfandegamento definitivo, o empreendimento passa a contar com uma autorização de longo prazo para a área submetida à fiscalização.
A área alfandegada ocupa quase 80 mil metros quadrados e abrange o armazém de minério de ferro, a plataforma de atracação, o pátio de veículos e o navio de armazenagem Ventura. A embarcação é responsável por guardar o produto e transferi-lo para navios transoceânicos, compondo a estrutura utilizada no escoamento da carga ao exterior.
Nesse mesmo recinto foi construído o Terminal de Minérios (Temin), responsável pela movimentação do minério de ferro. O conjunto reúne instalações em terra e a embarcação de armazenagem, permitindo que diferentes etapas do fluxo da carga ocorram dentro da área autorizada. A mudança anunciada concentra no próprio terminal os procedimentos de pesagem e validação que acompanham essa operação.
Para o presidente do Porto Piauí, Raimundo Dias, o alfandegamento representa um novo respaldo federal ao empreendimento. Conforme declaração reproduzida pelo PortalPortuario, ele afirmou que a aprovação demonstra a solidez da estrutura e a qualidade da execução do projeto. Também destacou que o terminal está preparado para atender ao mercado nacional e internacional.
A decisão foi precedida por uma visita de auditores fiscais em setembro. A comissão examinou as condições do recinto, incluindo a estrutura de vigilância, a iluminação, o controle de acesso e o cercamento do perímetro. Depois dessa análise final, a Receita aprovou o alfandegamento, reconhecendo o atendimento aos requisitos de segurança, controle e tecnologia necessários às operações internacionais.
O processo havia começado em 2025, quando a administração apresentou o projeto da área alfandegada à Superintendência Regional da Receita Federal, em Fortaleza. Participaram dessa etapa Raimundo Dias, o diretor de Operações, Fábio Freitas, e o gerente de Operações Portuárias, Matheus Magalhães. A apresentação antecedeu a avaliação das instalações e a inspeção que levou à autorização definitiva.
Esse trabalho deu continuidade ao instrumento de adesão 04/2024, que havia autorizado a implantação da instalação marítima. O empreendimento avançou, portanto, da autorização inicial para a fase de testes operacionais e, posteriormente, para a aprovação da estrutura destinada ao controle aduaneiro das mercadorias.
O recinto alfandegado é a área em que as cargas ficam sujeitas aos procedimentos de fiscalização e despacho relacionados ao comércio exterior. No Porto Piauí, a estrutura descrita na notícia está associada ao recebimento, à armazenagem e ao embarque de minério de ferro. A autorização definitiva encerra o enquadramento provisório utilizado nesses testes e estabelece o prazo de 25 anos para o funcionamento da área sob controle da Receita.
FUP Explica
O alfandegamento definitivo do Porto Piauí tem impacto direto nas operações de comércio exterior que passam pelo terminal. Enquanto o regime provisório impunha limitações operacionais típicas de um período de testes, a autorização por 25 anos dá segurança jurídica de longo prazo tanto ao operador quanto aos exportadores que utilizam o terminal para escoar minério de ferro. Na prática, isso significa que pesagem e validação de carga passam a ocorrer dentro do próprio recinto, o que tende a reduzir deslocamentos e etapas externas no despacho aduaneiro.
Do ponto de vista institucional, a aprovação sinaliza que a Receita Federal considerou satisfatórios os requisitos de segurança, controle de acesso e tecnologia do terminal, um passo que não é automático e que, quando negado ou postergado, pode travar operações inteiras. O fato de o processo ter se iniciado em 2025 com a apresentação do projeto à Superintendência Regional em Fortaleza e ter chegado à autorização definitiva após inspeção presencial de auditores mostra um rito completo de avaliação, o que tende a dar mais solidez ao ato administrativo e reduzir o risco de contestação posterior.
Para o setor portuário do Nordeste, o caso é relevante porque consolida o Porto Piauí como ponto de exportação de minério de ferro com estrutura aduaneira própria, incluindo o navio de armazenagem Ventura integrado à área alfandegada. Isso amplia a capacidade do terminal de operar de forma autônoma no fluxo de carga para o exterior, sem depender de recintos alfandegados de terceiros para concluir o despacho.




