
Imagem: Divulgação/Huna
Portonave chega a 700 metros de cais operacional e volta a receber dois navios ao mesmo tempo
O Terminal Portuário de Navegantes concluiu um novo trecho de 250 metros da Obra de Adequação do Cais e chega a 700 metros operacionais disponíveis. Com isso, a Portonave retoma a atracação simultânea de dois navios, o que contribui para maior agilidade e produtividade nas operações portuárias. Desde janeiro de 2024, quando a obra começou, o terminal recebia apenas um navio por vez.
A liberação do novo trecho ocorreu no dia 18 de agosto, data em que os navios CMA CGM Thorium e Mercosul Suape operaram ao mesmo tempo. Ao final da obra, com todo o cais finalizado, a Portonave poderá receber até três navios de forma simultânea.
O cais renovado permite a atracação de navios de até 400 metros, porte da mais moderna geração de porta-contêineres, desde que seja realizada a adequação do canal de acesso e da bacia de evolução. A partir de agora, as embarcações podem ser atendidas simultaneamente, sem a necessidade de aguardar a liberação de uma posição de atracação. O resultado é mais agilidade nas operações, maior eficiência no atendimento às escalas dos armadores e melhor aproveitamento da infraestrutura do terminal.
A entrega deste trecho reforça o encaminhamento final da Obra de Adequação do Cais, que até julho alcançou 92% de execução. A conclusão da etapa restante está prevista para o último trimestre de 2026. As melhorias também deixam o cais preparado para a execução de uma estrutura de shore power, sistema que permitirá o fornecimento de energia elétrica aos navios atracados, eliminando a queima de combustível durante a permanência no terminal.
Esse desempenho acompanha equipamentos mais potentes. A Obra de Adequação do Cais integra um plano voltado à eficiência e à sustentabilidade que, somado às novas máquinas, ultrapassa R$ 2 bilhões. Só em equipamentos, são cerca de R$ 500 milhões em unidades 100% elétricas, alinhadas à estratégia de descarbonização da companhia.
Ao final do plano, o terminal contará com 8 STS, 32 RTGs, 7 Reach Stackers, 61 Terminal Tractors e 4 scanners, todos 100% elétricos. Os investimentos em equipamentos se dividem da seguinte forma:
• dois guindastes de cais e-STS, responsáveis pela movimentação entre o navio e o cais, com investimento de R$ 229 milhões e previsão de chegada para este ano, sendo os primeiros desse porte no Brasil; • 14 guindastes de pátio e-RTG, responsáveis pela movimentação e empilhamento no pátio, com investimento de R$ 210 milhões, chegaram em julho de 2026 e estarão em operação a partir de agosto; • 30 Terminal Tractors elétricos e 6 Reach Stackers elétricas, que fazem transporte e movimentação de contêineres no pátio, com investimento de aproximadamente R$ 61 milhões e entrega gradual, com todas as máquinas em operação até janeiro de 2027; • dois scanners para inspeção de cargas e movimentação de contêineres, com investimento de R$ 25 milhões, em operação desde 2025.
Crescimento durante a obra
Mesmo com a obra em andamento, o terminal segue em ritmo de crescimento. Até o final de julho de 2026, a Portonave movimentou 750.571 TEUs, volume 21,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O desempenho reforça a capacidade da operação de manter a produtividade durante uma intervenção de grande porte na infraestrutura e antecipa os ganhos que a conclusão da obra deve trazer nos próximos meses.
Compensação ambiental na restinga de Navegantes
Como medida de compensação ambiental pela Obra de Adequação do Cais, a Portonave conduz um Plano de Recuperação de Área de Preservação Permanente Degradada (PRAD) na orla de Navegantes. A ação restaura cerca de 40 mil metros quadrados de restinga no bairro Meia Praia, com o plantio de mudas de espécies nativas do ecossistema e o controle de espécies exóticas invasoras. A execução é acompanhada pelo Instituto Ambiental de Navegantes (IAN) e pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA).
FUP Explica
A retomada da atracação simultânea de dois navios na Portonave é um marco operacional relevante para um dos principais terminais de contêineres do Sul do Brasil. Desde janeiro de 2024, a restrição a um navio por vez pressionava a capacidade de atendimento às escalas dos armadores, o que tende a gerar atrasos, reprogramações e custos adicionais para toda a cadeia. Com 700 metros operacionais disponíveis e a perspectiva de chegar a três navios simultâneos ao fim da obra, o terminal recupera e amplia sua capacidade de absorver demanda, num momento em que a movimentação cresce: os 750.571 TEUs registrados até julho de 2026 representam alta de 21,3% sobre o mesmo período do ano anterior.
No plano econômico, o investimento total que ultrapassa R$ 2 bilhões, sendo cerca de R$ 500 milhões só em equipamentos elétricos, sinaliza uma aposta de longo prazo na modernização da infraestrutura portuária catarinense. A chegada dos primeiros guindastes e-STS do porte previsto no Brasil, assim que concluída, pode reposicionar o terminal na disputa por escalas de navios de grande porte, desde que a adequação do canal de acesso e da bacia de evolução também avance. Esse ponto é uma condicionante importante: sem ela, a capacidade de receber embarcações de até 400 metros fica limitada na prática.
Do ponto de vista ambiental e regulatório, a combinação entre a estrutura de shore power (ainda por ser executada) e a frota 100% elétrica de equipamentos coloca a Portonave alinhada a exigências crescentes de descarbonização no setor marítimo. O PRAD na restinga de Navegantes, acompanhado por órgãos ambientais estaduais, indica que a obra cumpre condicionantes ambientais formais, o que reduz o risco de questionamentos que poderiam travar a conclusão do último trecho, prevista para o quarto trimestre de 2026.





