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Alckmin rejeita guerra tarifária com os EUA: “Todo mundo fica cego”
Comércio Exterior

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Alckmin rejeita guerra tarifária com os EUA: “Todo mundo fica cego”

18/08/2026·395 palavras
Vice-presidente Alckmin critica tarifa adicional de 12,5% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros como 'injusta e descabida', alertando contra escalada de retaliações comerciais.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) criticou nesta segunda-feira (17), as tarifas EUA Brasil e alertou contra uma escalada de retaliações comerciais entre os dois países. Em declaração ao JOTA, classificou a sobretaxa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros como "injusta e descabida" e resumiu sua posição com uma frase direta: "Olho por olho, o máximo que pode acontecer é todo mundo ficar cego."

A estrutura tarifária americana contra o Brasil opera em camadas. Uma tarifa de 25% entrou em vigor em 22 de julho de 2026, originada de investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Dois dias depois, em 24 de julho, o governo americano anunciou a sobretaxa adicional de 12,5%. Nos produtos em que as duas alíquotas se acumulam, a carga total chega a 37,5%.

A justificativa americana para a sobretaxa de 12,5% é a alegação de deficiências do Brasil no combate ao trabalho forçado. Alckmin contestou os argumentos do USTR: o vice-presidente afirmou que dados dos próprios Estados Unidos mostram que Washington acumulou superávit na balança comercial com o Brasil nos últimos 15 anos, o que, na avaliação do governo brasileiro, contradiz a base das tarifas.

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Negociação em curso e medidas de apoio

Apesar da entrada em vigor das medidas, Alckmin reiterou ao IstoÉ que o Brasil mantém negociações com os Estados Unidos. A postura do presidente, segundo ele, é não sair da mesa de negociação.

Em paralelo às tratativas diplomáticas, o governo federal autorizou a disponibilização de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para atenuar os efeitos das tarifas. Os recursos se destinam a capital de giro, compra de bens de capital e investimentos nos setores da indústria e do agronegócio mais expostos às novas barreiras. Alckmin também mencionou a ampliação dos mercados de destino das exportações brasileiras como parte da resposta do governo.

A preocupação de Alckmin com retaliações tem respaldo na análise da Veja, que aponta o risco de um ciclo de represálias: os EUA aumentam tarifas, o Brasil responde, Washington reage com novas medidas e as duas economias passam a negociar sob barreiras crescentes. O governo americano sinalizou que pode rever suas próprias medidas caso o Brasil adote retaliações.

Exportadores brasileiros de calçados, vestuário e produtos manufaturados acompanham o desenrolar das negociações com apreensão, segundo o Terra.

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A fala de Alckmin sinaliza que o governo, ao menos por ora, descarta a retaliação direta como instrumento de pressão, preferindo manter o canal diplomático aberto. Isso tem uma lógica: o Brasil é muito mais dependente do mercado americano do que o contrário, e uma escalada tarifária tenderia a prejudicar os exportadores brasileiros de forma desproporcional, especialmente em setores manufaturados com menor capacidade de redirecionar vendas rapidamente.

O pacote de R$ 18,5 bilhões em crédito mostra que o governo reconhece que as negociações podem demorar, e que os setores afetados precisam de fôlego financeiro enquanto isso. O problema é que crédito resolve fluxo de caixa, mas não substitui mercado. A estratégia de diversificação de destinos que Alckmin menciona é válida no médio prazo, mas exige tempo, logística e, muitas vezes, abertura de novos acordos comerciais, o que não acontece da noite para o dia.

No campo político, a postura moderada do governo tem um custo interno: setores exportadores e parte do Congresso podem pressionar por uma resposta mais dura, especialmente se as negociações não avançarem. O risco real é que o impasse se prolongue sem resolução, com as tarifas em vigor e sem retaliação formal brasileira, o que pode ser lido por Washington como sinal de que o Brasil aceita as condições, reduzindo o incentivo americano a ceder.

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