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Porto de Paranaguá prepara concessão de área para movimentar até 2,2 milhões de toneladas por ano
Processo de arrendamento portuário em porto brasileiro afeta infraestrutura de comex e pode impactar custos e disponibilidade de serviços portuários.
O arrendamento portuário da área PAR05 do Porto de Paranaguá entrou em fase decisiva nesta quinta-feira, 21 de agosto de 2026, com a realização de audiência pública conduzida pelos Portos do Paraná. O evento integra a etapa preparatória para a elaboração do edital de licitação e a finalização dos estudos técnicos que precedem o leilão da área, conforme informou o Portal Portuario.
A consulta pública esteve aberta entre 6 de julho e 21 de agosto de 2026, período em que interessados puderam apresentar sugestões para aperfeiçoar os documentos jurídicos e técnicos do edital, o contrato de concessão e a documentação técnica, segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. A sessão foi conduzida por Marcos Alfredo Bonoski, presidente da Comissão de Licitação de Áreas Portuárias (CLAP) e diretor administrativo e financeiro dos Portos do Paraná, com participação da superintendente de Governança Bruna Pereira Veiga Nicolau, do superintendente de Projetos Portuários da Infra S.A. Fernando Corrêa dos Santos e do coordenador de projetos portuários Thilo Martin Zindel.
A área PAR05 ocupa 29.800 metros quadrados na Avenida Portuária, em frente ao Palácio Dom Pedro II, e está dividida em duas seções com finalidades distintas.
A primeira seção, com 15.400 m², receberá uma instalação de armazenagem de grãos com capacidade estática de 153.000 m³, equivalente a 115.000 toneladas. A capacidade dinâmica do sistema foi estimada em aproximadamente 2,2 milhões de toneladas anuais. A segunda seção, com 14.390 m², abrigará um complexo de armazenagem de cereais para importação, composto por oito silos metálicos de 20 metros de altura e capacidade estática de 97.700 m³, o que corresponde a 78.200 toneladas.
A área atenderá operações de exportação de granéis sólidos como soja, milho e farinhas e pellets, além de importação de cereais como malte, cevada e trigo.
Condições do leilão e prazo do contrato
O critério principal do processo licitatório será o maior cânone de concessão, com lance mínimo de USD 0,19. O vencedor deverá executar investimentos de aproximadamente USD 111,8 milhões, com parte destinada à infraestrutura de uso comum do porto nos primeiros três anos do contrato. Uma segunda fonte consultada pelo Portal Portuario menciona valor de R$ 581 milhões, o que pode refletir diferença de conversão ou de escopo. O contrato de concessão terá duração de 35 anos.
O arrendamento da PAR05 se soma a uma série de leilões conduzidos pelos Portos do Paraná desde 2019. Nesse período, foram realizadas oito licitações de áreas arrendáveis, todas pela B3, mobilizando aproximadamente USD 963 milhões em investimentos. Os cânones de adjudicação desses contratos somaram cerca de USD 227,3 milhões, recursos reinvestidos em melhorias operacionais. O Porto de Paranaguá tornou-se, com isso, o primeiro porto do Brasil com 100% de suas áreas operadas pelo setor privado completamente regularizadas.
Contratos anteriores também contemplaram aportes diretos para infraestrutura comum: cerca de USD 231 milhões para a primeira etapa do Píer em T, aproximadamente USD 109,8 milhões para a primeira fase do Píer em F e cerca de USD 55,8 milhões para o Píer em L.
O processo da PAR05 se insere em uma agenda mais ampla de concessões portuárias do governo federal. Em janeiro de 2026, a Agência Brasil informou que o Ministério de Portos e Aeroportos havia anunciado 40 novos leilões para o ano, incluindo 18 portos, 21 aeroportos e uma hidrovia.
FUP Explica
O que está em curso em Paranaguá é um modelo que o governo federal vem replicando em outros portos: transferir a operação de áreas portuárias para o setor privado por meio de contratos longos, com obrigação de investimento como contrapartida. No caso da PAR05, o prazo de 35 anos e o volume estimado de até USD 111,8 milhões em aportes indicam uma aposta de longo prazo na infraestrutura de granéis do porto, que já responde por volumes expressivos de soja, milho e outros produtos do agronegócio brasileiro.
Para o setor de comércio exterior, o ponto mais relevante é a capacidade adicional que a área pode gerar: 2,2 milhões de toneladas anuais de movimentação dinâmica é um número relevante num porto que já opera no limite em períodos de safra. A inclusão de silos para importação de cereais como trigo e malte também amplia a versatilidade do terminal, o que tende a atrair mais operadores e potencialmente reduzir gargalos de armazenagem.
Do ponto de vista institucional, a audiência pública de hoje marca a transição da fase de consulta para a fase de elaboração final do edital. O processo ainda depende da conclusão dos estudos técnicos e da publicação do edital antes de chegar ao leilão propriamente dito, o que significa que há etapas a cumprir antes de qualquer mudança concreta na operação da área.




