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Fretes marítimos sobem 4% e rota Xangai–Nova York chega a US$ 9,5 mil
Marítimo

Imagem: Divulgação/Huna

Fretes marítimos sobem 4% e rota Xangai–Nova York chega a US$ 9,5 mil

21/08/2026·429 palavras
Elevação de tarifas de frete marítimo em rotas principais afeta custos de importação e exportação de produtos brasileiros.

O Drewry World Container Index (WCI) registrou alta de 4% na semana de 20 de agosto de 2026, alcançando US$ 4.526 por contêiner de 40 pés. O movimento foi liderado pela rota transpacífica, enquanto a Ásia-Europa seguiu na direção contrária.

Os fretes de Xangai para Nova York subiram 9%, chegando a US$ 9.507 por contêiner de 40 pés. No mesmo período, os embarques para Los Angeles avançaram também 9%, atingindo US$ 6.802 por contêiner de 40 pés, conforme apurado pelo Portal Portuario. A publicação atribui a alta à demanda firme na rota, combinada com a gestão de oferta pelas armadoras, que cancelaram saídas e reduziram capacidade disponível.

Os dados do Container Capacity Insight da Drewry, mostram que a capacidade na rota Ásia-Costa Leste dos EUA recuou 9% em relação ao mês anterior, enquanto a rota Ásia-Costa Oeste caiu 0,4% no mesmo intervalo. Para a semana seguinte, sete viagens foram canceladas nessa rota.

No corredor Ásia-Europa, o movimento foi oposto. Os fretes de Xangai para Gênova caíram 2%, chegando a US$ 4.955 por contêiner de 40 pés, e os embarques para Rotterdam recuaram 1%, situando-se em US$ 4.401 por contêiner de 40 pés. Duas viagens foram canceladas para a semana seguinte nessa rota.

Apesar da queda nos fretes, a congestão portuária permanece elevada. Na semana 33, os tempos médios de espera chegaram a 32,3 horas em Xangai e 25,0 horas em Rotterdam. Greves em portos alemães continuam impactando a confiabilidade dos itinerários, e a consultora recomenda que carregadores reservem espaço com antecipação e considerem folgas adicionais para reduzir o risco de atrasos e rolagem de carga.

Novos recargos e fatores geopolíticos pressionam o mercado

O Portal Portuario informa que vários armadores anunciaram recargos para as rotas Ásia-Costa Leste dos EUA e Ásia-Golfo dos EUA a partir de setembro, o que tende a exercer pressão adicional sobre os fretes nessas rotas.

Para a semana seguinte, o setor prevê estabilidade nas tarifas tanto na rota transpacífica quanto na Ásia-Europa. Em relatório de junho de 2026, a Power Trade Imports alertava que a volatilidade deveria permanecer elevada ao longo do segundo semestre do ano, com comportamento dependente principalmente da evolução dos conflitos geopolíticos, da demanda e da capacidade efetivamente disponibilizada pelos armadores.

A mesma publicação registrava que agentes de carga e operadores logísticos já reportavam cotações para embarques da Ásia para a América do Sul significativamente superiores às praticadas no primeiro trimestre, com fretes para contêineres de 40 pés se aproximando ou ultrapassando a faixa de US$ 8.000 a US$ 10.000, dependendo da origem, armador, disponibilidade de espaço e data de embarque.

FUP Explica

A alta de 4% no WCI, puxada por uma disparada de 9% nas rotas transpacíficas, sinaliza que o mercado de frete marítimo segue pressionado por uma combinação de fatores que não se resolve no curto prazo. Do lado da oferta, os armadores estão claramente administrando capacidade de forma ativa: cancelamentos de viagens e reduções de espaço disponível sustentam os preços mesmo quando a demanda não cresce de forma explosiva. Isso dá às companhias de navegação um poder de precificação considerável, e os recargos anunciados para setembro nas rotas para os EUA reforçam que essa postura deve continuar.

Para importadores brasileiros que compram da Ásia, o cenário é de custo elevado e previsibilidade baixa. A Power Trade Imports já registrava cotações próximas ou acima de US$ 8.000 por contêiner de 40 pés em rotas Ásia-América do Sul, bem acima dos patamares do início do ano, e a volatilidade geopolítica em torno do Estreito de Ormuz e do Mar Vermelho mantém aberta a possibilidade de novos choques. Quem não tiver contratos de longo prazo fechados fica exposto ao mercado spot, que é onde as altas têm sido mais intensas.

A congestão em Xangai e Rotterdam adiciona outra camada de risco operacional: mesmo que o frete seja contratado, atrasos no trânsito e rolagem de carga são riscos reais, o que eleva o custo efetivo da operação além do valor do frete em si. Para empresas com cadeias de suprimento dependentes de pontualidade, isso pode significar necessidade de estoques maiores ou revisão de prazos de entrega ao cliente final.

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