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Porto de Fortaleza prepara novo terminal para triplicar capacidade de contêineres
Novos acessos marítimos já foram homologados pela Marinha, enquanto projeto de R$ 450,8 milhões prevê estrutura com capacidade para movimentar até 360 mil TEUs por ano
O Porto de Fortaleza avança na modernização de seus acessos marítimos enquanto prepara um novo terminal de contêineres capaz de elevar para até 360 mil TEUs por ano a capacidade de movimentação do complexo. As mudanças incluem novas condições de navegação pelo canal Norte-Sul, a identificação de uma rota natural pelo canal Oeste e um projeto de arrendamento estimado em R$ 450,8 milhões, que busca reorganizar a operação e criar espaço para o crescimento das cargas conteinerizadas e refrigeradas.
Uma das principais mudanças ocorre no canal Norte-Sul, principal acesso ao porto. Segundo o IN News, estudos realizados pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia da Universidade de São Paulo (USP), contratada pela Companhia Docas do Ceará (CDC), indicaram que a largura do canal pode passar dos atuais 160 metros para até 222 metros. Os levantamentos também apontaram condições de profundidade que podem favorecer a operação de navios com maior calado.
Os estudos identificaram ainda um acesso natural pelo canal Oeste, que apresenta largura superior a 500 metros em determinados trechos e profundidade acima de 12 metros. As cartas náuticas com as novas condições de navegação foram homologadas pela Marinha do Brasil em setembro. Agora, a CDC conduz a licitação para comprar as boias destinadas à sinalização dos acessos, que devem ser instaladas nos próximos meses.
“São medidas que ampliam a segurança e a capacidade operacional, e abrem novas possibilidades para a movimentação de cargas no Porto de Fortaleza. É um avanço que marca um novo momento, especialmente para as operações de carga geral e contêineres”, afirmou o diretor-presidente da Companhia Docas do Ceará, Quintino Vieira.
O avanço nos acessos, no entanto, é apenas uma parte do projeto. Para que o Porto de Fortaleza possa receber, futuramente, navios com mais de 300 metros de comprimento, ainda serão necessárias obras de dragagem, adequação dos berços de atracação e expansão da bacia operacional. Os projetos estão em desenvolvimento, e os recursos necessários deverão ser articulados pela CDC junto ao governo federal.
Paralelamente, o porto prepara uma mudança na estrutura destinada aos contêineres. De acordo com a Transporte Moderno, o projeto MUC04 prevê reunir áreas hoje fragmentadas em um terminal contínuo. A publicação informa que a nova estrutura deverá ocupar aproximadamente 148 mil metros quadrados, ante cerca de 88 mil metros quadrados utilizados atualmente sob contrato de transição.
O novo terminal terá capacidade projetada de 360 mil TEUs por ano e infraestrutura direcionada também às cargas refrigeradas, especialmente frutas destinadas à exportação. Em 2025, o Porto de Fortaleza movimentou mais de 99 mil TEUs, equivalentes a quase 54 mil unidades de contêineres, segundo dados divulgados pelo IN News. Parte relevante desse fluxo está relacionada ao envio de frutas para o mercado europeu.
Com investimento estimado em R$ 450,8 milhões, o arrendamento terá duração prevista de 25 anos. Atualmente, a CMA Terminals realiza provisoriamente as operações de contêineres e carga geral no complexo, que também movimenta combustíveis e trigo e recebe navios de cruzeiro.
A modelagem do MUC04 recebeu aval do Tribunal de Contas da União (TCU) em setembro. A partir dessa etapa, o processo segue para os próximos procedimentos junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), entre eles a publicação do edital e a definição da data do leilão. O avanço do arrendamento, somado às mudanças nos acessos marítimos, deve definir o ritmo da próxima etapa de modernização do Porto de Fortaleza.
FUP Explica
O avanço simultâneo nas duas frentes, acessos marítimos e novo terminal, muda o perfil de risco do Porto de Fortaleza para operadores e embarcadores. A homologação das cartas náuticas pelo Centro de Hidrografia da Marinha é um passo concreto de segurança jurídica e operacional: ela não depende de obra, é imediata e já permite que armadores recalculem rotas e calados com base em dados oficiais. O canal Oeste, com mais de 500 metros de largura, abre uma alternativa real de acesso que pode reduzir congestionamento e aumentar a janela de manobra para navios maiores, mesmo antes de qualquer dragagem.
O leilão do MUC04, por sua vez, tende a atrair atenção do mercado de terminais por duas razões combinadas: a vocação quase exclusiva para frutas refrigeradas, que respondem por fatia expressiva do fluxo do porto, e o fato de ser o primeiro leilão de contêineres do ano no país. Quem vencer o arrendamento assume uma operação com demanda já consolidada e infraestrutura de reefer como diferencial competitivo. Para os exportadores de frutas do Nordeste, a formalização do terminal em área maior e com contrato de longo prazo tende a trazer mais previsibilidade de espaço e de tarifas do que a situação atual, que funciona sob contratos de transição.
O ponto de atenção é o que ainda falta para o porto dar o salto maior: dragagem, adequação dos berços e expansão da bacia operacional dependem de recursos federais que ainda precisam ser articulados pela CDC. Sem essas obras, navios acima de 300 metros seguem fora do alcance do complexo, o que limita o ganho de escala mesmo depois que o MUC04 estiver operando em plena capacidade.




