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Petróleo supera US$ 107 e atinge maior nível desde maio
Brent sobe 6,3% para US$ 107,63 em meio à escalada de guerra no Oriente Médio, atingindo maior nível desde maio com alta de 49% desde julho, impactando custos globais de energia e frete.
_Tomada da cidade portuária de Mokha aumenta preocupação com rotas de exportação do Oriente Médio; WTI também avança e fecha acima de US$ 102_
O petróleo Brent fechou em alta de 6,3%, a US$ 107,63 por barril, no pregão desta quinta-feira (10), impulsionado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio e pelas preocupações com as rotas de exportação de petróleo da região. Durante a sessão, a cotação superou US$ 108 e alcançou o maior nível desde maio. O avanço ocorreu após militantes Houthis assumirem o controle de Mokha, cidade portuária na costa oeste do Iêmen que integra uma rota alternativa para o transporte de petróleo saudita.
Desde o início de julho, quando era negociado abaixo de US$ 72, o Brent acumula valorização de 49%. Em maio, o barril havia chegado a US$ 114. Além do avanço sobre Mokha, os Houthis intensificaram os ataques contra a infraestrutura de energia da Arábia Saudita e ameaçaram atingir navios sauditas.
O WTI, referência do mercado norte-americano, avançou 6,7% e encerrou o pregão a US$ 102,48 por barril, maior valor em três meses. O avanço dos Houthis em direção ao Estreito de Bab al-Mandeb acrescentou uma ameaça às rotas de exportação da região. Com restrições já afetando o Estreito de Ormuz, problemas simultâneos nas duas passagens poderiam dificultar ainda mais o escoamento de petróleo e derivados do Oriente Médio.
O Estreito de Bab al-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra uma rota de escoamento alternativa à passagem pelo Estreito de Ormuz, localizado do outro lado da Península Arábica. Os estoques de petróleo dos Estados Unidos também recuaram 391 mil barris, abaixo da queda de 1,4 milhão de barris projetada por analistas, enquanto a produção diária norte-americana subiu para 13,9 milhões de barris.
O veículo também reproduziu informação do Wall Street Journal de que o Irã retomou a produção de mísseis balísticos com componentes estocados e atividades em instalações subterrâneas.
No Brasil, a valorização do petróleo repercutiu nos mercados financeiros. O Ibovespa recuou em meio à alta do Brent e às incertezas econômicas, enquanto os juros futuros atingiram novas máximas. O DI para janeiro de 2029 chegou a 13,965%, ante 13,860% no ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2031 alcançou 14,220%, ante 14,091%.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduziu sua previsão para a demanda, enquanto as tensões geopolíticas continuaram exercendo pressão sobre as cotações da commodity.
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor (PPI) avançou 0,4% em agosto, depois de alta revisada de 0,1% em julho, segundo o Money Times.
Os efeitos da valorização do petróleo podem chegar a outros segmentos da economia. Conforme relatou a BBC News Brasil, governos de diferentes países alertam para possíveis aumentos nas contas de energia, nos preços dos alimentos e nas tarifas aéreas em decorrência do conflito. Além dos combustíveis, o petróleo é utilizado na fabricação de plásticos, embalagens, produtos químicos e fertilizantes, enquanto a elevação dos preços dos combustíveis também aumenta os custos do transporte de cargas.
FUP Explica
O fechamento do Brent acima de US$ 107 com alta de 49% em menos de três meses é um sinal de que o mercado está precificando um risco de interrupção real no fornecimento, não apenas tensão diplomática. Com dois estreitos críticos, Ormuz e Bab al-Mandeb, sob ameaça simultânea, qualquer deterioração adicional pode reduzir fisicamente o volume de petróleo que chega ao mercado, o que tende a sustentar os preços elevados mesmo que a demanda não cresça.
No Brasil, o efeito chega por dois caminhos ao mesmo tempo. O primeiro é direto: combustíveis mais caros pressionam a inflação, e o mercado já reagiu elevando as expectativas para os juros futuros, o que encarece crédito e investimento. O segundo é indireto: como o petróleo é insumo de plásticos, embalagens, fertilizantes e combustível de aviação, a alta se espalha por cadeias produtivas inteiras e chega ao consumidor final em forma de preço de alimento, passagem aérea e produto industrializado.
Para o governo, o cenário é incômodo. Pressão inflacionária num momento em que os juros já estão em patamar elevado reduz o espaço para qualquer afrouxamento monetário e pode complicar o quadro fiscal se houver demanda por subsídio a combustível. A trajetória depende agora de quanto o conflito avança: se os houthis consolidarem o controle sobre Mokha e ameaçarem de fato o tráfego em Bab al-Mandeb, o mercado tende a precificar um prêmio de risco ainda maior sobre o barril.




