FUP News
Diesel ultrapassa US$ 6 pela primeira vez nos EUA e ameaça encarecer toda a cadeia de suprimentos
Mercados

Imagem gerada por IA

Diesel ultrapassa US$ 6 pela primeira vez nos EUA e ameaça encarecer toda a cadeia de suprimentos

11/09/2026·710 palavras
Diesel nos EUA atinge recorde histórico de US$ 6 por galão devido à redução de oferta de petróleo causada pela escalada de conflito no Oriente Médio, impactando custos de frete global.

O preço médio do diesel nos Estados Unidos superou US$ 6 por galão pela primeira vez na história nesta quinta-feira (10), em meio à pressão sobre a oferta internacional de petróleo provocada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e pelos ataques ucranianos a refinarias russas. Segundo dados da GasBuddy, plataforma especializada no monitoramento de preços de combustíveis, a alta encarece o transporte de cargas e aumenta a pressão inflacionária sobre a cadeia de abastecimento americana.

Patrick De Haan, analista da GasBuddy, afirmou que "cada caminhão, cada entrega, cada pacote, cada ida ao supermercado ficou mais caro". Segundo ele, os preços recordes do diesel "provavelmente reacenderão a inflação em toda a cadeia de suprimentos", já que o combustível é utilizado em caminhões, trens, navios e equipamentos pesados empregados no transporte de mercadorias e na produção agrícola.

Três dias antes do recorde do diesel, a gasolina também havia atingido uma marca histórica. No Labor Day, celebrado em 7 de setembro, o preço médio nacional da gasolina comum sem chumbo chegou a US$ 4,15 por galão, de acordo com a AAA, associação americana de motoristas.

Foi a primeira vez que o combustível ultrapassou US$ 4 nessa data, superando os US$ 3,82 registrados em 3 de setembro de 2012. Naquele mesmo dia, o diesel custava, em média, US$ 5,90 por galão.

Um dos principais fatores de pressão sobre os combustíveis é o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, adotado como retaliação no contexto do conflito. Cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás passa pela rota marítima, segundo a Agência Brasil. A interrupção do tráfego de petroleiros pela região reduziu a disponibilidade de petróleo no mercado internacional e contribuiu para a elevação das cotações.

A pressão também aparece no mercado futuro. Em 10 de setembro, o petróleo Brent fechou cotado a US$ 107,63 por barril, enquanto os futuros do West Texas Intermediate (WTI) chegaram a US$ 102,48, maior nível desde meados de maio. Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, o WTI era negociado em torno de US$ 67 por barril e o Brent, próximo de US$ 72.

Os ataques da Ucrânia a refinarias russas acrescentam pressão ao mercado energético ao afetarem a capacidade de processamento de um dos maiores produtores de petróleo do mundo. A combinação das interrupções relacionadas à Rússia e ao Oriente Médio restringe a oferta em um momento de preços elevados dos combustíveis nos Estados Unidos.

O avanço do diesel tem impacto que vai além dos postos de combustíveis. Como o produto é utilizado no transporte rodoviário e em diferentes atividades logísticas e agrícolas, aumentos persistentes podem elevar os custos de movimentação e produção de mercadorias, com possibilidade de repasse aos consumidores.

A inflação americana estava em 3,4% na comparação anual, segundo o índice de preços ao consumidor divulgado em agosto de 2026, conforme noticiou o Jornal de Negócios. A permanência dos combustíveis em patamares elevados acrescenta uma nova fonte de pressão sobre os preços.

A alta ocorre a menos de dois meses das eleições de meio de mandato de novembro de 2026, quando estarão em disputa cadeiras do Congresso dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump intensificou as críticas a refinarias e varejistas de combustíveis, acusando as empresas de lucrar com os preços elevados, segundo o Terra.

Os preços dos combustíveis passaram, assim, a integrar o debate político e econômico americano durante a campanha eleitoral, em um cenário de inflação acima dos níveis observados antes da escalada do conflito no Oriente Médio.

Alta do petróleo também afeta diesel no Brasil

Os efeitos da valorização internacional do petróleo também chegaram ao Brasil. A Petrobras anunciou, em 13 de março de 2026, aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel A vendido às distribuidoras, elevando o valor médio para R$ 3,65 por litro a partir do dia seguinte. A companhia atribuiu o reajuste à alta das cotações internacionais do petróleo provocada pela guerra.

Em resposta, o governo federal zerou as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre o diesel, medida que representou redução estimada de R$ 0,32 por litro, segundo cálculos do Ministério da Fazenda. Uma Medida Provisória também autorizou subvenção econômica de até R$ 0,32 por litro para importadores e produtores, levando o alívio potencial a R$ 0,64 por litro.

FUP Explica

O recorde do diesel nos EUA não é só um número simbólico: ele chega num momento em que a economia americana ainda digere inflação persistente, e o combustível é o insumo que atravessa literalmente toda a cadeia produtiva. Quando o diesel encarece, o custo sobe para quem transporta alimentos, manufaturados, insumos agrícolas e encomendas, e esse custo acaba repassado ao consumidor final. O analista da GasBuddy já avisou que a inflação na cadeia de suprimentos tende a se reacender, o que coloca o Federal Reserve numa posição desconfortável: cortar juros num ambiente de pressão inflacionária renovada é arriscado, mas mantê-los altos pesa sobre o crescimento.

Politicamente, o timing é péssimo para Trump. Com eleições de meio de mandato em novembro de 2026, preço de combustível é o termômetro mais imediato que o eleitor sente no cotidiano, e a promessa de energia barata virou passivo. A estratégia de pressionar refinarias e varejistas pode gerar barulho, mas dificilmente resolve o problema estrutural, que está no lado da oferta, não da margem do varejo.

Para o Brasil, o canal de transmissão é direto: petróleo mais caro no mercado internacional significa pressão sobre a política de preços da Petrobras, como já ocorreu em março de 2026. O governo respondeu com isenção de PIS/Cofins e subvenção via MP, mas essas medidas têm custo fiscal e prazo limitado. Se o conflito no Oriente Médio se prolongar e o Brent se mantiver acima de US$ 100, a pressão sobre o diesel brasileiro tende a voltar, com impacto direto no frete rodoviário e, por consequência, nos preços de alimentos e bens industriais no varejo.

Compartilhar:WhatsAppX (Twitter)LinkedIn

Leia também