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Petróleo sobe mais de 6% após ataque norte-americano contra o Irã
Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira (31), após forças americanas atacarem duas plataformas de lançamento de foguetes iranianas na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz. A ofensiva ocorreu no domingo, 30, e aumentou as preocupações com novas interrupções no fornecimento da commodity em uma das principais rotas energéticas do mundo. O Brent para dezembro avançou 6,21%, para US$ 91,47 por barril, enquanto o WTI para outubro subiu 3,84%, a US$ 86,60, segundo o Exame.
O ataque foi o primeiro reconhecido publicamente pelos Estados Unidos contra posições iranianas desde o fim de julho. De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) preparavam foguetes equipados com minas marítimas para lançamento no estreito, situação classificada por Washington como uma ameaça iminente à navegação comercial.
Em resposta à ofensiva americana, a IRGC afirmou ter lançado mísseis e drones contra as bases americanas de Al Azraq e Rei Hussein, na Jordânia. O governo jordaniano informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram oito mísseis que entraram no espaço aéreo do país, sem registro de danos ou vítimas.
O Irã também declarou ter realizado ataques com drones contra uma base americana nos Emirados Árabes Unidos, mas a informação não teve confirmação independente.
Em meio à escalada, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta segunda-feira que o país não pretende iniciar uma guerra, mas responderá a ataques contra seu território. Segundo ele, o Irã não permanecerá passivo diante de "agressões".
A intensificação dos confrontos ocorre em um momento de forte restrição à navegação pelo Estreito de Ormuz. Dados de tráfego marítimo indicam que apenas cinco navios de commodities por dia atravessaram a passagem durante o fim de semana, sinalizando que operadores estão evitando a região diante do risco de novos ataques.
No sábado, 29 de agosto, a agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que um petroleiro foi atingido por um projétil enquanto entrava no estreito.
A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ocupa posição estratégica no comércio internacional de energia. Antes do início do conflito, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás consumidos no mundo transitava pela região.
Os Estados Unidos afirmaram ter concluído, na semana anterior, a retirada de minas de uma rota internacional de navegação. Ainda assim, o tráfego permanece sob pressão, enquanto Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos e os dois países se acusam mutuamente de violar um acordo firmado em junho para reabrir a passagem.
Risco de interrupção no fornecimento sustenta alta do petróleo
A possibilidade de novos impactos sobre o abastecimento de petróleo passou a concentrar as atenções do mercado. O analista do UBS Giovanni Staunovo atribuiu a valorização aos "novos ataques militares no Oriente Médio e preocupações com novas interrupções no fornecimento de petróleo". Segundo ele, os investidores agora acompanham a possibilidade de uma redução das tensões.
Ole Hansen, do Saxo Bank, avaliou que a menor liquidez do mercado também contribuiu para intensificar a reação dos preços, uma vez que o Reino Unido estava em feriado.
Além dos riscos relacionados ao transporte, ataques a refinarias no Oriente Médio e na Rússia aumentaram as restrições à capacidade de processamento, segundo o Goldman Sachs, levando as margens dos produtos refinados a novos recordes.
Tamas Varga, da PVM Oil Associates, avaliou que o "risco de abastecimento persistirá e os estoques de petróleo continuarão a diminuir nas próximas semanas e meses". Para o analista, "a crise iraniana provavelmente alterou o status quo de segurança no Oriente Médio".
Trump ameaça principal terminal de petróleo do Irã
A tensão aumentou depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Em publicação na Truth Social no domingo, Trump afirmou que o local seria "explodido em pedacinhos".
A publicação incluía um vídeo gerado por inteligência artificial, mas não apresentava detalhes adicionais sobre uma eventual ação militar. O Irã negou que a ilha tenha sido atacada e afirmou que as operações petrolíferas continuavam normalmente.
Trump também declarou que o petróleo obtido em um acordo recente com a Venezuela será destinado à recomposição da Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos, que está próxima do menor nível em 44 anos. A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, manifestou apoio ao plano.
Enquanto isso, mediadores tentam retomar os esforços diplomáticos para reabrir o Estreito de Ormuz, mas as negociações permanecem paralisadas. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Washington provavelmente adotará novas sanções secundárias contra o Irã semanalmente.
Apesar da forte valorização registrada nesta segunda-feira, os contratos de Brent e WTI ainda caminham para encerrar agosto com perdas moderadas, após uma queda superior a 4% na semana anterior.
FUP Explica
A alta de 6% no Brent num único pregão, com o barril ultrapassando US$ 91, é o tipo de movimento que não fica confinado às telas das mesas de operação de energia. Com o Estreito de Ormuz operando com apenas cinco navios de commodities por dia no fim de semana, o gargalo físico já está acontecendo, e não é só especulação de mercado. Quando o fluxo de petróleo e gás por ali, que antes do conflito representava cerca de um quinto do consumo mundial, fica comprimido, a pressão se espalha por toda a cadeia: frete marítimo, seguros de casco e P&I, custo de energia para indústria e transporte.
O impasse diplomático torna o cenário mais instável do que os preços atuais já sugerem. As negociações estão paralisadas, os dois lados se acusam de violar o acordo de junho, e o secretário do Tesouro americano sinalizou sanções secundárias semanais contra o Irã, o que tende a apertar ainda mais o acesso iraniano ao sistema financeiro internacional e a reduzir o volume de petróleo iraniano disponível no mercado. Ao mesmo tempo, a ameaça de Trump à ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, abre a possibilidade de um choque de oferta ainda mais severo caso se concretize.
Para o Brasil, o efeito chega por duas vias principais: o custo de importação de derivados e insumos petroquímicos, que sobe junto com o Brent, e a pressão cambial indireta, já que choques de energia tendem a fortalecer o dólar frente a moedas de economias emergentes. Exportadores brasileiros que dependem de frete marítimo também sentem o reflexo, porque o encarecimento do bunker e o aumento dos prêmios de seguro para rotas próximas ao Golfo Pérsico elevam o custo operacional das armadoras, que repassam via surcharges.




