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Dois superpetroleiros com petróleo saudita são atingidos em nova escalada em Ormuz
Dois superpetroleiros carregados com petróleo saudita foram atingidos por projéteis na noite de segunda-feira (31), com poucos minutos de diferença, enquanto deixavam o estreito de Ormuz, próximo à costa de Omã. Os navios Sidr e Senegal Prosperity transportavam cerca de 2 milhões de barris de petróleo cada um. A autoria dos ataques ainda não foi identificada e está sob investigação. Não houve registro de vítimas, e a UKMTO não relatou danos ambientais no incidente acompanhado pela agência.
O primeiro ataque atingiu o Sidr, superpetroleiro de bandeira saudita, por volta das 19h52 UTC, a aproximadamente 16,6 milhas náuticas a nordeste de Khasab, em Omã, segundo a empresa de inteligência marítima Marisks. Minutos depois, o Senegal Prosperity, de bandeira liberiana, teria sido atingido por três projéteis a cerca de 17 milhas náuticas a leste da mesma cidade. A tripulação do segundo navio foi declarada em segurança.
Os dois petroleiros haviam carregado aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo saudita cada um no terminal de Juaymah, na semana passada, segundo dados da Kpler. A Marisks classificou os episódios quase simultâneos como uma nova elevação do nível de ameaça no corredor marítimo de Omã.
A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) confirmou que um navio foi atingido por três projéteis enquanto deixava o estreito de Ormuz, na mesma região do ataque registrado contra o Senegal Prosperity. Até o momento, não há confirmação sobre quem lançou os projéteis.
EUA lançam novos ataques contra o Irã no estreito de Ormuz
Os incidentes com os petroleiros ocorreram poucas horas antes de os Estados Unidos iniciarem, nesta terça-feira (1º), uma nova rodada de ataques aéreos contra alvos iranianos. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que as forças norte-americanas atacaram posições do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) em resposta ao que classificou como recentes tentativas de ofensivas contra navios mercantes no estreito de Ormuz e contra militares dos EUA posicionados na região.
Durante a ofensiva, a televisão estatal iraniana noticiou explosões na ilha de Qeshm, localizada no lado norte do estreito de Ormuz. Também houve relatos de explosões em Bandar Abbas, Chabahar e Konarak, no sul e sudeste do Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os ataques e afirmou que a operação foi motivada por uma suposta tentativa iraniana de instalar minas marítimas no estreito de Ormuz e pelo lançamento de oito mísseis contra uma base militar norte-americana na Jordânia. Segundo Trump, os mísseis foram interceptados.
Trump descreveu a ofensiva como "grande e poderosa" e ameaçou intensificar os ataques caso Teerã volte a retaliar. O presidente norte-americano afirmou que uma nova resposta militar seria "muito mais forte".
Irã havia retaliado ataques anteriores dos EUA
As fontes consultadas ainda não registram uma retaliação iraniana específica aos novos bombardeios realizados pelos Estados Unidos nesta terça-feira. Teerã, porém, havia respondido à rodada anterior de ataques norte-americanos.
No domingo, forças dos EUA atacaram a ilha iraniana de Larak, também localizada no estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra bases militares norte-americanas na Jordânia. Outra fonte relata ações iranianas contra instalações dos EUA nos Emirados Árabes Unidos.
A tensão também passou a afetar o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que, se o Irã for impedido de exportar petróleo pela região, outros países também não poderão fazê-lo. Ele acrescentou que Teerã poderá responder militarmente caso Washington intensifique a pressão.
Os novos episódios aumentam a insegurança justamente no estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo. Antes da atual escalada militar, cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo passava pela região. As restrições impostas ao tráfego marítimo reduziram as exportações de energia do Golfo, enquanto tentativas de mediação conduzidas por países como Catar e Omã ainda não resultaram em um acordo para normalizar a navegação.
FUP Explica
O que está acontecendo no estreito de Ormuz é uma escalada militar com consequências diretas para o mercado de petróleo. Cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo passa por ali, e qualquer restrição ao tráfego marítimo se traduz imediatamente em pressão sobre preços e em incerteza para compradores e vendedores de energia no mundo inteiro. O ataque a dois superpetroleiros carregados com petróleo saudita, seguido de bombardeios norte-americanos contra posições iranianas, eleva o risco de seguro e de navegação na rota, o que tende a encarecer o frete e a reduzir a oferta disponível nos mercados importadores.
No plano político, a situação coloca os EUA em confronto direto com o Irã, com Trump sinalizando disposição para intensificar a pressão militar. A ameaça do presidente do Parlamento iraniano de bloquear as exportações de petróleo de outros países caso o Irã seja impedido de exportar pela região é o cenário mais grave possível: significaria uma paralisação ampla do fluxo de energia do Golfo Pérsico, com impacto imediato sobre países que dependem dessas importações. As tentativas de mediação de Catar e Omã ainda não produziram resultado, o que deixa a situação sem saída diplomática clara no curto prazo.
Para o Brasil, que importa petróleo e derivados e exporta commodities agrícolas cujo custo de produção e transporte é sensível ao preço do petróleo, uma alta sustentada nos preços da commodity pressiona tanto a balança de pagamentos quanto os custos internos. O risco, por ora, é de prolongamento da instabilidade, não de resolução rápida.




