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Joesley Batista se reuniu com Trump antes de redução de tarifa sobre carne
O bilionário brasileiro Joesley Batista, um dos proprietários da JBS, reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 20 de agosto de 2026, para defender a redução das tarifas americanas sobre a carne bovina brasileira. Segundo o Wall Street Journal (WSJ), citado pela Reuters, Batista argumentou que o aumento da oferta do produto brasileiro poderia ajudar a conter os preços nos Estados Unidos caso Trump eliminasse a alíquota de 26% incidente sobre as importações. A Reuters informou que não conseguiu verificar de forma independente o relato do jornal.
Um dia após o encontro relatado pelo WSJ, em 21 de agosto, Trump anunciou uma redução temporária nas tarifas sobre a carne bovina. O presidente afirmou que as importações de carne moída seriam comercializadas a preços 25% inferiores aos então praticados no mercado americano.
A proximidade entre os dois episódios foi relatada pela Reuters com base na apuração do WSJ, que ouviu pessoas familiarizadas com o assunto. As informações disponíveis, porém, não estabelecem relação direta entre a reunião de Batista e a decisão anunciada por Trump.
A iniciativa da JBS ocorreu em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em julho de 2026, o governo americano impôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais injustas.
Poucos dias depois, os Estados Unidos estabeleceram uma alíquota adicional de 12,5% sobre importações brasileiras, como parte de uma medida direcionada a dezenas de países e relacionada a acusações de aplicação insuficiente de leis contra o trabalho forçado.
Brasil e EUA retomam diálogo sem avanços
Brasil e Estados Unidos retomaram, nesta segunda-feira (31), as discussões sobre as medidas tarifárias, mas a reunião virtual terminou sem avanços nas negociações.
Participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro da Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, pelo Brasil, além do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Segundo comunicado do Ministério da Indústria e Comércio, os dois países concordaram em realizar novos encontros ministeriais para acompanhar as reuniões técnicas previstas para as semanas seguintes.
“Foi uma reunião para retomar o diálogo. Obviamente, não avançamos em nenhum dos pontos de negociação”, afirmou Rosa a jornalistas.
Autoridades brasileiras também reiteraram ao representante americano a discordância em relação às medidas adotadas pelos Estados Unidos, que consideram incompatíveis com as regras multilaterais de comércio.
A reunião de 31 de agosto ocorreu após uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump no início do mesmo mês, quando os dois líderes discutiram as tarifas. As tratativas entre os governos acontecem paralelamente a iniciativas do setor privado, como a reunião de Batista relatada pelo WSJ.
As negociações também ocorrem em meio a perturbações nas rotas marítimas internacionais. Desde fevereiro de 2026, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desencadearem um conflito regional, o Estreito de Ormuz registra forte redução do tráfego comercial, com impactos sobre cadeias de abastecimento em diferentes regiões.
FUP Explica
O que chama atenção nessa história é a velocidade entre o lobby e o anúncio: Joesley Batista se reúne com Trump numa quarta-feira, e na quinta o presidente americano já anuncia alívio nas tarifas de carne bovina. Mesmo que a Reuters não tenha conseguido confirmar o relato do WSJ de forma independente, a sequência cria uma narrativa politicamente delicada para o Brasil, porque coloca uma empresa privada brasileira operando num canal direto com a Casa Branca enquanto o governo federal ainda tenta abrir uma mesa de negociação formal.
Do ponto de vista comercial, a distinção importa: a redução anunciada por Trump é temporária e focada em carne moída, não é uma revisão das alíquotas de 25% e 12,5% que pesam sobre o conjunto das exportações brasileiras. Ou seja, a JBS pode ter obtido uma abertura pontual para seu produto, mas o problema tarifário mais amplo que afeta o Brasil segue sem solução. A reunião de 31 de agosto confirmou isso: nenhum avanço nos pontos de negociação, com a próxima rodada ainda sem data definida.
Há também uma dimensão institucional a observar. O Brasil sustenta que as tarifas americanas violam regras multilaterais de comércio, o que abre espaço para questionamento na OMC. Mas levar esse caminho adiante enquanto negocia bilateralmente e enquanto uma empresa brasileira faz lobby direto em Washington cria tensões de coerência na posição do governo. A médio prazo, o desfecho depende de quanto Trump está disposto a ceder em troca de quê, e a carne bovina parece ser um dos poucos produtos em que o interesse americano em baixar preços internos pode coincidir com o interesse brasileiro em exportar mais.




