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Porto de Aqaba vira alternativa a Ormuz e vê cargas em trânsito dispararem 155%
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Porto de Aqaba vira alternativa a Ormuz e vê cargas em trânsito dispararem 155%

01/09/2026·566 palavras

O Porto de Aqaba, na Jordânia, registrou crescimento de 155,1% no volume de cargas em trânsito no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Reuters. O aumento ocorreu em meio ao redirecionamento de rotas comerciais provocado pela forte redução do tráfego no Estreito de Ormuz após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro.

Com a forte redução do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, operadores buscaram rotas alternativas, e o Aqaba Container Terminal (ACT) passou a receber parte desses fluxos. Angshuman Mustafi, diretor comercial do terminal, afirmou à Reuters que a movimentação de contêineres cresceu aproximadamente 5%, impulsionada principalmente pelo comércio com o Levante e o Iraque.

A alta de 155,1% refere-se ao volume total de cargas em trânsito, categoria que inclui mercadorias que passam pelo porto sem ter a Jordânia como destino final. Nos dois primeiros meses de 2026, antes da intensificação das restrições em Ormuz, o terminal registrava crescimento de 15,1% no número de contêineres em relação ao mesmo período de 2025, com 82.659 unidades movimentadas, ante 71.822, segundo o Logistics Middle East.

Aqaba se torna alternativa para cargas destinadas ao Iraque

Um dos fatores por trás do aumento é o redirecionamento de cargas destinadas ao Iraque. Historicamente, o país recebe bens de consumo pelo porto de Basra, no sul do Golfo Pérsico, mas o tráfego na região caiu acentuadamente diante das restrições em Ormuz. Como alternativa, contêineres passaram a ser desembarcados em Aqaba e transportados por caminhão até o Iraque, em um percurso terrestre de aproximadamente 760 quilômetros.

A mudança também alterou a rotina de motoristas que atuam na região. Moussa Abu Abdeh, caminhoneiro ouvido pela Reuters, afirmou que, antes das restrições em Ormuz, recebia uma ou duas solicitações de transporte por mês. Agora, segundo ele, são três, quatro ou cinco pedidos mensais.

Além dos bens de consumo, cerca de 100 mil toneladas de óleo combustível por mês são transportadas por caminhão até Aqaba, com parte do volume comercializada pelo Grupo Rania, do Iraque, segundo reportagem de O Globo publicada em julho de 2026.

Iraque e Jordânia discutem oleoduto entre Basra e Aqaba

Em meio às mudanças nas rotas comerciais, Iraque e Jordânia também retomaram discussões sobre um oleoduto entre Basra e Aqaba, que permitiria a Bagdá exportar petróleo bruto por uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz.

O projeto foi acordado originalmente em 2013, com custo estimado de US$ 18 bilhões e conclusão prevista para 2017, mas enfrentou sucessivos adiamentos após a expansão do Estado Islâmico em 2014 e a pandemia de Covid-19, segundo o The National. A versão mais recente prevê uma rede dividida em duas seções, incluindo um trecho de 700 quilômetros a partir do campo de Rumaila, próximo a Basra.

A Jordânia também integra o Arab Gas Pipeline, rede de aproximadamente 1.200 quilômetros que conecta Egito, Jordânia, Síria e Líbano. Em 2026, a Síria assinou um acordo para importar da Jordânia cerca de quatro milhões de metros cúbicos de gás por dia, transportados pelo oleoduto para geração de energia em Damasco.

Operadores querem consolidar Aqaba como rota permanente

Operadores portuários buscam consolidar o crescimento e manter Aqaba nas rotas comerciais mesmo após a normalização do tráfego regional. Mashhoor Al Jazy, porta-voz da Jordan Shipping Association, afirmou que o objetivo é estabelecer o porto como uma alternativa permanente, e não apenas temporária, aproveitando sua localização estratégica.

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O caso de Aqaba ilustra um padrão que se repete sempre que um grande corredor logístico é bloqueado: a crise não redistribui só o tráfego marítimo, ela redistribui toda a cadeia que depende daquele corredor. Porto, caminhão, armazém, aduana, posto de fronteira e centro de distribuição, tudo isso ganha ou perde junto. O crescimento de 155% em trânsito não é só número de terminal, é sinal de que um corredor multimodal inteiro foi ativado às pressas entre o Mar Vermelho e o interior do Iraque.

Do ponto de vista econômico, o Iraque é o caso mais concreto: um país que importava bens de consumo pelo Golfo passou a depender de uma rota terrestre 760 quilômetros mais longa, o que eleva custo de frete, prazo de entrega e complexidade logística. Para os jordanianos, o efeito é o oposto: geração de renda para motoristas, operadores portuários e prestadores de serviço ao longo da rota. A pergunta que fica é se essa demanda se sustenta depois que Ormuz voltar a operar normalmente, e a resposta depende muito de quanto tempo a crise durar. Quanto mais tempo o desvio funcionar, mais difícil fica para os embarcadores voltarem ao padrão anterior sem reavaliar custo e risco.

No médio prazo, o projeto do oleoduto Basra-Aqaba é o desdobramento mais relevante a acompanhar. Se sair do papel, ele muda estruturalmente a capacidade do Iraque de exportar petróleo sem depender do Estreito de Ormuz, o que tem implicações para o mercado de energia e para a própria relevância de Aqaba como hub regional. Por ora, o projeto carrega um histórico longo de atrasos, e as fontes consultadas não confirmam prazo para retomada efetiva das obras.

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