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OMI cobra ação urgente após sexto sequestro de navio no Golfo de Adém
Marítimo

OMI cobra ação urgente após sexto sequestro de navio no Golfo de Adém

24/08/2026·348 palavras
A Organização Marítima Internacional (OMI) exorta medidas urgentes contra o recrudescimento da pirataria no Golfo de Adém, afetando rotas críticas de navegação e frete internacional para o comércio exterior brasileiro.

A Organização Marítima Internacional (OMI) exigiu, nesta segunda-feira (24), a liberação imediata e incondicional dos mais de 90 tripulantes mantidos em cativeiro após o sequestro do navio Seamull, ocorrido em 20 de agosto. O caso representa o sexto sequestro de embarcação por piratas e assaltantes armados na região, segundo declaração do secretário-geral da organização, Arsenio Domínguez, ao Portal Portuario.

Domínguez descreveu as águas do Golfo de Adém como "demasiado perigosas para a gente de mar" e alertou que os marinos em cativeiro enfrentam "incertidumbre e ameaça constantes, a menudo com acceso limitado a alimentos adecuados, agua potable, asistencia médica y otros servicios esenciales".

O secretário-geral ressaltou que "o agravamento da situação de proteção marítima na região exige atenção urgente", mesmo com a atenção internacional concentrada em outras zonas de maior tensão. Domínguez afirmou ainda que "nenhuma gente de mar deveria sofrer violência, intimidação ou exploração pelo mero fato de desempenhar seu trabalho e manter em marcha o comércio mundial".

A OMI convocou Estados de bandeira e Estados ribeirinhos a garantir que navios sob sua jurisdição estejam devidamente preparados para gerir riscos de proteção e que tripulações não fiquem expostas a perigos evitáveis. A organização citou, entre as medidas esperadas, a implementação de melhores práticas de gestão de segurança marítima e o cumprimento de diretrizes como a MSC.1/Circ.1601/Rev.2.

Histórico da região e resposta institucional

O Golfo de Adém consolidou-se como foco principal da pirataria marítima após 2005, tornando-se rota crítica para o comércio mundial, conforme registra o Portal de Periódicos da Marinha. A região permanece vulnerável a ataques que afetam diretamente as cadeias de abastecimento internacional.

Para enfrentar o problema, a OMI informou que continuará apoiando esforços regionais liderados por Estados ribeirinhos por meio de iniciativas como o Código de Conduta de Djibuti e sua Emenda de Jeddah. A organização reafirmou, que "a cooperação naval internacional sustentada continua sendo essencial para proteger a frota mercante e a gente de mar que a integra".

Domínguez encerrou sua declaração com um apelo direto à comunidade internacional: "já enfrentou com sucesso essa ameaça em outras ocasiões, e deve voltar a fazê-lo".

FUP Explica

O sequestro do Seamull e a reação da OMI revelam que a pirataria no Golfo de Adém voltou a escalar num momento em que a atenção diplomática e militar internacional está dispersa em outras frentes. Seis sequestros de embarcações na região é um número que sinaliza deterioração real das condições de segurança, não um episódio isolado, e isso tende a pressionar armadores e operadores de carga a reavaliar rotas e custos de seguro marítimo para passagens pelo corredor.

No plano institucional, o apelo de Domínguez tem peso simbólico, mas a OMI não tem capacidade coercitiva própria: ela depende de que Estados de bandeira e ribeirinhos ajam. O histórico do Código de Conduta de Djibuti mostra que a cooperação regional funcionou em outros momentos, mas exige comprometimento político sustentado, que costuma enfraquecer quando a crise sai das manchetes. O fato de o secretário-geral precisar lembrar que a situação "exige atenção urgente" mesmo com o foco internacional em outras zonas indica exatamente esse risco de esvaziamento.

Para as tripulações, o quadro é o mais imediato e concreto: mais de 90 pessoas em condições descritas como de acesso limitado a alimentos, água e assistência médica. Isso coloca pressão sobre os Estados cujos cidadãos integram essas tripulações e sobre as empresas armadoras responsáveis pelos navios, que podem enfrentar tanto cobranças humanitárias quanto responsabilização jurídica dependendo das circunstâncias do sequestro.

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