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CMA CGM anuncia novas sobretaxas em várias rotas
Marítimo

Imagem: Divulgação/Huna

CMA CGM anuncia novas sobretaxas em várias rotas

24/08/2026·560 palavras
CMA CGM anuncia ajustes de sobretaxas e fretes em múltiplas rotas, incluindo Peak Season Surcharge para reefers e sobretaxas de congestionamento. Alteração de tarifas de frete marítimo com impacto direto em custos de importação/exportação; precedente editorial reforça relevância.

A CMA CGM anunciou ajustes de sobretaxas e fretes em diversas rotas internacionais, com vigência escalonada entre agosto e setembro de 2026, segundo o Container News. As medidas alcançam cargas refrigeradas com destino à África Ocidental, transporte inland na Europa e contêineres secos na rota Ásia-América do Sul, além de uma iniciativa de restauração de tarifas para o corredor Mediterrâneo-Canadá.

A partir de 1º de setembro de 2026, o armador passará a cobrar uma Sobretaxa de Temporada Alta (Peak Season Surcharge, PSS) de €100 por TEU em embarques de reefers com destino à África Ocidental. A cobrança recai sobre cargas originárias da Europa do Norte, Báltico, Escandinávia, Mediterrâneo Ocidental e Adriático.

Para o porto de Tema, em Gana, a CMA CGM introduz uma Sobretaxa de Congestionamento Portuário (Port Congestion Surcharge, PCS) motivada pela congestão no pátio de reefers da instalação. Os valores variam conforme a origem: €100 ou US$115 por TEU para cargas provenientes da Europa do Norte, Escandinávia, Báltico, Adriático, Mediterrâneos Ocidental e Oriental, Mar Negro e Norte da África; US$400 por TEU para reefers de outras origens. A PCS entra em vigor em 25 de agosto de 2026 para a maioria das rotas, com aplicação postergada para 20 de setembro no caso de embarques dos Estados Unidos, territórios americanos, Austrália e países latino-americanos sujeitos a filing, de acordo com o Container News.

Taxa de Emergência Inland na Europa

O armador também introduz uma Taxa de Emergência Inland (Inland Emergency Fee) para o transporte europeu, citando os baixos níveis de água que afetam as operações de barcaças no Rio Reno e em outras vias fluviais do continente.A medida aponta redução de capacidade, congestionamento e aumento dos tempos de permanência em terminais como fatores de elevação dos custos operacionais.

A taxa abrange todos os modos de transporte para embarques inland roteados pelos portos de Antuérpia, Zeebrugge e Roterdã. Os valores definidos são €50 por contêiner para localidades na Bélgica e nos Países Baixos, e €75 por TEU para Alemanha, Suíça e França. Para importações, a cobrança vigora a partir de 24 de agosto, com base na data de descarga; para exportações, a partir de 1º de setembro, com base na data de carregamento. Cargas contratadas sob regime FMC ficam sujeitas à taxa somente a partir de 21 de setembro de 2026, e a medida permanece em vigor até novo aviso.

Ajustes em rotas Ásia-América do Sul e Mediterrâneo-Canadá

Na rota da Costa Oeste da Índia, Paquistão e Sri Lanka para a Costa Leste da América do Sul, a CMA CGM atualizou a aplicabilidade da PSS para contêineres secos. O valor permanece em US$2.000 por contêiner, mas com uma mudança de escopo: até 31 de agosto de 2026, a sobretaxa incide sobre todos os contratos; a partir de 1º de setembro, passa a se aplicar apenas a contratos de longo prazo.

Para o corredor Mediterrâneo Ocidental-Canadá, a armadora introduz uma Iniciativa de Restauração de Tarifas (Rate Restoration Initiative, RRI) com vigência a partir de 15 de setembro de 2026. A medida abrange embarques originários de portos italianos e mediterrâneos na Espanha, França e Marrocos, excluindo cargas fora de bitola. Os aumentos são de US$250 por contêiner de 20 pés e US$500 por contêineres de 40 pés, 40 pés high-cube e 45 pés. Recargos adicionais por bunker, manipulação terminal, segurança, contingência e taxas locais podem incidir sobre as rotas afetadas.

FUP Explica

O pacote de sobretaxas da CMA CGM reflete pressões operacionais distintas em cada corredor, mas o efeito prático converge: custo mais alto para quem embarca ou recebe carga nessas rotas nas próximas semanas. No caso da Taxa de Emergência Inland europeia, o gatilho é ambiental, com o nível baixo do Reno reduzindo a capacidade das barcaças e empurrando mais carga para o transporte rodoviário e ferroviário, que é mais caro. Isso tende a encarecer a cadeia logística de ponta a ponta para exportadores e importadores que usam os hubs de Antuérpia, Zeebrugge e Roterdã, que estão entre os maiores portos do mundo.

A sobretaxa de congestionamento em Tema chama atenção porque o problema é no pátio de reefers, o que afeta diretamente produtos que dependem de cadeia fria, como alimentos perecíveis. Empresas brasileiras que exportam frutas, carnes ou outros produtos refrigerados para a África Ocidental por rotas que passam por portos europeus podem sentir o custo acumulado das duas taxas, a PSS e a PCS, dependendo da origem declarada da carga.

A mudança na PSS da rota Ásia-América do Sul merece atenção de importadores brasileiros que operam sob contratos spot: até o fim de agosto, a sobretaxa de US$2.000 por contêiner vale para todos; a partir de setembro, só para contratos de longo prazo. Quem ainda não tem contrato firmado pode enfrentar custo menor no curto prazo, mas a lógica inversa também vale: quem depende de spot e não fechou contrato antes pode ficar exposto a outros ajustes futuros. No geral, o movimento da CMA CGM sinaliza que a armadora está repassando pressões de custo em várias frentes ao mesmo tempo, o que costuma influenciar o comportamento das concorrentes nas mesmas rotas.

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