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Conflitos

OMC alerta para crise internacional de Fertilizantes; Brasil está vulnerável

15/07/2026·535 palavras
Conflito no Oriente Médio interrompe fluxo de fertilizantes pelo Estreito de Hormuz, afetando até 23% das exportações globais e impactando importações brasileiras de insumos agrícolas.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou relatório alertando que o conflito no Oriente Médio perturbou gravemente o comércio global de fertilizantes, com o Brasil figurando entre as 18 economias mais vulneráveis à interrupção no fornecimento. O epicentro do problema é o Estreito de Ormuz, rota por onde transitam volumes expressivos de fertilizantes nitrogenados e fosfatados destinados a mercados globais — e que, segundo a OMC, teve seus embarques reduzidos a um ponto próximo de zero desde o início do conflito.

Fertilizantes do Oriente Médio: concentração que amplifica o risco

O relatório da OMC deixa claro por que a crise tem impacto tão amplo: as exportações globais de fertilizantes são altamente concentradas entre poucos fornecedores. As economias do Golfo respondem por 24,8% das exportações mundiais de fertilizantes nitrogenados e 11,4% das fosfatadas. Rússia, China e Marrocos completam o grupo dos principais fornecedores globais identificados pelo organismo.

Dessa concentração deriva um efeito em cadeia. A OMC estima que licenças de exportação, restrições e proibições impostas após o fechamento do Estreito podem afetar até 15% das exportações mundiais de fertilizantes — número que sobe para 23,3% se o fechamento for tratado como restrição efetiva de todos os embarques do Golfo. O organismo pondera, no entanto, que o impacto real deve ser menor, já que licenças de exportação não equivalem a proibições totais.

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Preços em alta e volatilidade que não para

A pressão sobre a oferta se traduziu rapidamente em preços. A ureia, que estava em torno de US$ 400 por tonelada antes do conflito, chegou a superar US$ 850 por tonelada em abril — mais que o dobro. O DAP (fosfato diamônico) saiu de aproximadamente US$ 580 por tonelada e atingiu cerca de US$ 770 por tonelada no pico. Para referência, os picos de 2022, após o início da guerra na Ucrânia, foram ainda mais severos: ureia superou US$ 900 por tonelada, DAP chegou próximo a US$ 960 por tonelada e potássio ultrapassou US$ 1.200 por tonelada.

Essa volatilidade coloca em xeque o planejamento de contratos e estratégias de hedge para quem opera com insumos agrícolas. Qualquer nova escalada no conflito pode reverter a leve acomodação de preços registrada em junho, quando a ureia recuou para US$ 453 por tonelada.

Brasil entre os mais expostos

O Brasil aparece explicitamente no relatório da OMC como um dos principais destinos de fertilizantes do Golfo e integra a lista das 18 economias especialmente vulneráveis a interrupções no fornecimento de fertilizantes nitrogenados da região — ao lado de países como Quênia, África do Sul e Sri Lanka. Essa exposição é estrutural: o país importa parcela expressiva dos fertilizantes que consome, com dependência significativa de ureia de origem estrangeira, incluindo fornecedores do Oriente Médio.

A OMC recomenda a reabertura do Estreito de Hormuz como principal medida para aliviar as tensões e defende que as respostas de política pública priorizem as economias mais vulneráveis. Enquanto isso não ocorre, operadores de comex que atuam com insumos agrícolas precisam monitorar de perto as restrições de exportação nos países produtores, avaliar rotas alternativas — mais longas e custosas — e mapear fornecedores fora do Golfo, como Rússia, China e Marrocos, para reduzir a exposição a uma cadeia de abastecimento que segue sob pressão.

FUP Explica

O que o relatório da OMC formaliza é algo que o mercado já sentia na prática: a dependência estrutural do Brasil de fertilizantes importados transforma qualquer instabilidade no Oriente Médio em risco direto para o agronegócio nacional. Estar entre as 18 economias mais vulneráveis não é um dado abstrato — significa que qualquer nova escalada no conflito, ou um fechamento mais prolongado do Estreito de Hormuz, pode se traduzir em escassez de ureia no mercado doméstico, com reflexo imediato nos custos de produção agrícola e, a médio prazo, na competitividade das exportações brasileiras de commodities.

Para o operador de comex, o cenário exige atenção em pelo menos três frentes simultâneas. A volatilidade de preços da ureia e do DAP torna contratos de longo prazo mais arriscados sem proteção adequada, o que pressiona a revisão de estratégias de hedge. A concentração da oferta no Golfo reforça a urgência de diversificar fornecedores — Rússia, China e Marrocos aparecem no radar, mas cada um traz seus próprios riscos regulatórios e logísticos. Por fim, rotas alternativas ao Estreito de Hormuz tendem a ser mais longas e caras, o que eleva o custo do frete e alonga os prazos de entrega, afetando diretamente o planejamento de safra dos compradores finais. A recomendação da OMC de que governos priorizem economias vulneráveis também abre espaço para medidas regulatórias domésticas — incentivos à importação ou controles de preço — que podem mudar as regras do jogo para quem opera nesse mercado.

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