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Escalada dos Houthis contra Arábia Saudita pressiona rotas marítimas e aumenta tensão sobre Ormuz
Conflitos

Photo: Reuters | criador Srpske Novine

Escalada dos Houthis contra Arábia Saudita pressiona rotas marítimas e aumenta tensão sobre Ormuz

25/09/2026·681 palavras

Avanço do grupo no Iêmen, ataques contra território saudita e perda do controle de Bab el-Mandeb pressionam Riad, enquanto Turquia e Paquistão discutem apoio ao reino

A Arábia Saudita enfrenta uma nova escalada militar após semanas de ataques dos Houthis, que avançaram contra forças apoiadas por Riad no Iêmen, lançaram mísseis e drones contra território saudita e assumiram o controle do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb. Em resposta, os sauditas realizaram ataques aéreos contra o grupo apoiado pelo Irã, enquanto chefes militares da Turquia e do Paquistão se preparam para discutir formas de apoio ao reino.

A intensificação do conflito já interfere nos fluxos de petróleo sauditas e aumenta a pressão sobre uma das principais rotas marítimas entre a Ásia e a Europa.

A situação se agravou depois que forças do governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita perderam, há cerca de duas semanas, o controle de Bab el-Mandeb para os Houthis. O estreito conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ocupa uma posição estratégica para o transporte marítimo internacional.

A mudança ocorre em meio à retomada dos confrontos da guerra civil do Iêmen, que permanecia relativamente congelada desde 2022, mas voltou a ganhar intensidade com o conflito envolvendo o Irã.

Nas últimas semanas, os Houthis lançaram sucessivos ataques com mísseis e drones contra a Arábia Saudita, enquanto Riad respondeu com ofensivas aéreas. Segundo a Reuters, a escalada também levantou questionamentos sobre a possibilidade de os sauditas iniciarem uma operação militar de maior alcance ao lado das forças do governo iemenita que apoiam.

Em meio ao aumento das hostilidades, o grande mufti da Arábia Saudita, xeque Saleh bin Fawzan Al-Fawzan, pediu aos militares do reino que estejam preparados para sacrificar suas vidas no combate aos Houthis até que o grupo seja retirado do poder. A manifestação, divulgada pela agência estatal saudita, também defendeu que o governo iemenita reconhecido internacionalmente recupere sua autoridade sobre todo o território do país.

A movimentação já ultrapassa as fronteiras sauditas. Chefes militares da Arábia Saudita, Turquia e Paquistão devem discutir formas de apoio a Riad diante dos ataques, enquanto países da região restringem voos iranianos após novas sanções impostas pelos Estados Unidos. Aeroportos iraquianos suspenderam operações de e para o Irã, seguindo medidas semelhantes adotadas por outros países, movimento que pode aprofundar o isolamento iraniano em meio às pressões sobre sua economia.

O avanço dos Houthis sobre Bab el-Mandeb também conectou a crise enfrentada pela Arábia Saudita à deterioração da segurança marítima em outras áreas do Oriente Médio.

Cerca de 80 países, liderados pelo Bahrein, cobraram nas Nações Unidas a reabertura completa do Estreito de Ormuz e condenaram as ações do Irã e de seus aliados Houthis na região. Segundo o PortalPortuario, a declaração reúne países árabes do Golfo e grandes potências ocidentais e alerta que o avanço do grupo em Bab el-Mandeb eleva os riscos para a navegação internacional, a segurança marítima e o comércio.

O grupo defende que a circulação por Ormuz seja restabelecida sem pedágios, condições ou outras cobranças. A Organização Marítima Internacional (IMO) contabilizou pelo menos 84 incidentes envolvendo navios mercantes no Estreito de Ormuz e em outras áreas do Oriente Médio desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, com 23 marítimos mortos.

Ao mesmo tempo, Estados Unidos e Irã tentam construir uma saída diplomática para outra frente da crise. Negociadores dos dois países discutem em Nova York um acordo gradual pelo qual Teerã permitiria novamente a navegação por Ormuz em troca do fim do bloqueio econômico americano e, potencialmente, do acesso a ativos iranianos congelados. Nenhum dos lados, porém, pretende abandonar seus principais instrumentos de pressão antes de obter contrapartidas.

Teerã também sinalizou disposição para retirar da negociação principal a exigência de cobrança de tarifas pela passagem em Ormuz, embora não pretenda abrir mão da reivindicação de controle administrativo sobre o estreito. Países do Golfo rejeitam essa possibilidade e defendem a restauração da liberdade de navegação. Com isso, a escalada enfrentada pela Arábia Saudita se insere em uma crise regional que alcança simultaneamente Bab el-Mandeb e Ormuz, dois corredores estratégicos para o transporte internacional de energia e mercadorias.

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O controle de Bab el-Mandeb pelos Houthis muda o peso da crise de forma concreta. Esse estreito é passagem obrigatória para navios que transitam entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, ou seja, para boa parte do comércio marítimo entre Ásia e Europa. Com o grupo no comando do ponto, qualquer navio que passe pela rota fica exposto à capacidade de interdição dos Houthis, o que eleva o risco operacional e tende a pressionar fretes e seguros marítimos. A IMO já registrou pelo menos 84 incidentes na região desde o início do conflito, com 23 mortes, o que mostra que o risco não é teórico.

No plano político, a crise coloca a Arábia Saudita numa posição delicada. Riad precisou buscar apoio militar de Turquia e Paquistão, o que sinaliza que a resposta unilateral não é suficiente e que o conflito pode se ampliar em escopo e atores. A declaração do grande mufti pedindo que soldados se preparem para morrer no combate indica que o governo saudita tenta mobilizar respaldo interno para uma eventual escalada, o que aumenta a chance de uma operação militar mais ampla no Iêmen. Por outro lado, essa escalada carrega o risco de aprofundar a instabilidade regional e de arrastar outros países para o conflito.

A dimensão econômica pesa em duas frentes. A primeira é o petróleo: os fluxos de exportação saudita já estão sendo afetados, segundo o texto, e qualquer interrupção mais prolongada tende a repercutir nos preços internacionais de energia. A segunda é a negociação entre EUA e Irã sobre Hormuz, que segue sem acordo: enquanto Teerã sinaliza flexibilidade em tarifas mas não abre mão do controle administrativo do estreito, os países do Golfo rejeitam qualquer forma de controle iraniano. Isso significa que, mesmo que haja avanço diplomático em algum ponto, a solução completa para os dois estreitos ainda está longe, e o risco para a navegação internacional permanece elevado no curto prazo.

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