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Nvidia fatura US$ 96 bilhões em três meses e mostra que corrida da IA ainda está acelerando.
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Nvidia fatura US$ 96 bilhões em três meses e mostra que corrida da IA ainda está acelerando.

27/08/2026·475 palavras

A Nvidia divulgou receita trimestral de US$ 96,2 bilhões, alta de 106% em relação ao mesmo período do ano anterior e acima dos US$ 92,3 bilhões esperados pelo mercado. O lucro líquido atingiu US$ 59,7 bilhões, enquanto a divisão de data centers respondeu por US$ 89 bilhões do faturamento, impulsionada pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

O segmento de data centers registrou crescimento anual de 117% e concentrou a maior parte da receita da companhia. Os números são divulgados em meio às discussões no mercado sobre a continuidade dos investimentos em infraestrutura para inteligência artificial.

Para o trimestre seguinte, a Nvidia projetou faturamento de aproximadamente US$ 108 bilhões. A companhia também projetou crescimento de cerca de 70% da receita no próximo ano fiscal, indicando a expectativa de continuidade da demanda por infraestrutura de IA.

A demanda por infraestrutura de inteligência artificial vai além dos processadores gráficos produzidos pela Nvidia. Data centers destinados a sistemas de IA também dependem de investimentos em energia, refrigeração, memória, equipamentos de rede, fibra óptica e infraestrutura física.

A refrigeração líquida é um dos segmentos beneficiados pelo aumento da capacidade de processamento e do consumo energético dos chips. Segundo relatório da TrendForce publicado em 17 de agosto de 2026, essa tecnologia deverá ser utilizada em 53% dos chips de inteligência artificial neste ano, acima da projeção de 47% feita pela consultoria em novembro de 2025.

A revisão acompanha o aumento da potência térmica dos processadores. Chips como os Nvidia B200 e B300 ultrapassam 1 kW, aumentando a necessidade de sistemas especializados de refrigeração, como cold plates, manifolds e unidades de distribuição de fluido.

Os investimentos relacionados à inteligência artificial também têm reflexos sobre o comércio internacional de tecnologia. Segundo análise da Bloomberg Línea publicada em 12 de maio de 2026, as exportações chinesas atingiram o recorde mensal de US$ 359 bilhões em abril, com participação relevante de produtos ligados ao setor de tecnologia.

Semicondutores, computadores e equipamentos relacionados responderam por cerca de metade do crescimento das exportações registrado no período, de acordo com a publicação.

Custos de memória pressionam indústria de tecnologia

Apesar do crescimento da demanda, o aumento dos custos de memória pressiona fabricantes de equipamentos e infraestrutura de inteligência artificial. A Nvidia alertou para os efeitos da alta desses preços sobre suas margens.

A companhia já enfrentava reajustes superiores a 15% nos preços de determinados servidores de IA, associados à valorização dos componentes de memória.

O aumento dos custos de memória também afeta outros segmentos da indústria de tecnologia. A HP informou que reajustes adotados para compensar essa alta contribuíram para a redução das remessas de computadores e pressionaram as margens da companhia.

A elevação dos preços desses componentes acrescenta uma variável às decisões de investimento em infraestrutura de inteligência artificial previstas para 2027, especialmente em projetos que dependem de grandes volumes de memória e capacidade computacional.

FUP Explica

O resultado da Nvidia funciona como um termômetro do ciclo de investimentos em IA, e o que ele mostra é que esse ciclo ainda está em aceleração, não em plateau. Crescimento de 106% em receita e 117% só em data centers, com projeção de 70% para o próximo ano fiscal, são números que tornam muito difícil sustentar a narrativa de que o capex das grandes empresas de tecnologia está prestes a recuar. Para quem toma decisão baseado nessa tese, o balanço da Nvidia é um sinal de cautela.

O ponto mais relevante para além dos chips em si é que a oportunidade está migrando para toda a cadeia de infraestrutura. Energia, refrigeração líquida, networking, construção de data centers: são segmentos que crescem junto com a demanda por processamento de IA, e o relatório da TrendForce sobre refrigeração líquida mostra que essa migração está acontecendo mais rápido do que o mercado projetava há menos de um ano. Quem está posicionado nesses elos da cadeia tende a capturar parte do mesmo ciclo sem depender diretamente do desempenho de um único fabricante de chips.

No plano econômico mais amplo, o resultado reforça que a corrida pela infraestrutura de IA é um fenômeno distribuído, com China e Estados Unidos investindo em lados opostos da cadeia e, ainda assim, alimentando a mesma demanda. Isso cria uma interdependência que complica qualquer tentativa de contenção via restrições de exportação, porque os gargalos se deslocam para outros elos, como memória, refrigeração e energia, que não estão necessariamente sujeitos aos mesmos controles.

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