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Aeroporto de Bruxelas testa trator autônomo na logística de cargas
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Aeroporto de Bruxelas testa trator autônomo na logística de cargas

26/08/2026·468 palavras
Teste de tecnologia de automação em terminal aéreo europeu. Tendência setorial sem impacto imediato em comex brasileiro.

O Brussels Airport, na Bélgica, iniciou testes com um trator elétrico autônomo para transportar cargas entre armazéns e áreas operacionais do terminal. A iniciativa, realizada em parceria com a WFS Cargo e a Charlatte Autonom, é o primeiro teste em condições reais de transporte autônomo de cargas em um aeroporto belga e busca avaliar os impactos da tecnologia sobre eficiência, segurança e sustentabilidade das operações, segundo o Transporte Moderno.

O veículo circula por quatro rotas predefinidas na área de cargas do aeroporto, incluindo trajetos entre armazéns e o pátio de aeronaves. Durante a operação autônoma, a velocidade é limitada a 12 km/h, e o trator pode rebocar simultaneamente até quatro carretas de carga.

A tecnologia utiliza sistemas de navegação por satélite e sensores a laser para detectar obstáculos e identificar elementos no ambiente. O software de condução autônoma, desenvolvido pela Navya Mobility, define as trajetórias e controla a navegação em uma área compartilhada por diferentes tipos de veículos.

Apesar da automação, os testes mantêm supervisão humana. Um operador treinado permanece a bordo para acompanhar o funcionamento do trator e assumir o controle imediatamente, caso seja necessário. As operações são realizadas em horários de menor movimento e sob condições controladas. Funcionários da WFS Cargo também estão sendo capacitados para operar o equipamento.

Projeto integra programa europeu de sustentabilidade

O teste faz parte do Stargate, programa europeu liderado pelo Brussels Airport e desenvolvido por um consórcio de 22 parceiros. A iniciativa recebeu 24,8 milhões de euros em financiamento europeu para desenvolver soluções destinadas a tornar a aviação mais sustentável.

O consórcio reúne empresas e instituições em projetos relacionados à eletrificação, automação e eficiência das operações aeroportuárias. A Charlatte Autonom, responsável pelo veículo em parceria com a WFS Cargo, é uma joint venture formada pela Charlatte Manutention e pela Navya Mobility.

O Brussels Airport já havia realizado testes com tecnologia semelhante. Anteriormente, o terminal experimentou um veículo elétrico autônomo destinado ao transporte de funcionários. Agora, a tecnologia está sendo aplicada diretamente à logística de cargas.

Arnaud Feist, CEO do Brussels Airport, afirmou que o projeto permitirá avaliar o potencial das tecnologias autônomas para aumentar a eficiência e a sustentabilidade, mantendo as pessoas no centro das operações e preservando os padrões de segurança.

Aeroporto movimentou 795 mil toneladas em 2025

O Brussels Airport movimentou 795 mil toneladas de cargas e recebeu 24,4 milhões de passageiros em 2025, segundo o Transporte Moderno. O terminal tem atuação destacada no transporte de produtos farmacêuticos, perecíveis, mercadorias do comércio eletrônico e animais vivos.

Nesta fase, o objetivo é analisar o desempenho da tecnologia em situações reais antes de considerar uma operação em maior escala. O estudo deverá avaliar como os veículos autônomos podem otimizar o transporte de carretas entre armazéns e áreas operacionais e identificar os requisitos necessários para uma futura implementação mais abrangente.

FUP Explica

O teste do Brussels Airport é relevante porque combina, pela primeira vez em um aeroporto belga, duas tendências que vinham avançando separadamente: a eletrificação dos equipamentos de solo e a automação da movimentação interna de cargas. O fato de o projeto estar inserido em um programa europeu financiado com quase 25 milhões de euros indica que não se trata de uma iniciativa isolada, mas de um esforço coordenado para definir padrões e requisitos técnicos que possam ser replicados em outros terminais.

Do ponto de vista operacional, a fase atual ainda é bastante cautelosa: velocidade reduzida, horários de menor movimento, operador a bordo e rotas predefinidas. Isso é esperado para um primeiro teste em ambiente real, mas também mostra que a tecnologia ainda está longe de uma adoção em larga escala sem supervisão humana. O resultado desse piloto vai influenciar diretamente as decisões sobre expansão, tanto no Brussels Airport quanto em outros aeroportos europeus que acompanham o programa Stargate.

Para o setor de logística aeroportuária de forma mais ampla, a experiência sinaliza uma pressão crescente por automação e descarbonização nas operações de solo, impulsionada tanto por regulação europeia quanto por financiamento público. Aeroportos e operadores de handling que não acompanharem essa curva tendem a enfrentar desvantagem competitiva à medida que os requisitos ambientais se tornem mais rígidos.

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