
Novo diesel B15 exige atenção redobrada de gestores de frota
Mistura de biodiesel e qualidade de combustível afetam manutenção de frotas Euro 6. Contexto operacional com impacto indireto em custos de transporte e frete.
A presença de água no diesel tornou-se um risco crescente para as frotas brasileiras de transporte rodoviário, especialmente após a elevação do percentual de biodiesel na mistura para 15% (B15), aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e em vigor desde agosto. A combinação de combustível mais higroscópico, motores tecnologicamente mais complexos e diesel mais caro está pressionando os custos operacionais do setor e exigindo maior atenção dos gestores de frota.
O biodiesel tem maior afinidade com a umidade do que o diesel mineral puro. Isso significa que, quanto maior a proporção de biodiesel na mistura, mais fácil é a absorção de água ao longo da cadeia de armazenamento e distribuição. Essa umidade cria condições favoráveis para a proliferação de microrganismos no interior dos tanques e sistemas de alimentação, com consequências que vão da formação de lodo à corrosão de componentes metálicos e à obstrução de filtros e bicos injetores.
O problema não é novo, mas ganhou outra dimensão com a chegada dos motores Euro 6 ao mercado nacional. Esses motores incorporam sistemas de injeção de alta pressão e tecnologias de pós-tratamento de emissões mais sofisticadas, como o sistema de redução catalítica seletiva (SCR) para controle de óxidos de nitrogênio e o filtro de partículas (DPF).
Esses componentes são particularmente sensíveis à qualidade do combustível — e operar fora dos parâmetros adequados não é apenas um risco técnico, mas também uma obrigação regulatória, dado que a legislação ambiental de emissões exige que esses sistemas funcionem dentro de especificações precisas.
Impacto operacional e resposta do mercado
Quando o filtro de partículas sofre obstrução por acúmulo excessivo de resíduos, as consequências são imediatas: perda de potência, aumento do consumo de combustível e necessidade de intervenções corretivas não programadas. Em sistemas de injeção de alta pressão, falhas por contaminação podem resultar em reparos de custo elevado e maior tempo de imobilização do veículo, dois fatores que corroem diretamente a margem operacional das transportadoras.
Diante desse cenário, fabricantes de produtos químicos para manutenção automotiva passaram a desenvolver soluções específicas para o segmento.
FUP Explica
Com o B15 em vigor e os motores Euro 6 chegando às frotas, a qualidade do combustível deixa de ser responsabilidade exclusiva da transportadora e passa a ser um fator de risco logístico para quem contrata o serviço. Uma frota mal mantida tende a gerar mais paradas não programadas e paradas não programadas significam atrasos que podem comprometer prazos de desembaraço, janelas de entrega e contratos com penalidades por atraso.
O cenário também pressiona os custos de frete por um caminho indireto: transportadoras que investem em manutenção preventiva adequada tendem a repassar esse custo nas negociações tarifárias, enquanto as que não investem correm o risco de imobilização de veículos e redução de capacidade operacional. Para quem contrata frete com regularidade, vale a pena começar a incluir critérios de qualidade de manutenção na avaliação de fornecedores, especialmente para cargas sensíveis a temperatura, prazo ou regulamentação específica.



