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Nova tarifa portuária sobre veículos importados pode chegar a 0,93% no Espírito Santo
Regulatório

Nova tarifa portuária sobre veículos importados pode chegar a 0,93% no Espírito Santo

19/08/2026·458 palavras
Nova cobrança de tarifa sobre veículos importados no Porto de Vitória gera preocupação entre tradings, afetando importações de automóveis.

A Vports, concessionária do Complexo Portuário de Vitória, passou a cobrar em agosto de 2026 uma nova tarifa sobre a movimentação de veículos importados, provocando reação imediata de tradings e entidades representativas do comércio exterior capixaba. A medida, que incide sobre cargas movimentadas em regimes especiais, incluindo automóveis, máquinas e equipamentos, foi aprovada desde 2024, mas havia sido adiada para permitir a adaptação do setor, conforme informou o Transporte Moderno.

A cobrança começou em 0,2% sobre o valor da carga em agosto de 2026 e deverá subir para 0,4% até o fim do ano. O Sindicato do Comércio Exportador e Importador do Espírito Santo (Sindiex) alerta que, na fase final, a tarifa chegará a 0,93% do custo da carga. A Vports estruturou um modelo escalonado justamente para minimizar impactos e permitir adaptação gradual dos usuários, conforme apurado por A Gazeta. As tarifas passaram por processo de aprovação com posterior validação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A concessionária argumenta que a cobrança tem como objetivo aumentar a rotatividade das cargas e assegurar que as áreas compartilhadas do porto permaneçam disponíveis para os diversos usuários que dependem das instalações em uma estrutura multipropósito. A Vports também afirma que tarifas similares já são praticadas em outros portos do país.

Peso do Espírito Santo na importação de automóveis

A relevância da medida fica clara quando se observa o papel central dos portos capixabas na entrada de veículos no Brasil. Entre janeiro e julho de 2026, 231,3 mil veículos entraram no país pelos portos do Espírito Santo, movimentando US$ 4,27 bilhões. Vitória e Vila Velha respondem por 52% de todos os veículos importados pelo Brasil, e desde setembro de 2022 até julho de 2026, cerca de 750 mil automóveis passaram pelo complexo portuário, segundo A Gazeta.

O sistema portuário capixaba como um todo movimentou 137,5 milhões de toneladas em 2025, alta de 13,1%, mais que o dobro do crescimento médio nacional de 6,1%, o que colocou o Espírito Santo na quarta posição entre os estados brasileiros em movimentação portuária. O complexo reúne instalações de perfis distintos: o Complexo de Tubarão, com grande peso na exportação de minério de ferro; Portocel, referência na exportação de celulose; o Terminal de Vila Velha (TVV), voltado a contêineres; e Vitória/Vila Velha, com forte presença de cargas gerais, veículos, fertilizantes e outras mercadorias.

Reação do Sindiex

Sidemar Acosta, presidente do Sindiex, resumiu a preocupação do setor: "É um custo novo, que não estava na planilha e passou a estar. Uma elevação de custos não é interessante, podemos acabar perdendo carga para outros portos do país." A entidade destacou que a importação de carros representa uma cadeia relevante para o comércio internacional capixaba, que emprega milhares de pessoas, gera tributos e movimenta a economia regional.

FUP Explica

O ponto central aqui é o risco de desvio de carga. O Espírito Santo detém mais da metade das importações de veículos do Brasil, e essa posição não é garantida por decreto: ela depende de competitividade de custo. Quando uma tarifa nova entra na planilha do importador, ele começa a comparar rotas. Se portos concorrentes, como Santos ou Paranaguá, oferecerem custo total menor, parte do fluxo migra, e o Espírito Santo perde receita portuária, empregos no entorno e arrecadação de tributos estaduais e municipais.

Do lado da Vports, a lógica faz sentido operacional: porto multipropósito com área compartilhada precisa girar estoque. Veículo parado ocupa espaço que poderia atender outra carga, e a tarifa é um instrumento para pressionar a rotatividade. O fato de a cobrança ter sido aprovada pela Antaq e de existirem modelos similares em outros portos dá respaldo regulatório à medida, o que torna difícil uma contestação puramente formal.

O modelo escalonado, saindo de 0,2% para até 0,93% do valor da carga, é o ponto que mais preocupa o setor a médio prazo. O impacto imediato é administrável, mas a trajetória de alta cria incerteza para quem precisa fechar contrato de longo prazo. Importadoras e tradings que operam com margens apertadas tendem a revisar suas rotas antes de a tarifa chegar ao patamar máximo, não depois.

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