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Navio com 51 mil toneladas de soja brasileira colide com graneleiro em Bangladesh
Marítimo

Navio com 51 mil toneladas de soja brasileira colide com graneleiro em Bangladesh

02/10/2026·622 palavras

Embarcação auxiliar também foi atingida durante manobra em Kutubdia; proprietário pede avaliação dos danos e indenização, enquanto autoridade portuária informa que não houve vítimas ou poluição

Durante uma manobra após levantar âncora, o HG Sydney, carregado com cerca de 51 mil toneladas de soja do Brasil, atingiu o graneleiro APJ Shirin e uma embarcação menor na área de fundeio de Kutubdia, próxima ao Porto de Chattogram, em Bangladesh. A colisão ocorreu por volta das 8h30 de 29 de setembro, enquanto o APJ Shirin estava fundeado para descarregar carvão. Não houve registro de vítimas ou poluição marinha, mas os envolvidos apresentaram versões diferentes sobre os danos à embarcação auxiliar.

Os dois graneleiros ficaram em posições seguras após o acidente, segundo o secretário da Autoridade Portuária de Chattogram (CPA), Syed Refayet Hamim. A colisão foi registrada inicialmente pelo sistema de gerenciamento do tráfego de embarcações do órgão como um contato de pequena proporção. Uma inspeção foi iniciada para avaliar possíveis danos no casco do HG Sydney, de bandeira liberiana.

Segundo o The Daily Star, que ouviu autoridades portuárias e agentes marítimos, o APJ Shirin, de bandeira panamenha, havia chegado da Indonésia aproximadamente uma semana antes, com cerca de 55 mil toneladas de carvão. Uma embarcação auxiliar estava posicionada ao seu lado para receber a carga quando o HG Sydney se aproximou e atingiu a lateral do graneleiro.

A embarcação menor, identificada como MV Sani-5, ficou entre os dois navios durante o impacto. Belayet Hossain, diretor da Litmond Shipping, agente local do HG Sydney, afirmou que ela estava vazia e conseguiu se afastar imediatamente após o choque. Ele também relatou danos leves no lado de bombordo — o lado esquerdo — do casco do navio que representava.

O proprietário do Sani-5, Jamal Hossain, apresentou outra versão. Conforme reportagem do The Business Standard, publicada em 1º de outubro, ele enviou uma carta à Litmond Shipping afirmando que o HG Sydney atingiu com força a parte dianteira da embarcação e danificou sua superestrutura, desde a seção inferior até o convés superior.

Na correspondência, Hossain declarou que o Sani-5 transportava carvão pertencente à QNS Shipping Logistics e tinha viagem prevista de Kutubdia para Payra. Acrescentou que a embarcação havia passado recentemente por docagem e fazia sua primeira viagem após o carregamento. A Hossain Enterprise pediu uma vistoria conjunta para dimensionar os prejuízos e solicitou providências para indenização.

As imagens do acidente relatadas pela imprensa mostram a embarcação auxiliar sendo atingida. Entretanto, a divergência sobre a presença de carga e a gravidade dos danos permanece sem conclusão nos relatos fornecidos. A descrição do proprietário, que classificou os prejuízos como totais, ainda depende de avaliação técnica, assim como a definição de responsabilidade pelo episódio.

Apesar das colisões, Hamim informou que a CPA não formou uma comissão de investigação porque não havia práticos da autoridade portuária a bordo das embarcações. Segundo o secretário, questões de compensação nesses casos costumam ser resolvidas entre as seguradoras dos navios envolvidos.

Na mesma manhã, por volta das 11h30, outro acidente ocorreu na área Alpha do fundeadouro externo de Chattogram. O graneleiro Akij Wave, de bandeira de Bangladesh, teve a âncora arrastada por uma correnteza forte. Embora a tripulação tenha tentado controlar a embarcação, ela atingiu o Sea Alison, causando danos leves na proa de bombordo, conforme a CPA. Também não houve vítimas ou poluição.

Os episódios sucedem outros acidentes registrados na região em agosto. No dia 14, uma colisão envolvendo o petroleiro Sea Spike provocou entrada de água e desativou o gerador e o motor principal, mas preservou os tanques de diesel. Já em 3 de agosto, o porta-contêineres CNC Uranus perdeu o sistema de governo, atingiu uma boia e ficou encostado em um enrocamento próximo a uma instalação naval. As duas ocorrências motivaram investigações.

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O episódio em Kutubdia chama atenção por dois motivos principais: a concentração de acidentes na área de fundeio de Chattogram em pouco tempo e a disputa de versões que tende a se arrastar antes de qualquer definição de responsabilidade.

No plano operacional, a ausência de práticos da CPA a bordo das embarcações foi o argumento usado pela autoridade portuária para não instaurar comissão de investigação. Isso significa que o ônus de provar culpa e quantificar danos recai sobre as seguradoras e os armadores, num processo que pode ser lento e disputado, especialmente quando as partes divergem até sobre fatos básicos, como se a embarcação menor estava carregada ou vazia no momento do impacto. A carta enviada pela Hossain Enterprise à Litmond Shipping é o primeiro movimento formal nessa direção, mas a vistoria conjunta pedida ainda não foi confirmada.

Para quem acompanha o fluxo de cargas pelo Porto de Chattogram, o acúmulo de ocorrências desde agosto levanta uma questão de gestão de tráfego: três acidentes com investigação em menos de dois meses, em áreas de fundeio distintas, sugerem pressão operacional na região. No caso do HG Sydney, o carregamento de soja brasileira não foi afetado diretamente, já que o navio seguia em manobra de saída, mas qualquer retenção para inspeção de casco pode impactar o cronograma de entrega da carga.

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