
MPor lança Plano Mestre para orientar expansão de portos do Paraná
Ministério dos Portos publica plano diretor para os principais portos do Paraná, orientando investimentos em infraestrutura logística e integração porto-cidade.
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) publicou o Plano Mestre Paranaguá e Antonina por meio da Portaria nº 317, de 16 de julho de 2026. O documento estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura portuária, dos acessos ao complexo e da integração entre os portos e os municípios do entorno, além de incorporar ações voltadas à sustentabilidade e à adaptação às mudanças climáticas, conforme informou o Transporte Moderno.
O plano foi elaborado pela Infra S.A., com participação da Autoridade Portuária de Paranaguá e Antonina (Appa) e sob coordenação da Secretaria Nacional de Portos.
O processo incluiu consulta pública, cujo prazo original foi prorrogado até 23 de março para atender a solicitações de partes interessadas, segundo o Portos e Navios. A consulta recebeu contribuições de empresas, entidades representativas, órgãos públicos e demais usuários do complexo, com envio pela plataforma Brasil Participativo. A abertura da consulta havia sido anunciada pelo MPor em janeiro de 2026, de acordo com a Agência iNFRA.
O documento está organizado em quatro eixos: diagnóstico do complexo portuário, projeções de demanda e capacidade, análise de cenários e plano de ações e investimentos. Os estudos técnicos reunidos no plano servirão de base para orientar futuras decisões sobre expansão da infraestrutura e melhoria da eficiência operacional.
Entre as medidas contempladas, o plano prevê a implantação de berço específico para movimentação de passageiros em Paranaguá, melhorias nos acessos rodoviários, ampliação e implantação de pátios de triagem, ações de mitigação de impactos climáticos, obtenção de certificações ambientais e iniciativas de fortalecimento da relação porto-cidade, segundo a CBN Curitiba.
O Complexo Portuário de Paranaguá e Antonina é composto pelo Porto Organizado de Paranaguá, pelo Porto Organizado de Antonina, pelo TUP Cattalini e pelo Terminal Portuário Pontal do Paraná. Os dois portos organizados são administrados pela Appa, empresa pública instituída pela Lei Estadual nº 17.895/2014 e pelo Decreto nº 11.562/2014.
Movimentação e horizonte de planejamento
O complexo tem papel relevante no escoamento de granéis sólidos, fertilizantes e cargas conteinerizadas, com operações concentradas nos corredores de soja, milho e farelo, além de exportações de carnes refrigeradas e congeladas. Em janeiro de 2026, o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) movimentou 145.592 TEUs, o melhor resultado para o mês na série histórica, com alta de 8% em relação a janeiro de 2025, segundo a CBN Curitiba.
A mesma fonte registra que equipes da Infra S.A. trabalham com o Governo do Estado em um estudo de larga escala e que o plano tem potencial de dobrar a movimentação dos portos em um horizonte de 20 anos. O planejamento portuário por meio de planos mestres está previsto na Lei nº 12.815/2013, que estabelece essa obrigação ao poder público.
FUP Explica
O Plano Mestre é, na prática, o documento que vai orientar onde e quando o dinheiro público e privado entra no complexo de Paranaguá e Antonina nas próximas décadas. Sem ele, investimentos em expansão de berços, pátios e acessos rodoviários ficam sem respaldo técnico formal, o que dificulta tanto o licenciamento quanto a captação de recursos. Com a portaria publicada, o MPor dá o sinal verde para que projetos específicos avancem com base em diagnóstico e projeções de demanda reconhecidos oficialmente.
Para o setor produtivo que depende do complexo, especialmente exportadores de grãos, farelos e carnes, o plano importa porque endereça gargalos conhecidos: acesso rodoviário, capacidade de pátios e eficiência operacional. A previsão de berço de passageiros em Paranaguá, por outro lado, aponta para uma diversificação da vocação do porto, com potencial de movimentar a economia local de forma mais ampla. A inclusão de metas de certificação ambiental e adaptação climática também responde a uma pressão crescente de embarcadores e financiadores internacionais por portos com menor pegada de risco ambiental.
O ponto de atenção é a distância entre o plano e a execução. Documentos de planejamento portuário no Brasil historicamente demoram a se converter em obras e concessões concretas. O fato de a Infra S.A. estar conduzindo um estudo de larga escala junto ao Governo do Paraná sugere que há movimentação além do papel, mas os prazos e os recursos ainda não estão definidos publicamente.
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