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Mais da metade dos chips avançados de IA já exigirá refrigeração líquida em 2026.
A refrigeração líquida deve cobrir 53% dos chips de inteligência artificial em 2026 e se aproximar dos 60% em 2027, segundo relatório da TrendForce publicado nesta segunda-feira (17). O dado representa uma revisão para cima: em novembro de 2025, a mesma consultoria projetava 47% para este ano, o que indica que a adoção acelerou além do esperado.
A mudança é impulsionada pela evolução dos próprios processadores. Chips como o NVIDIA B200 e o B300 ultrapassam 1 kW de potência térmica, ante os 700W do H100 e H200. Em escala de rack, esse salto torna o resfriamento tradicional a ar fisicamente insuficiente para dissipar o calor gerado.
O sistema funciona por meio de componentes especializados: cold plates, manifolds, CDUs (unidades de distribuição de fluido) e trocadores de calor. Fluidos de arrefecimento circulam sobre os servidores, absorvem o calor e passam por unidades de troca térmica antes de retornar aos equipamentos, conforme descrito pela TrendForce. No curto e médio prazo, o resfriamento por cold plates deve permanecer como solução primária, com as CDUs migrando de configurações líquido-ar para líquido-líquido. A tendência de longo prazo, aponta para gestão térmica mais granular no nível do chip.
A IBM aponta que a refrigeração líquida oferece maior eficiência térmica e melhor aproveitamento energético em comparação com sistemas convencionais, o que se traduz em índices de PuE (Power Usage Effectiveness) mais favoráveis.
O Google é o operador mais avançado nessa transição: mais de 80% de seus servidores de IA utilizam refrigeração líquida, segundo. A empresa desenvolveu arquitetura customizada ao longo de anos de experiência com seus próprios aceleradores (TPUs) e estendeu a tecnologia do nível de servidor individual para sistemas em escala de rack.
No campo dos recursos hídricos, o Google informou em relatório ambiental de 2026 que 87% de sua captação de água doce em 2025 veio de fontes com risco baixo ou médio de esgotamento. A empresa adota abordagem com consciência climática para decisões de resfriamento, equilibrando disponibilidade de energia limpa e alternativas à água doce, já que a refrigeração líquida exige volumes significativos de água, frequentemente potável, para evitar corrosão e proliferação bacteriana.
Demanda por racks e movimentos da AMD
As remessas de soluções em rack da NVIDIA devem dobrar em 2026, impulsionadas por investimento acelerado de operadores de data center de segundo nível e pela demanda de provedores de nuvem chineses por projetos de IA no exterior. Mesmo com possíveis atrasos no Kyber NVL144 em 2027, a consultoria projeta crescimento superior a 30% ao ano na demanda por racks GPU.
A AMD, por sua vez, amplia sua atuação de GPUs isoladas para plataforma integrada. A partir do segundo semestre de 2026, a empresa deve concentrar esforços na solução Helios, que integra CPUs, GPUs e interconexões de alta velocidade, com grandes volumes esperados para 2027.
O mercado de data centers de IA deve quadruplicar entre 2025 e 2030, passando de aproximadamente US$ 236 bilhões para mais de US$ 933 bilhões, de acordo com projeção da MarketsandMarkets citada pela Airsys North America. O investimento em infraestrutura de IA deve crescer mais de 40% ao ano em 2026, segundo a mesma fonte.
FUP Explica
O que esse relatório da TrendForce deixa claro é que a corrida pela IA deixou de ser só uma disputa de chips: agora é também uma disputa de infraestrutura física. Quem não conseguir resfriar os servidores de forma eficiente simplesmente não consegue escalar.
Isso cria uma nova camada de dependência, porque a refrigeração líquida exige componentes especializados (cold plates, CDUs, manifolds) que ainda têm cadeia de suprimentos concentrada e em formação, o que pode gerar gargalos de fornecimento à medida que a adoção acelera além das projeções.
Do ponto de vista econômico, a revisão para cima das estimativas de penetração (de 47% para 53% em um único ano) sinaliza que os grandes operadores estão investindo mais rápido do que o mercado esperava. Isso pressiona os fornecedores de componentes de resfriamento e abre espaço para novos entrantes na cadeia, mas também eleva o custo de construção e operação dos data centers, o que tende a se refletir no preço dos serviços de nuvem e computação ao longo do tempo.
A questão hídrica merece atenção separada. A refrigeração líquida consome volumes relevantes de água potável, e a expansão acelerada dos data centers em regiões com estresse hídrico pode gerar conflitos com outros usos, especialmente abastecimento urbano e agricultura. O fato de o Google monitorar e divulgar a origem de sua captação de água sugere que a pressão regulatória e reputacional sobre esse tema já é real, e tende a crescer conforme o setor se expande.





