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Maior navio elétrico a bateria do mundo parte rumo à América do Sul
Maior navio elétrico a bateria do mundo fará escala na América do Sul. Tendência tecnológica em transporte marítimo com impacto futuro em sustentabilidade de frete.
O maior navio elétrico a bateria do mundo está a caminho da América do Sul. A embarcação, conhecida durante a construção como Casco 096, partiu da Tasmânia, na Austrália, em agosto de 2026 e tem chegada estimada para 10 de setembro ao Porto de Nueva Palmira, no Uruguai, segundo o Portal Portuario. A travessia tem duração prevista de aproximadamente 40 dias.
O navio não viaja por conta própria: ele é transportado sobre o convés do Black Marlin, um dos maiores navios de carga pesada em operação no mundo. O Black Marlin utiliza um sistema que permite submergir parcialmente seu próprio casco para que outra embarcação seja posicionada sobre sua estrutura.
Depois do carregamento, o navio volta a emergir, elevando a carga acima da linha d'água para o transporte. O embarque do Casco 096 foi concluído na última semana de julho, em uma operação de alta complexidade.
A embarcação tem 130 metros de eslora e capacidade para transportar até 2.100 passageiros e 225 veículos. Segundo reportagem do Estadão de junho de 2025, o navio carrega mais de 250 toneladas de baterias, com sistema de armazenamento de energia de capacidade instalada superior a 40 megawatt-hora.
O projeto foi construído e testado pelo estaleiro australiano Incat Tasmania. Robert Clifford, presidente da Incat, descreveu o Casco 096 como "o projeto mais ambicioso na história de nossa empresa" e afirmou que o desenvolvimento exigiu "um nível elevado de capacidade técnica, dedicação e inovação" da equipe.
Rota no Rio da Prata e mudança de projeto
Após ser descarregado e preparado para operação em Nueva Palmira, o navio passará a se chamar China Zorrilla e será operado pela companhia Buquebus na rota entre Buenos Aires, na Argentina, e Colonia, no Uruguai.
A propulsão totalmente elétrica a bateria não estava no projeto original. A mudança ocorreu em 2023, quando a Buquebus abandonou a proposta inicial, que previa o uso de Gás Natural Liquefeito (GNL), em favor da tecnologia elétrica.
A chegada do Black Marlin à Tasmânia, no final de julho de 2026, ocorreu com meses de atraso em relação ao planejado, em razão de problemas relacionados ao bloqueio no Estreito de Ormuz, conforme apurado pelo Diário do Litoral.
Clifford afirmou ao Portal Portuario que a operação do China Zorrilla no Rio da Prata "demonstrará o enorme potencial da tecnologia elétrica de baterias a grande escala nas operações comerciais de transbordadores". A operação comercial da embarcação será a primeira demonstração em larga escala dessa tecnologia de propulsão elétrica em um transbordador de passageiros de grande porte.
FUP Explica
O China Zorrilla é um marco tecnológico no transporte marítimo de passageiros, e sua operação no Rio da Prata vai funcionar como uma vitrine em escala real para a indústria naval. Até agora, a propulsão elétrica a bateria em embarcações de grande porte era mais promessa do que realidade comprovada em operação comercial contínua. Um ferry com 2.100 lugares rodando diariamente entre Buenos Aires e Colonia vai gerar dados concretos sobre desempenho, autonomia e custo operacional que o setor inteiro vai monitorar.
Do ponto de vista econômico, o projeto também revela uma mudança de aposta da Buquebus: a empresa trocou o GNL pela bateria em 2023, num momento em que os custos de energia e as pressões regulatórias sobre emissões estavam se intensificando. Essa decisão pode influenciar encomendas futuras de outros operadores de ferry na América do Sul e em outras regiões, especialmente se a operação do China Zorrilla confirmar viabilidade técnica e financeira.
Para o estaleiro Incat Tasmania, a entrega bem-sucedida consolida reputação num nicho de alta complexidade e pode abrir mercado para novos contratos. O atraso causado pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, por outro lado, lembra que a logística de transporte de embarcações de grande porte é vulnerável a eventos geopolíticos fora do controle dos operadores, o que tende a entrar no cálculo de risco de projetos futuros do mesmo tipo.





