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Conteúdo feito por IA está ficando mais fácil de identificar
Tecnologia

Imagem gerada por IA

Conteúdo feito por IA está ficando mais fácil de identificar

13/08/2026·393 palavras

Alguns conteúdos gerados por IA são óbvios: certas imagens, textos com "não é sobre isso, é sobre aquilo", "na prática" e os travessões em excesso são sinais conhecidos do estilo redacional das IAs generativas. Mesmo assim, não é incomum se deparar com algum post cheio dessas expressões gerando engajamento.

Recentemente, o LinkedIn adicionou um botão para os usuários sinalizarem posts com aparência de IA: o "Seems like AI slop" ("parece lixo de IA"). O intuito da empresa não é, necessariamente, eliminar por completo o conteúdo produzido por essas máquinas, mas diminuir o alcance de postagens sem conteúdo relevante.

A Anthropic, desenvolvedora do Claude, publicou em seu site um comunicado: a partir de 2 de agosto, os modelos lançados dali em diante passam a incluir marcas d'água tanto no texto quanto nos arquivos produzidos. Os modelos anteriores a essa data ainda não contam com o recurso, mas a empresa afirma estar trabalhando para estendê-lo.

No texto, a marca fica embutida na própria escrita, invisível para quem lê, sem alterar o sentido do conteúdo, e viaja junto quando alguém copia e cola em outro lugar, podendo até sobreviver a algumas edições.

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Como funciona a identificação nos arquivos

Nos arquivos, como imagens, a empresa usa o C2PA, um padrão aberto para anexar metadados assinados digitalmente ao arquivo. Isso permite verificar se aquele conteúdo passou por uma IA e se foi alterado depois.

Esse tipo de identificação não é exatamente novidade: fotos e vídeos gerados por IA convivem com esse tipo de marcação há mais tempo, inclusive por parte de outras empresas. O Google, por exemplo, usa uma tecnologia parecida, chamada SynthID, para sinalizar imagens e vídeos criados por suas próprias ferramentas.

A finalidade do comunicado é alinhar o Claude ao acordo assinado junto à União Europeia: desde o início de agosto, qualquer conteúdo produzido por uma IA deve ser identificável de forma verificável. Os maiores desenvolvedores desses modelos, como Google, Meta, Microsoft e OpenAI, também assinaram esse mesmo acordo.

Transparência ou filtro: o que você prefere?

Fica então uma pergunta em aberto para você, leitor: se essas ferramentas de detecção evoluírem o suficiente, você prefere poder selecionar, no seu feed, para ver "apenas conteúdo produzido por humanos"?

Ou basta ter transparência, com um indicador claro sobre o auxílio de uma IA naquele conteúdo, e decidir por conta própria se vale a pena continuar lendo?

FUP Explica

O movimento da Anthropic responde a uma exigência regulatória da União Europeia que, desde o início de agosto, obriga que conteúdo gerado por IA seja identificável de forma verificável. Google, Meta, Microsoft e OpenAI assinaram o mesmo acordo, o que indica que a marcação de conteúdo sintético tende a se tornar padrão de mercado, não diferencial competitivo de uma empresa só.

Do ponto de vista institucional, isso representa uma virada relevante: até pouco tempo, a identificação de conteúdo gerado por IA dependia de iniciativas voluntárias ou de ferramentas de detecção imperfeitas. Com um padrão técnico aberto como o C2PA e a pressão regulatória europeia, a rastreabilidade passa a ser embutida na cadeia de produção do conteúdo, não aplicada depois do fato. Isso abre espaço para que plataformas como o LinkedIn criem mecanismos de filtragem mais precisos do que o botão de denúncia atual.

Para quem produz ou consome conteúdo profissional, a questão prática é de credibilidade: a marca d'água invisível no texto significa que um conteúdo pode ser rastreado como gerado por IA mesmo depois de editado e republicado em outro lugar. Isso muda o cálculo de quem usa IA para produzir conteúdo sem declarar, especialmente em contextos onde autoria importa, como jornalismo, consultoria e comunicação corporativa.

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