
Maersk reforça conectividade entre Ásia e costa oeste da América Latina
Expansão de serviço da Maersk na costa oeste latino-americana pode impactar rotas e tarifas de frete para exportadores brasileiros, especialmente no comércio com países do Pacífico.
A Maersk anunciou, em 3 de agosto de 2026, o lançamento de um novo serviço marítimo na costa oeste da América Latina, expandindo sua cobertura no continente americano com maior conectividade e flexibilidade, conforme divulgou o Portal Portuario. A iniciativa transforma um enlace simples entre dois portos em uma rede com três embarcações cobrindo México, Panamá e Equador.
A mudança central consiste na expansão de um serviço que operava com um único navio entre Balboa, no Panamá, e Posorja, no Equador. Com o novo arranjo, a rota passa a contar com três embarcações e incorpora os portos mexicanos de Lázaro Cárdenas e Manzanillo.
A rotação prevista segue dois sentidos. No sentido norte, as escalas são Posorja, Balboa, Manzanillo (México) e Lázaro Cárdenas. No sentido sul, a ordem se inverte: Manzanillo (México), Lázaro Cárdenas, Balboa e Posorja. A armadora também anunciou a transição da cobertura de Guayaquil para essa rota melhorada, garantindo, segundo ela própria, acesso contínuo ao mercado equatoriano.
Entre as melhorias destacadas pela companhia está a criação de conexões diretas dos portos mexicanos com Posorja, com tempos de trânsito reduzidos para cargas originárias da Ásia. O primeiro zarpe do novo serviço, a bordo do navio AS Palina na viagem 639N, está programado para 20 de setembro de 2026, saindo de Posorja.
O novo serviço integra um ciclo mais amplo de reorganizações que a Maersk vem conduzindo na América Latina. A armadora havia anunciado o encerramento de sua participação no serviço Brazex após a última viagem em novembro de 2025, mantendo a cobertura do Caribe, do Golfo do México e do México pelos serviços UCLA e Gulfex. Naquele mesmo movimento, o serviço ECSA Shuttle passou a operar quinzenalmente com paradas em Paranaguá, Santos e Manzanillo (Panamá).
Em março de 2025, a Maersk havia lançado o serviço America Shuttle 1 (AM1), com rota direta de Cartagena, na Colômbia, para Miami e Jacksonville, conforme atualização de mercado da própria armadora. Em junho de 2026, a Maersk descrevia as operações na costa oeste da América do Sul como consistentes, com os portos-chave da região funcionando de forma estável, segundo atualização de mercado divulgada pela companhia.
Contexto de mercado no corredor
Análise da C.H. Robinson publicada em novembro de 2025 apontava que as principais exportações da costa oeste da América do Sul incluíam ácido cítrico, produtos de madeira, peças metálicas, plásticos e produtos alimentícios. O mesmo relatório registrava que tarifas americanas de 50% sobre determinados produtos brasileiros estavam remodelando fluxos comerciais naquele período, com café e açúcar sendo redirecionados dos Estados Unidos para a Europa, gerando desequilíbrios de espaço nas rotas regionais.
As exportações de açúcar brasileiro para os EUA haviam caído mais de 80% naquele momento, segundo a C.H. Robinson. Esses dados são de novembro de 2025 e podem não refletir o cenário atual. A Maersk não divulgou valores tarifários associados ao novo serviço.
FUP Explica
O movimento da Maersk é relevante porque transforma um enlace de baixa frequência em uma rota estruturada com três navios, o que tende a aumentar a regularidade e a oferta de espaço no corredor entre México, Panamá e Equador. Para operadores que usam o Canal do Panamá como ponto de transbordo em rotas entre a Ásia e a costa oeste sul-americana, a ampliação da cobertura pode abrir alternativas de trânsito que antes dependiam de conexões menos frequentes.
A ênfase da Maersk em cargas originárias da Ásia com destino a Posorja sinaliza que a armadora enxerga demanda crescente nesse corredor, especialmente via portos mexicanos como Lázaro Cárdenas, que funciona como ponto de entrada de cargas transpacíficas. Isso pode pressionar tarifas de frete no trecho, a depender de como os concorrentes respondem à nova oferta de capacidade.
Do ponto de vista institucional, o lançamento reforça a tendência de reorganização contínua das malhas das grandes armadoras na América Latina, com ajustes frequentes de rota que exigem atenção dos operadores de comex para não serem pegos de surpresa por mudanças de escala ou frequência. A Maersk não informou valores tarifários nem capacidade das embarcações, o que limita a avaliação do impacto real sobre custos de frete nesse corredor por enquanto.
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