
Maersk reajusta sobretaxas na rota Ásia-América Latina
Maersk anuncia mudanças nas taxas de sobretaxa de alta temporada (PSS) para cargas da Ásia Extrema para América Latina, incluindo Brasil, com aumentos previstos para o mês de agosto. Notícia com precedente editorial na FUP sobre ajustes de tarifas PSS para a região.
A Maersk anunciou uma série de revisões em sua Peak Season Surcharge (PSS) para embarques originados na Ásia Extrema com destino à América Latina e ao Caribe, com datas de vigência escalonadas ao longo de agosto e início de setembro de 2026. As mudanças foram divulgadas pelo Container News nesta quarta-feira (5), e envolvem tanto uma redução inicial quanto aumentos subsequentes, conforme o destino.
A primeira mudança foi uma redução do PSS para México, Costa Oeste da América do Sul, América Central e Caribe, na rota denominada C1E. Essa redução entrou em vigor em 3 de agosto para a maioria das origens da Ásia Extrema, com exceção das cargas originárias da Coreia do Sul, para as quais a data foi 14 de agosto. Porto Rico não foi incluído nessa etapa de redução. Os valores foram estipulados em: US$ 750 por contêiner seco ou reefer de 20 pés e US$ 1.500 por contêiner de 40 ou 45 pés.
A partir de 22 de agosto, a Maersk passará a elevar o PSS para embarques com destino a México, América do Sul, América Central e Caribe. Para Porto Rico e Colômbia, os novos valores entram em vigor em 4 de setembro de 2026. Como Porto Rico não havia sido contemplado pela redução anterior, o aumento representa, para esse destino, uma elevação de US$ 250 por contêiner de 20 pés e de US$ 500 por contêiner de 40 pés.
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai
Para a Costa Leste da América do Sul, incluindo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o aumento do PSS tem vigência geral a partir de 20 de agosto de 2026. Cargas originárias da Coreia do Sul seguem data ligeiramente diferente: 22 de agosto de 2026.
O escopo de origens para essa rota é amplo e abrange Brunei, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Camboja, Coreia do Sul, Laos, Mianmar, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Timor-Leste, Taiwan e Vietnã. Os tipos de equipamento cobertos incluem contêineres secos, high-cube secos, reefer, high-cube reefer, bulk, flat rack, open-top, tank, twin-deck, flat racks dobráveis, hive e pallet-wide.
Regras de aplicação e vigência
As tarifas revisadas se aplicam a reservas não-SPOT. Para embarques não sujeitos à regulação da FMC (Federal Maritime Commission), a Maersk utiliza a data de partida programada do primeiro trecho marítimo, conforme consta na confirmação de reserva. Para embarques FMC, a data considerada é aquela em que o último contêiner entra no terminal.
A sobretaxa permanece em vigor até novo aviso, sem prazo definido de encerramento, conforme registrado pelo Container News e pela publicação especializada Portcast em 1º de agosto de 2026. O movimento da Maersk ocorre em um contexto de ajustes tarifários mais amplos na rota Ásia-América Latina: a CMA CGM havia anunciado, com vigência a partir de 25 de julho de 2026, uma sobretaxa de US$ 1.000 por contêiner seco na rota Índia-Costa Leste da América do Sul.
FUP Explica
O ponto que merece atenção aqui é a estrutura escalonada do ajuste: a Maersk primeiro reduz o PSS e, em seguida, o eleva acima do nível anterior para boa parte dos destinos. Isso cria uma janela curta de custo menor que pode não ser aproveitada por quem já tem reservas fechadas, já que as tarifas revisadas se aplicam a contratos não-SPOT.
Para importadores brasileiros que operam com a Maersk nesse modelo contratual, o aumento de agosto chega sem prazo de encerramento definido, o que complica o planejamento de custos para os próximos meses.
A amplitude do escopo também pesa: praticamente toda a Ásia Extrema está coberta, e a lista de equipamentos é extensa, o que significa que o ajuste não se restringe a um perfil específico de carga. Quem importa produtos refrigerados, cargas especiais ou granéis também está dentro do alcance da medida.
O movimento da Maersk se soma ao da CMA CGM, que aplicou sobretaxa semelhante na rota Índia-América do Sul em julho. Quando dois grandes armadores ajustam tarifas na mesma direção e no mesmo período, o sinal para o mercado é de pressão de custo generalizada na rota, o que tende a reduzir o espaço de negociação para embarcadores que precisam renovar contratos ou buscar alternativas de frete.
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