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Maersk e Hapag-Lloyd retomam rota pelo Canal de Suez após anos de desvio
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Maersk e Hapag-Lloyd retomam rota pelo Canal de Suez após anos de desvio

10/08/2026·373 palavras
Maersk e Hapag-Lloyd retomam rota pelo Canal de Suez e Mar Vermelho para o serviço Gemini, substituindo a rota pelo Cabo da Boa Esperança, conectando Ásia com Arábia Saudita, Mediterrâneo e Europa. Mudança operacional relevante para exportadores e importadores brasileiros que utilizam essas rotas.

Maersk e Hapag-Lloyd anunciaram o redirecionamento do serviço Gemini AE19/SE4 para a rota do Canal de Suez e Mar Vermelho, substituindo o trajeto pelo Cabo da Boa Esperança. A mudança foi confirmada pelo Container News e representa mais um passo na retomada gradual do corredor trans-Suez pelas duas armadoras.

O serviço conecta Ásia com Arábia Saudita, Mediterrâneo e Europa. O navio Berlin Maersk operará o primeiro embarque em sentido oeste sob a rota revisada, na viagem 628W, com implementação imediata. O trajeto passa por Xingang, Qingdao, Busan, Ningbo, Xangai, Tanjung Pelepas, Jeddah, Canal de Suez, Port Said e Tânger, com retorno pelo mesmo corredor até Singapura e Xingang.

As armadoras justificam a decisão pela maior eficiência da rota pelo Canal de Suez, que oferece prazos de trânsito mais curtos em comparação ao desvio pelo Cabo da Boa Esperança, conforme informou o Container News. O desvio pelo Cabo havia se tornado prática comum desde 2024, quando ataques de rebeldes Houthis do Iêmen a navios comerciais forçaram as principais linhas a abandonar o corredor do Mar Vermelho.

A retomada segue precedente aberto pela CMA CGM. De acordo com a OPIS, empresa do grupo Dow Jones, a viagem de teste do navio Benjamin Franklin pelo Mar Vermelho e Canal de Suez, realizada em novembro de 2025, foi avaliada positivamente pela armadora francesa e contribuiu para que outras companhias reconsiderassem a rota.

Apesar da mudança operacional, a Hapag-Lloyd reafirmou que a segurança permanece como prioridade. Segundo a armadora, todas as passagens serão asseguradas por assistência naval, e ambas as empresas continuarão monitorando a situação no Oriente Médio, com possibilidade de alterações caso haja nova escalada de conflitos na região.

A Hapag-Lloyd também indicou que mudanças adicionais nos serviços SE1 e SE3 podem ser implementadas posteriormente para que também transitem pelo Mar Vermelho e Canal de Suez, com informações a serem repassadas aos clientes em momento oportuno. Nenhuma outra alteração na rede Gemini relacionada ao Mar Vermelho está prevista por enquanto, segundo a armadora.

Gemini Cooperation

A parceria operacional entre Maersk e Hapag-Lloyd teve início em fevereiro de 2025. Conforme apurado pela OPIS, a cooperação reúne aproximadamente 340 navios em uma rede oceânica compartilhada, abrangendo 29 serviços mainliner e 29 serviços shuttle em rotas de comércio leste-oeste.

FUP Explica

O redirecionamento do serviço Gemini pelo Canal de Suez é mais um sinal de que as grandes armadoras estão recalibrando suas rotas depois de quase dois anos de desvios pelo Cabo da Boa Esperança. A rota pelo Cabo é significativamente mais longa, o que se traduz em mais dias de trânsito, mais consumo de combustível e, consequentemente, fretes mais caros. Com a retomada gradual do corredor trans-Suez, a tendência é de pressão para baixo nos custos logísticos nas rotas Ásia-Europa, embora o ritmo dessa queda dependa de quantas armadoras seguirem o mesmo caminho e de como o mercado absorver a oferta adicional de capacidade.

Para quem opera importação ou exportação com origem ou destino na Europa ou no Mediterrâneo, a mudança pode significar transit times menores e maior previsibilidade de prazo, o que tem impacto direto no planejamento de estoque e no custo financeiro da carga em trânsito. O ponto de atenção é que a situação de segurança no Mar Vermelho ainda não está resolvida: as próprias armadoras deixaram claro que monitoram o cenário e podem reverter a decisão se houver nova escalada dos Houthis. Ou seja, a estabilidade operacional ainda depende de um fator fora do controle do mercado.

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