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Maersk cria tarifas emergenciais de até US$ 4,8 mil por contêiner em meio à crise no Estreito de Ormuz
_Companhia altera rotas, mantém restrições de reservas e define novos pontos para devolução de contêineres vazios diante das dificuldades operacionais no Golfo_
A Maersk passou a aplicar nesta sexta-feira (11) tarifas emergenciais de até US$ 4,8 mil por contêiner em embarques afetados pelas interrupções no Estreito de Ormuz. As cobranças alcançam cargas com origem ou destino em países do Golfo e determinados portos da Arábia Saudita e de Omã e, segundo a companhia, buscam compensar custos adicionais com mudanças de rota, armazenagem, fretamento de embarcações e segurança provocados pelas dificuldades operacionais na região.
A nova Emergency Freight Rate foi fixada em US$ 1,8 mil para contêineres dry de 20 pés e em US$ 3 mil para unidades de 40 pés. Para cargas refrigeradas, especiais ou classificadas como perigosas, a cobrança será de US$ 3,8 mil por contêiner.
Embarques transportados em navios que efetivamente cruzarem o Estreito de Ormuz estarão sujeitos ainda a uma tarifa adicional de US$ 1 mil por unidade. Com essa cobrança, o custo extra pode chegar a US$ 4,8 mil por contêiner em determinadas operações. Segundo o Container News, o adicional relacionado à travessia considera despesas como o aumento dos prêmios de seguro e compensações de risco às tripulações.
As tarifas abrangem operações envolvendo Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos, além dos portos de Dammam e Jubail, na Arábia Saudita. Omã também está incluído, com exceção de Salalah. De acordo com a Maersk, os valores poderão ser revistos conforme mudem as condições operacionais e de segurança na região.
Além das cobranças, a companhia reorganizou parte da malha utilizada para atender os mercados do chamado Alto Golfo. Cargas destinadas a Kuwait, Iraque, Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos passarão a ser movimentadas por Salalah e Khor Fakkan. Em seguida, os volumes seguirão por conexão terrestre até Sharjah, onde serão reintegrados à rede de embarcações alimentadoras da empresa dentro do Golfo.
Na Arábia Saudita, as cargas de importação e exportação continuarão sendo movimentadas por Jeddah. Essa estratégia integra o plano de contingência adotado pela Maersk para manter o fluxo de mercadorias diante das restrições que afetam as operações próximas ao Estreito de Ormuz.
A companhia também mantém limitações para novas reservas. Os bookings de cargas dry seguem suspensos com origem ou destino nos Emirados Árabes Unidos, exceto em arranjos específicos relacionados a Khor Fakkan e Jebel Ali. As reservas permanecem interrompidas para o Iraque e para os portos sauditas de Dammam e Jubail.
A Maersk continua aceitando cargas dry em Jeddah, King Abdullah Port, Kuwait, Catar, Bahrein, Salalah e Sohar. As restrições são maiores para contêineres refrigerados, cargas perigosas, volumes fora de padrão e outras mercadorias especiais. A empresa informou que dará atenção diferenciada aos embarques de alimentos considerados essenciais, medicamentos e outros produtos perecíveis.
As dificuldades operacionais também afetam a circulação de equipamentos. A Maersk suspendeu temporariamente a devolução de contêineres vazios nos pontos normalmente utilizados em mercados como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jubail, Iraque e Duqm, em Omã.
Para reduzir os efeitos da medida sobre a disponibilidade de equipamentos, a transportadora definiu pontos temporários de devolução, entre eles Salalah e Jeddah. A mudança busca preservar a circulação de contêineres enquanto a companhia ajusta sua rede aos desvios de rota, às restrições de reservas e ao aumento dos custos das operações na região.
FUP Explica
A decisão da Maersk de aplicar tarifas emergenciais no Estreito de Ormuz é um sinal claro de que a crise operacional na região deixou de ser uma ameaça pontual e passou a ser tratada como um custo estrutural, pelo menos por enquanto. Quando a maior armadora do mundo precifica o risco com tabela própria, os demais players do mercado tendem a seguir o mesmo caminho, o que pode generalizar o aumento de frete para toda a cadeia que passa pelo Golfo.
Do ponto de vista econômico, o impacto mais imediato recai sobre importadores e exportadores que operam com países do Golfo: Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos. O custo extra de até US$ 4,8 mil por contêiner é significativo e tende a ser repassado ao longo da cadeia, pressionando preços de produtos que dependem dessas rotas. A prioridade declarada da Maersk para alimentos essenciais, medicamentos e perecíveis indica que a própria empresa reconhece o risco de desabastecimento em mercados dependentes do transporte marítimo pelo Estreito.
No plano operacional, a rota alternativa via Salalah e Khor Fakkan, com conexão terrestre até Sharjah, aumenta o tempo de trânsito e adiciona pontos de transbordo, o que eleva a complexidade logística e o risco de atraso. A suspensão de bookings em portos relevantes como Dammam e Jubail, combinada com a restrição à devolução de contêineres vazios, pode gerar escassez de equipamentos na região e agravar o congestionamento nos pontos alternativos. Enquanto a situação de segurança no Estreito de Ormuz não se estabilizar, a tendência é que essas medidas se prolonguem e que outros armadores adotem políticas semelhantes.




