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Cyberattack paralisa operações em um dos maiores portos de contêineres do mundo
_Porto de Tanjung Pelepas, na Malásia, suspendeu temporariamente as atividades após sistemas operacionais serem afetados; terminal iniciou retomada gradual e Maersk monitora possíveis atrasos_
Pouco antes da meia-noite de quarta-feira (9), as operações do Porto de Tanjung Pelepas (PTP), na Malásia, foram interrompidas depois que um cyberattack atingiu os sistemas operacionais do terminal. Detectada às 23h34 no horário local, a ocorrência levou a administração portuária a isolar os ambientes afetados como medida de precaução, suspendendo temporariamente parte das atividades enquanto equipes trabalhavam na recuperação dos sistemas.
Na quinta-feira (10), o terminal iniciou uma retomada controlada, com os procedimentos sendo restabelecidos gradualmente e as atualizações repassadas a transportadores, armadores e demais agentes envolvidos na operação.
Considerado um dos principais hubs de transbordo de contêineres do mundo, Tanjung Pelepas ocupa uma posição importante nas cadeias marítimas internacionais. Conforme destacou a Kuehne+Nagel, o complexo portuário de Johor, que inclui o PTP e o terminal de Pasir Gudang, movimentou 15,1 milhões de TEUs em 2025. Desse total, mais de 14 milhões de TEUs passaram apenas por Tanjung Pelepas, que também funciona como um dos pontos relevantes da rede da Gemini Cooperation, formada por Maersk e Hapag-Lloyd.
Após a restauração do sistema afetado, o PTP informou que iniciou uma retomada controlada das operações e que as medidas de recuperação seriam implementadas progressivamente. Entre as soluções adotadas durante esse período está o processamento manual de entrada nos portões para contêineres de exportação, tanto cheios quanto vazios, incluindo transferências entre terminais da zona franca. O procedimento começou às 19h30 de quinta-feira no horário local, enquanto os sistemas digitais eram normalizados.
A Maersk, uma das principais companhias que utilizam o porto, informou que trabalha em conjunto com o terminal para administrar os efeitos operacionais do incidente. Segundo um porta-voz da empresa, alguns navios podem registrar atrasos, embora os esforços de recuperação estejam avançando. A companhia afirmou ainda que acompanha possíveis impactos sobre a movimentação das cargas e busca reduzir reflexos para clientes e cadeias de suprimentos.
Até o momento, porém, os efeitos sobre a navegação parecem limitados. Dados de rastreamento de embarcações indicaram que a maior parte das chegadas e partidas programadas continuou sem atrasos relevantes. Uma das exceções foi o Maersk Hanoi, navio com capacidade para 15.226 TEUs, que navegava de Pointe-Noire em direção a Tanjung Pelepas e desviou temporariamente de sua rota por cerca de dez horas durante a passagem pelo Estreito de Malaca antes de retomar a viagem.
Além disso, não foram identificadas filas significativas de porta-contêineres nas proximidades do terminal durante o acompanhamento realizado após a interrupção. Ainda assim, a situação permanece sob observação devido ao papel de Tanjung Pelepas como ponto de conexão entre rotas da Ásia, Europa, América do Norte e Oriente Médio.
O episódio volta a colocar a segurança digital no centro das preocupações do setor marítimo. À medida que portos e terminais dependem cada vez mais de sistemas integrados para programação de navios, rastreamento de contêineres, controle de portões e organização dos pátios, falhas ou invasões digitais podem rapidamente provocar efeitos físicos sobre a movimentação das cargas.
O setor enfrentou episódios semelhantes nos últimos anos. Em 2017, o malware NotPetya afetou amplamente as operações mundiais da Maersk, enquanto CMA CGM, Cosco e empresas relacionadas à MSC também registraram incidentes cibernéticos posteriormente. Portos na África do Sul, Austrália e Japão igualmente tiveram atividades impactadas por ataques. Diante desse cenário, o PTP afirmou que continuará adotando medidas para proteger seus sistemas e suas operações enquanto avança no processo de normalização do terminal.
FUP Explica
O incidente em Tanjung Pelepas é mais um sinal de que a infraestrutura portuária digital virou alvo tão crítico quanto a física. Um terminal que movimenta mais de 14 milhões de TEUs por ano e serve de ponto de conexão entre a Ásia, a Europa, a América do Norte e o Oriente Médio não pode parar sem que a cadeia sinta. O fato de os impactos imediatos na navegação terem sido relativamente contidos, com exceção do desvio do Maersk Hanoi, não diminui a gravidade: a retomada dependeu de processamento manual nos portões, o que é lento e sujeito a erros, e qualquer congestionamento acumulado nas próximas horas pode se propagar para outros hubs da rota.
Do ponto de vista econômico, armadores como Maersk e Hapag-Lloyd, que operam a Gemini Cooperation com passagem por Tanjung Pelepas, são os mais expostos a custos de atraso e reprogramação de escala. Importadores e exportadores com carga em trânsito pelo terminal ficam na dependência do ritmo de normalização, sem prazo confirmado além do que o PTP divulgou de forma genérica. Isso gera incerteza sobre janelas de entrega e pode acionar cláusulas contratuais de atraso.
No plano institucional, o episódio reforça a pressão sobre autoridades portuárias e organismos internacionais, como a IMO, para elevar os padrões mínimos de cibersegurança em terminais. O histórico citado no texto, que inclui NotPetya em 2017 e ataques subsequentes a CMA CGM, Cosco e portos em três continentes, mostra que o setor marítimo ainda não consolidou uma resposta sistêmica ao problema. Cada incidente desse tipo tende a reabrir o debate sobre regulação, mas a velocidade de adoção de novas exigências costuma ficar atrás da velocidade com que os ataques evoluem.
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