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Maersk anuncia sobretaxa de US$ 500 para cargas do Brasil à Europa e encerra serviço conjunto com a CMA CGM
Comércio Exterior

Imagem: Petar Milosević

Maersk anuncia sobretaxa de US$ 500 para cargas do Brasil à Europa e encerra serviço conjunto com a CMA CGM

02/10/2026·507 palavras

PSS entra em vigor em novembro para contêineres secos e refrigerados, enquanto companhia também prepara o encerramento da operação conjunta com a CMA CGM no serviço ASAS2

A Maersk vai alterar duas frentes de suas operações envolvendo a América do Sul nos próximos meses, com impacto sobre rotas que conectam a região à Europa e à Ásia. A companhia anunciou uma sobretaxa de US$ 500 por contêiner para embarques da Costa Leste sul-americana destinados a diferentes mercados europeus, com aplicação a partir de novembro, ao mesmo tempo que prepara o encerramento da cooperação com a CMA CGM no serviço ASAS2, que liga a Ásia à América do Sul e tem escalas em portos brasileiros.

Segundo o Container News, a Maersk vai introduzir e revisar o Peak Season Surcharge (PSS) para cargas embarcadas no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai com destino ao Norte da Europa, Europa Central e Oriental, Mediterrâneo Oriental e Ocidental, Escandinávia, países bálticos e região do Mar Negro. A nova tarifa terá como referência a data de cálculo de preço de 1º de novembro de 2026.

O valor estabelecido será de US$ 500 por contêiner e alcançará todos os tamanhos de equipamentos secos e refrigerados incluídos no anúncio. Com isso, exportadores brasileiros que utilizam os serviços da companhia para diferentes mercados europeus precisarão considerar a cobrança adicional nos embarques sujeitos às novas condições a partir de novembro.

A mudança ocorre enquanto a Maersk também reorganiza uma de suas conexões entre a América do Sul e a Ásia. A companhia dinamarquesa e a CMA CGM decidiram encerrar a cooperação mantida no serviço ASAS2, cuja rotação passa por Xangai, Hong Kong, Shekou, Singapura, Santos e Itajaí antes de retornar ao continente asiático.

De acordo com o PortalPortuario, o último navio operado dentro do acordo entre as duas companhias deverá deixar Xangai em 8 de dezembro de 2026, na viagem 650W. Apesar da descontinuação do ASAS2, a Maersk informou que continuará atendendo o comércio entre a Ásia e a Costa Leste da América do Sul por meio do ASAS, serviço controlado e operado integralmente pela própria companhia.

A empresa afirmou ainda que o ASAS continuará funcionando normalmente e que os clientes poderão seguir realizando reservas de cargas. Segundo a Maersk, manter o controle integral da operação permitirá administrar e desenvolver o serviço de maneira independente, considerando as necessidades dos clientes e as condições do mercado.

Embora tratem de corredores marítimos diferentes, os dois anúncios mostram ajustes simultâneos da Maersk em serviços relevantes para o comércio exterior brasileiro. De um lado, embarques destinados à Europa passarão a conviver com uma cobrança adicional de US$ 500 por contêiner a partir de novembro. De outro, a companhia encerra em dezembro sua cooperação com a CMA CGM no ASAS2, mas mantém uma conexão própria entre a Ásia e a Costa Leste da América do Sul por meio do ASAS.

Para exportadores, importadores e operadores logísticos, portanto, os próximos meses exigem atenção tanto às novas condições tarifárias nas rotas europeias quanto à reorganização dos serviços que conectam os portos brasileiros ao mercado asiático.

FUP Explica

Os dois movimentos da Maersk têm pesos diferentes, mas chegam juntos e merecem atenção separada. A sobretaxa de US$ 500 por contêiner nas rotas para a Europa é o impacto mais imediato e direto: ela incide sobre todos os tamanhos de equipamentos secos e refrigerados, o que significa que praticamente qualquer exportador brasileiro que use a Maersk para embarcar à Europa vai sentir o custo adicional a partir de novembro. Dependendo do produto e da margem da operação, esse valor pode ser repassado ao comprador europeu, absorvido pelo exportador ou renegociado com o armador, mas em nenhum cenário ele simplesmente desaparece. Quem tem contratos de frete fechados para o período precisa verificar se a cláusula de sobretaxa já estava prevista.

O encerramento do ASAS2 é um ajuste de estrutura operacional, não necessariamente uma redução de capacidade. A Maersk deixa de dividir o serviço com a CMA CGM e passa a operar sozinha no corredor Ásia-Costa Leste da América do Sul, pelo ASAS. Na prática, isso pode significar menos flexibilidade de espaço para quem usava o ASAS2 como alternativa, mas a companhia garantiu continuidade das reservas pelo serviço próprio. O ponto de atenção para importadores e exportadores que dependem dessa rota é confirmar com seus agentes se as escalas e frequências do ASAS cobrem as mesmas necessidades que o ASAS2 cobria, já que a rotação dos dois serviços pode diferir.

No plano mais amplo, os dois anúncios simultâneos indicam que a Maersk está revisando a rentabilidade e o controle de suas operações na América do Sul, tanto no corredor europeu quanto no asiático. Para operadores logísticos, o momento pede revisão de contratos, simulação de custo com a nova sobretaxa e mapeamento de alternativas de espaço na rota asiática antes que o ASAS2 encerre em dezembro.

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