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Maersk alerta para risco de interrupções logísticas no Leste da África durante El Niño
Chuvas acima da média e possíveis inundações entre outubro e dezembro podem restringir acessos a portos e terminais, atrasar caminhões e elevar o risco de perda de cut-offs e rolagem de cargas
Chuvas acima da média previstas para o Leste da África entre outubro e dezembro de 2026 levaram a Maersk a alertar clientes para possíveis interrupções no transporte de cargas durante o período associado ao El Niño. Com risco de inundações localizadas e danos à infraestrutura rodoviária, a companhia prevê que o acesso a portos, terminais, depósitos e destinos no interior possa ser prejudicado, provocando atrasos no transporte terrestre, dificuldades nos embarques e impactos sobre cargas de importação, exportação e trânsito.
Segundo o Container News, eventuais bloqueios ou restrições provocados pelas condições das estradas podem aumentar o tempo de trânsito e reduzir a velocidade no giro dos caminhões. Caso os veículos não consigam chegar aos terminais dentro dos prazos previstos, as cargas também ficam sujeitas à perda dos cut-offs estabelecidos para embarque e, consequentemente, à rolagem para viagens posteriores.
Os efeitos podem se estender às operações portuárias. Condições meteorológicas severas podem reduzir o ritmo ou provocar a suspensão temporária das atividades nos terminais quando não houver condições seguras de trabalho, afetando a produtividade dos pátios e as operações de carga e descarga dos navios.
A demora na retirada das mercadorias também pode aumentar a ocupação dos terminais e o tempo de permanência dos contêineres nos pátios. Com maior concentração de unidades, determinados equipamentos podem ficar mais difíceis de acessar, criando entraves adicionais para a movimentação das cargas e para a organização das operações.
Diante desse cenário, a Maersk recomendou que os embarcadores incluam tempo adicional no planejamento dos transportes e iniciem com antecedência a coordenação com transportadores terrestres, agentes aduaneiros e instalações responsáveis pelo recebimento das mercadorias. Para as exportações, a orientação é entregar as cargas aos terminais antes dos respectivos cut-offs sempre que possível.
A companhia também pediu atenção aos procedimentos documentais, com o envio das instruções de embarque e dos documentos aduaneiros dentro dos prazos estabelecidos. Clientes responsáveis por cargas sensíveis ao tempo ou que dependam de controle de temperatura foram orientados a procurar antecipadamente seus representantes da Maersk para planejar as operações.
Apesar do alerta, a transportadora ressalta que o momento e a intensidade das chuvas e das possíveis inundações ainda são incertos. A Maersk continuará acompanhando as condições meteorológicas e informou que divulgará novas atualizações caso seus serviços ou operações sofram impactos significativos.
Até o momento, portanto, o comunicado aponta riscos para a cadeia logística do Leste da África, mas não confirma interrupções específicas em rodovias, portos ou terminais. A preocupação está concentrada nos possíveis efeitos das chuvas sobre a conexão entre o transporte terrestre e as operações portuárias, especialmente se as condições meteorológicas dificultarem o acesso aos terminais durante o período previsto para o El Niño.
FUP Explica
O alerta da Maersk é, na prática, um aviso de que a janela outubro-dezembro de 2026 no Leste da África pode ser mais cara e mais lenta para quem opera cargas na região. O risco central é a desconexão entre o transporte terrestre e os terminais portuários: se as estradas ficarem intransitáveis ou com restrições, os caminhões não chegam a tempo, as cargas perdem o cut-off e rolam para o próximo navio. Isso significa prazo mais longo, custo adicional de armazenagem e, no caso de cargas refrigeradas ou sensíveis ao tempo, risco real de perda de mercadoria.
Do ponto de vista econômico, a pressão tende a se concentrar em quem depende de conexões terrestres para acessar portos da região, como os países sem litoral que usam corredores do Leste africano. Para esses fluxos, qualquer gargalo rodoviário se traduz diretamente em custo e imprevisibilidade. A ocupação maior dos pátios também pode elevar taxas de demurrage e detention, onerando tanto importadores quanto exportadores que não ajustarem o planejamento a tempo.
A incerteza sobre intensidade e momento das chuvas é o ponto que mais complica o planejamento operacional. A Maersk não confirmou interrupções, apenas mapeou o risco, o que significa que os operadores precisam tomar decisões preventivas sem saber ao certo se o cenário mais grave vai se concretizar.
Antecipar entregas, alinhar documentação e manter contato próximo com agentes locais são as medidas mais concretas disponíveis agora, enquanto a situação meteorológica ainda não está definida.




