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Irã diz que só reabrirá Estreito de Ormuz após cumprimento de sete condições pelos EUA
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Irã diz que só reabrirá Estreito de Ormuz após cumprimento de sete condições pelos EUA

05/10/2026·612 palavras

Proposta prevê retomada da navegação em sete dias, mas diferenças sobre a questão nuclear e a ordem das medidas mantêm o impasse diplomático

Em meio às negociações para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz, o Irã afirmou neste domingo (4) que a passagem permanecerá fechada até que os Estados Unidos cumpram sete condições previstas no entendimento firmado entre os dois países em junho. A declaração do presidente do Parlamento e principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, reforça o impasse nas conversas conduzidas com mediação do Catar para recuperar a segurança da rota marítima e encerrar o conflito.

A posição iraniana mantém indefinido o prazo para normalizar o tráfego em uma passagem que, antes da guerra, concentrava cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Desde os ataques americanos e israelenses contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro, a circulação pelo estreito enfrenta bloqueios e interrupções.

Segundo a Reuters, Qalibaf afirmou à mídia estatal que a reabertura depende do cumprimento das sete condições baseadas no Memorando de Entendimento de Islamabad. Ele também declarou que Washington precisa abandonar a condução prolongada das negociações e a imposição de exigências unilaterais. O conteúdo completo dessas condições não foi detalhado nas reportagens.

A proposta mais recente foi apresentada por Teerã durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro. O plano prevê o restabelecimento da passagem marítima normal em até sete dias, caso as exigências sejam atendidas. Os Estados Unidos responderam na semana passada por intermédio do Catar, mas os dois governos ainda não chegaram a um entendimento.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, disse que seu país já comunicou aos mediadores suas posições gerais sobre a resposta americana. Acrescentou, porém, que outros pontos ainda precisam ser transmitidos a Washington. Para Teerã, a recuperação da segurança em Ormuz exige medidas claras dos Estados Unidos.

A principal diferença exposta publicamente está no foco das conversas. Enquanto o governo iraniano defende que a prioridade desta etapa seja a situação do estreito, os americanos continuam concentrados no programa nuclear do país, de acordo com Baghaei. O porta-voz negou que Teerã tenha oferecido inspeções de suas instalações pela agência nuclear da ONU em troca de alívio das sanções e afirmou que não foram iniciadas discussões nucleares nessa rodada.

A Al Jazeera informou que o presidente Donald Trump rejeitou a proposta iraniana na semana anterior. O veículo também destacou a declaração de Baghaei de que o objetivo imediato de Teerã é encontrar uma solução para a passagem marítima e restabelecer a paz e a estabilidade na região.

Apesar da negativa iraniana sobre negociações nucleares, uma autoridade informada sobre as conversas apresentou outra descrição do documento em circulação. Segundo essa fonte, o plano estabelece sete dias de construção de confiança para retomar uma versão reforçada do memorando de junho, com medidas concretas relativas ao programa nuclear. O desacordo estaria principalmente na sequência das etapas, e não nos componentes da proposta.

O entendimento de junho havia permitido um breve cessar-fogo e incluía disposições tanto sobre Ormuz quanto sobre a questão nuclear. Agora, a tentativa de recuperar esse acordo ocorre sob novas advertências militares.

Em encontro com embaixadores e diplomatas em Teerã neste domingo, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou que o Irã espera uma saída diplomática. Ao mesmo tempo, advertiu que o país está mais preparado para responder caso os Estados Unidos voltem a recorrer à força.

Na quinta-feira, fontes já haviam relatado preparativos iranianos para uma reação mais abrangente e contundente se Washington retomasse ataques de grande escala. Neste domingo, o porta-voz do Exército, Mohammad Akraminia, acrescentou à agência Fars que o país pretende aumentar o alcance de seus mísseis.

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O impasse em torno do Estreito de Ormuz tem dimensões que vão muito além da rota marítima em si. Do ponto de vista econômico, a passagem concentrava, antes da guerra, cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Enquanto o bloqueio persiste, o mercado global de energia opera sob pressão estrutural, com reflexos diretos nos preços do petróleo e nos custos de abastecimento de países que dependem dessa rota, especialmente na Ásia e na Europa.

No plano diplomático, a divergência sobre a sequência das etapas revela um problema clássico de negociação em conflitos: cada lado quer que o outro se mova primeiro. O Irã quer resolver Ormuz antes de discutir o nuclear; os EUA querem garantias nucleares antes de qualquer concessão. Essa inversão de prioridades tende a travar rodadas mesmo quando há convergência sobre os componentes do acordo, como sugere a fonte anônima citada no dossiê. O papel do Catar como intermediário é relevante, mas a dinâmica específica dessa mediação nesta rodada de outubro não foi detalhada pelas fontes disponíveis.

As advertências militares iranianas, incluindo o anúncio de aumento do alcance dos mísseis, adicionam pressão ao processo sem necessariamente acelerar uma solução. Esse tipo de sinalização serve tanto para o público interno quanto para a mesa de negociação, mas também eleva o risco de um incidente que quebre o frágil cessar-fogo de junho, como já aconteceu antes. A janela de sete dias proposta por Teerã na ONU pode indicar disposição real para avançar rápido, ou pode ser uma posição de abertura destinada a testar a resposta americana antes de qualquer concessão concreta.

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