
Incêndio atinge megacomplexo petroquímico de Rússia e China
Um incêndio atingiu na terça-feira (25) o Complexo Químico de Amur, um dos maiores projetos petroquímicos em construção na Rússia, na região de Amur, próxima à fronteira com a China. O fogo começou em uma seção auxiliar da unidade de pirólise e deixou 15 mortos e 39 pessoas ainda hospitalizadas, enquanto equipes iniciaram os trabalhos de recuperação da instalação e as autoridades investigam uma possível violação das normas de segurança industrial.
O incêndio e os danos à instalação
O complexo ainda não havia iniciado a produção, o que limita, neste momento, impactos diretos sobre a oferta de polímeros no mercado. Segundo informações divulgadas após o incêndio, os principais equipamentos não foram atingidos e os trabalhos de construção e preparação continuam nas áreas que não sofreram danos. A dimensão de eventuais efeitos sobre o cronograma de entrada em operação ainda não foi informada.
A instalação é uma joint venture entre a petroquímica russa Sibur, que detém 60% do projeto, e a chinesa Sinopec, com participação de 40%. Quando entrar em operação, o complexo terá capacidade para produzir até 2,7 milhões de toneladas de polímeros por ano, sendo 2,3 milhões de toneladas de polietileno e 400 mil toneladas de polipropileno. A Sibur classifica o empreendimento como o maior futuro produtor de polímeros básicos da Rússia.
Capacidade e peso do Complexo Químico de Amur na petroquímica russa
A escala coloca o projeto entre os principais investimentos da indústria petroquímica russa. Segundo a Sibur, a entrada em operação do complexo deverá ampliar em mais de 40% a capacidade russa de produção de polímeros básicos. O empreendimento foi desenvolvido para transformar matérias-primas derivadas do processamento de gás natural em produtos de maior valor agregado destinados aos mercados russo e internacional.
O projeto também está integrado ao complexo de processamento de gás da Gazprom na região de Amur, responsável pelo fornecimento de etano e gás liquefeito de petróleo utilizados como matéria-prima. Essa integração faz parte da expansão da cadeia petroquímica no extremo leste russo e aumenta a importância econômica da instalação para o processamento doméstico de hidrocarbonetos e para as exportações de produtos de maior valor agregado.
Vítimas, resgate e investigação
Após o incêndio, as operações de busca e resgate foram encerradas e começaram os trabalhos emergenciais de recuperação em conjunto com o Ministério de Situações de Emergência da Rússia. A empresa afirmou que mantém o monitoramento da qualidade do ar na planta e nas comunidades próximas, incluindo Svobodny, sem registro de concentrações de substâncias nocivas acima dos limites permitidos.
O balanço mais recente aponta 15 mortos, entre eles um cidadão russo e 14 estrangeiros. Ao menos seis chineses haviam sido identificados entre as vítimas no balanço anterior. Todos trabalhavam para empresas contratadas envolvidas no empreendimento. Parte dos feridos foi transferida para Moscou para tratamento.
O Comitê de Investigação da Rússia apura as circunstâncias do incêndio e trabalha para determinar sua causa exata. Antes do acidente, a expectativa era concluir a preparação da instalação para que a produção pudesse começar em 2027. Até agora, as empresas não informaram se o episódio modificará esse cronograma.
FUP Explica
O incêndio no Complexo Químico de Amur combina tragédia humana com incerteza econômica de grande escala. No plano imediato, 15 mortos e dezenas de feridos, a maioria trabalhadores de empresas contratadas, muitos deles estrangeiros, o que já coloca pressão diplomática sobre a relação entre Rússia e China, dado o peso da Sinopec no projeto e a presença confirmada de vítimas chinesas.
No plano econômico, o impacto depende do que a investigação revelar sobre os danos reais. O fato de os principais equipamentos não terem sido atingidos é um sinal positivo, mas o cronograma de início de produção para 2027 ainda não foi confirmado pelas empresas após o acidente. Um atraso significativo pesaria sobre a Rússia em dois sentidos: internamente, porque o complexo representaria um salto de mais de 40% na capacidade de produção de polímeros básicos do país; externamente, porque o projeto foi concebido para exportar produtos de maior valor agregado, reduzindo a dependência russa da exportação de matéria-prima bruta. Qualquer postergação adia esse reposicionamento na cadeia petroquímica.
Há também uma dimensão jurídica e institucional relevante. O Comitê de Investigação apura possível violação de normas de segurança industrial, o que pode resultar em responsabilização de contratadas, revisão de protocolos em obras de grande porte e pressão regulatória sobre outros projetos similares em andamento no país. Para a Sibur e a Sinopec, o episódio tende a acirrar o escrutínio sobre gestão de segurança em canteiros de obras de alta complexidade, especialmente em regiões remotas como o extremo leste russo.




