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Houthis intensificam ataques a aeroportos e conflito no Iêmen eleva tensão perto de Bab el-Mandeb
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Houthis intensificam ataques a aeroportos e conflito no Iêmen eleva tensão perto de Bab el-Mandeb

08/10/2026·646 palavras

Ofensiva deixa três mortos na Arábia Saudita, afeta voos em Riad e avança sobre áreas próximas à rota marítima estratégica para o transporte de energia e outras mercadorias

Ataques contra aeroportos da Arábia Saudita e do Iêmen intensificaram nesta semana o conflito entre os Houthis e forças apoiadas por Riad, deixando três mortos em território saudita, afetando voos na capital e elevando a tensão em áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb. Enquanto o grupo alinhado ao Irã mantém ataques com mísseis e drones, forças do governo iemenita, com apoio aéreo da coalizão liderada pela Arábia Saudita, tentam recuperar territórios próximos à passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ganhou importância para as exportações de energia após as restrições ao comércio pelo Estreito de Ormuz.

Segundo a Reuters, uma pessoa morreu e oito ficaram feridas em um ataque ao Aeroporto Internacional King Khalid, em Riad, enquanto outras duas morreram e 28 ficaram feridas em instalações do aeroporto de Abha, no sudoeste saudita. As autoridades de aviação civil informaram que os episódios ocorreram entre terça (6) e quarta-feira (7), sem especificar em qual dos dias cada aeroporto foi atingido.

A ofensiva também alcançou o aeroporto internacional de Aden, no Iêmen. Os Houthis atacaram a instalação com mísseis balísticos e drones carregados de explosivos na quarta-feira. De acordo com o Ministério dos Transportes do país, um dos mísseis caiu próximo à pista minutos antes da chegada prevista de um voo procedente do Cairo. O aeroporto é a principal porta de entrada internacional para áreas iemenitas fora do controle do grupo.

Nesta quinta-feira (8), os Houthis afirmaram ter lançado outro míssil balístico contra o Aeroporto Internacional King Khalid. A Arábia Saudita não havia confirmado imediatamente a alegação. Em Riad, explosões foram ouvidas durante a manhã e o FlightRadar24 indicava diversos atrasos nas chegadas e partidas. Empresas instaladas no King Abdullah Financial District orientaram funcionários a trabalhar de casa, enquanto algumas escolas informaram pais sobre ordens para permanecer em locais protegidos. A origem das explosões não havia sido identificada.

Paralelamente aos ataques contra a infraestrutura aérea, os combates se concentram em áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb. Forças do governo iemenita, apoiadas pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, lançaram uma contraofensiva para recuperar territórios estratégicos próximos à passagem e à cidade de Mocha, tomados pelos Houthis em setembro. O grupo também conquistou áreas ao longo da principal estrada entre Taiz e Aden, cercando a terceira maior cidade do Iêmen.

Bab el-Mandeb tornou-se ainda mais importante para as exportações de energia após o conflito entre Estados Unidos e Irã restringir o comércio pelo Estreito de Ormuz. O controle da passagem pelos Houthis poderia ameaçar a navegação e os fluxos de petróleo, enquanto os confrontos permanecem concentrados no distrito de Dhubab, de onde forças favoráveis ao governo tentam avançar sobre áreas estratégicas.

Com a escalada, a Arábia Saudita passou a receber apoio de aliados. A Turquia está enviando principalmente assistência técnica e defensiva, incluindo equipamentos militares, compartilhamento de inteligência e sistemas de armas. O suporte também inclui planejamento estratégico, auxílio logístico, operadores de drones e recursos de inteligência, vigilância e reconhecimento.

Turquia, Paquistão e Arábia Saudita assinaram em agosto o Acordo de Defesa Conjunta de Meca, pelo qual um ataque armado contra um integrante é considerado um ataque contra todos. Os países concordaram posteriormente em implementar os compromissos de defesa coletiva e garantir o rápido envio de forças e capacidades militares à Arábia Saudita. O Paquistão também enviou equipamentos militares a Aden e deslocou tropas para território saudita, enquanto a Síria avalia opções de apoio militar.

A nova rodada de confrontos também agravou a crise humanitária no Iêmen. Mais de 200 mil pessoas foram deslocadas desde a retomada dos combates, enquanto os Houthis, que controlam grande parte do norte do país, continuam enfrentando a coalizão de forças apoiadas pela Arábia Saudita e ligadas ao governo reconhecido internacionalmente.

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O que está em jogo aqui vai além dos aeroportos. A disputa pelo controle de Bab el-Mandeb é o núcleo do problema: quem domina esse estreito tem poder sobre uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo para o transporte de petróleo e outras cargas. Com o Estreito de Ormuz já pressionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, Bab el-Mandeb virou alternativa central para o escoamento de energia, o que torna qualquer ameaça à navegação ali especialmente sensível para os mercados internacionais de commodities.

No plano político e militar, a assinatura do Acordo de Defesa Conjunta de Meca em agosto representa uma mudança de escala no conflito. Turquia e Paquistão assumiram compromissos formais de defesa coletiva com a Arábia Saudita, o que transforma o que era uma guerra civil com interferência regional em algo mais próximo de um confronto com partes comprometidas por tratado. Isso reduz o espaço para negociação e aumenta o risco de escalada caso os Houthis, apoiados pelo Irã, intensifiquem os ataques.

Para a população civil, o quadro é grave: mais de 200 mil deslocados desde a retomada dos combates, aeroportos atacados e uma cidade como Taiz praticamente cercada. A crise humanitária tende a se aprofundar na medida em que a infraestrutura de transporte, incluindo o aeroporto de Aden como principal acesso internacional às áreas fora do controle Houthi, continua sendo alvo direto dos ataques.

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